Dennis Agyeman / AFP7 / Europa Press - Arquivo
"Isso é inaceitável e não deve ser proposto novamente jamais"
"Agradecemos à UEFA e a todos aqueles que se opuseram com firmeza e responsabilidade a esse projeto"
MADRID, 2 ago. (EUROPA PRESS) -
O Real Madrid avaliou “muito positivamente” a revogação da decisão da FIFA de vender participações na Copa do Mundo de futebol a investidores privados, uma vez que a competição é “um evento de interesse público” e “não deve ser tratada como um mero ativo financeiro destinado a ser comercializado em benefício de poucos”, além de afirmar que a apropriação das receitas do futebol é “inaceitável e não deve ser cogitada novamente jamais”.
“O Real Madrid CF avalia muito positivamente a decisão tomada pela FIFA de abandonar a proposta de venda parcial dos direitos comerciais de suas competições. Nosso clube considera que é uma boa notícia para o futebol, para suas instituições e, acima de tudo, para os milhões de torcedores do nosso querido esporte”, afirmou em um comunicado.
Na última terça-feira, a FIFA confirmou que planejava criar a FIFA Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária de propriedade e controlada pelo órgão regulador do futebol mundial, que abriria as portas para investidores privados. Com isso, seria realizada a venda de parte dos torneios da FIFA, como a Copa do Mundo ou a Copa do Mundo de Clubes.
A enxurrada de reações contrárias não demorou a surgir. A CONMEBOL — Confederação Sul-Americana de Futebol —, a CONCACAF — Confederação de Futebol da América do Norte, América Central e Caribe — e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) manifestaram sua oposição ao projeto, enquanto a UEFA foi além e anunciou, juntamente com suas 55 federações membros, que “não” participarão das competições da FIFA caso a proposta siga adiante.
Além disso, na sexta-feira, o assessor principal de Infantino, Carlos Cordeiro, renunciou ao cargo em protesto contra o plano, que ele considera que representaria “um mau negócio para o futebol”. Já no sábado, Infantino decidiu dar marcha à ré e cancelar o projeto.
“O Real Madrid deseja expressar sua gratidão à UEFA, às confederações e federações, e a todas as instituições que se opuseram com firmeza e responsabilidade a este projeto. Sua unidade e seu senso de dever protegeram o futebol em um momento decisivo”, afirmou.
Nesse sentido, o clube branco ressaltou que os clubes são “a base sobre a qual se constrói o futebol das seleções e a Copa do Mundo”. “São eles que descobrem, formam, desenvolvem e colocam à disposição das seleções nacionais os jogadores que tornam possíveis essas grandes competições. O futebol das seleções e a Copa do Mundo são, acima de tudo, eventos de interesse público e constituem um patrimônio que pertence às nações, aos torcedores e à sociedade como um todo. Por isso, consideramos que nunca devem ser tratados como meros ativos financeiros destinados a serem comercializados em benefício de poucos”, afirmou.
“O Real Madrid se opõe firmemente a qualquer tentativa de vender as receitas comerciais futuras das competições sem assumir, em troca, nenhum de seus custos nem riscos. São os clubes que os arcam, e qualquer iniciativa que pretenda se apropriar das receitas futuras do futebol sem assumir as responsabilidades que as geram é inaceitável e não deve ser proposta novamente jamais”, prosseguiu.
Além disso, ele comparou a proposta de Infantino ao acordo entre a LaLiga e o fundo de investimento CVC. “Este é, aliás, o mesmo princípio que o Real Madrid vem defendendo no âmbito nacional. Nosso clube se opôs e não participou, na época, da operação pela qual a LaLiga comprometeu uma porcentagem das receitas audiovisuais futuras dos clubes por cinquenta anos em troca da entrada de um fundo privado como o CVC. Hipotecar por meio século receitas que pertencem aos clubes — que são os únicos a arcar com todos os custos e riscos — constitui um precedente que o futebol não deve repetir, seja em nosso país ou no âmbito internacional”, concluiu.
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