Publicado 01/09/2026 14:18

O Rayo acusa a Comunidade de Madri de “ter mantido em segredo por mais de sete meses” o relatório sobre Vallecas

Archivo - Arquivo - Fachada do Estádio de Vallecas, em 29 de julho de 2026, em Madri (Espanha). A Comunidade de Madri apresentou nesta quarta-feira uma queixa junto à Polícia Nacional contra o Clube Rayo Vallecano por impedir o acesso ao Estádio de Val
Ricardo Rubio - Europa Press - Arquivo

MADRID 1 set. (EUROPA PRESS) -

O Rayo Vallecano acusou a Comunidade de Madri de manter “em segredo” por “mais de sete meses” o relatório que motivou, em julho passado, a suspensão cautelar da concessão de uso do Estádio de Vallecas, e afirmou que o órgão é “o único responsável” pelo fato de a equipe não poder jogar no local.

Em um longo comunicado, ao qual anexa páginas de diversos relatórios, capturas de tela e fotografias de tabelas de inspeções, o clube de Vallecas explica que, nas últimas cinco semanas, muitas coisas foram ditas, “algumas delas verdadeiras, outras imprecisas e a grande maioria diretamente falsas”. “O Rayo Vallecano emite este comunicado após constatar que, sob uma aparência de legalidade, a intenção que move a Secretaria de Esportes da Comunidade de Madri é causar prejuízos em todos os aspectos, atrasando deliberadamente a realização de partidas no Estádio de Vallecas”, inicia o comunicado.

Nesse sentido, afirma que a Comunidade é “a única responsável” pelo fato de o time não ter jogado em casa a partida contra o Deportivo Alavés em 20 de agosto, depois que, em 28 de julho passado, anunciou a suspensão da concessão, alegando graves deficiências nas instalações destacadas em um relatório de auditoria datado de 14 de julho. Além disso, afirma que ela também será a responsável pelo fato de o confronto contra o Racing de Santander, em 5 de setembro, não ser disputado em Vallecas.

O Rayo afirma que o relatório de auditoria da Secretaria de Esportes da Comunidade de Madri, de 27 de julho, assinado em 14 de julho, é “a conversão para PDF de um relatório que foi criado no Word em 12 de dezembro de 2025”. “Se alguém acreditou no que dizia, não se explica por que a Secretaria de Esporte o manteve oculto por mais de sete meses. E esse relatório apresenta erros e omissões escandalosas, que o deslegitimam em sua totalidade”, destaca.

O relatório de auditoria aponta que a instalação elétrica de baixa tensão apresenta “total ausência de controle regulamentar” e que o último registro oficial de uma verificação data do ano de 2009. No entanto, o Rayo afirma ter apresentado, em 6 de dezembro de 2023, um certificado de um Órgão de Controle Autorizado (OCA) válido até 24 de maio de 2028, tendo a Comunidade de Madri como titular da instalação.

Quanto às licenças de autorização de funcionamento e de ocupação, que o relatório afirmava estarem ausentes, o clube destaca que possui um relatório do Diretor-Geral de Edificações da Prefeitura de Madri, de 7 de junho de 2023, que comprova que dispõe “das autorizações necessárias” para a realização de partidas de futebol.

Quanto às instalações de proteção contra incêndios, o Rayo ressalta que entregou à Secretaria de Estado, em 29 de julho, “os últimos relatórios de inspeção anual de 4 de março de 2026, com validade anual”, e lembra que o Plano de Autoproteção data do ano de 2009, sem ter sido atualizado desde então. “O Rayo Vallecano comprovou, no período de 16/09/2021 a 27/08/2025, vinte atualizações do Plano de Autoproteção, todas registradas na Comunidade de Madri”. Também destaca que “nunca houve incidentes de segurança, acessibilidade e saúde para ninguém” nos últimos dez anos.

“Se a Secretaria de Estado estivesse preocupada com a segurança do Estádio de Vallecas, uma vez que, desde dezembro de 2025, existe o relatório de auditoria que finalmente foi divulgado com data de assinatura de 14 de julho de 2026, ela teria informado a todos, inclusive ao Rayo Vallecano, exigindo a execução das obras e medidas necessárias para garantir a segurança”, expõe.

Ao longo de várias páginas, a entidade presidida por Raúl Martín Presa detalha o que ocorreu nessas semanas, denunciando que, por mais de sete meses, o relatório de auditoria permaneceu oculto. “É lógico que o relatório exista desde 12 de dezembro de 2025, já que a Secretaria promoveu sua contratação em 7 de outubro de 2025, e a única visita do técnico ao estádio, sem a realização de qualquer teste prático, ocorreu em 1º de dezembro de 2025. É lógico supor, portanto, que o relatório, em formato Word, esteja identificado como ‘251212’, em referência ao dia 12 de dezembro de 2025”, explica.

“A Secretaria, durante esses mais de sete meses, não exigiu do Rayo Vallecano a execução de nenhuma obra destinada a sanar supostas deficiências apontadas por esse relatório de auditoria que existia desde dezembro de 2025. A hipótese mais “benévola” em relação à Secretaria, e mais provável, é que ninguém tenha acreditado no que diz o relatório de auditoria, cientes de sua metodologia muito deficiente e de suas lacunas evidentes, comprovadas pelo fato de nem mesmo terem tomado conhecimento dos documentos técnicos que constam nos arquivos da Comunidade de Madri”, acrescenta.

Por outro lado, o Rayo lembra que, no último mês de junho, a Secretaria publicou seu projeto de reforma integral do Estádio de Vallecas, com um investimento superior a 60 milhões de euros, pretendendo que o clube assumisse o custo como concessionário. Caso se recusasse, segundo o Rayo, a concessão — com vigência até 2039 e prorrogável até 2049 — seria rescindida.

Foi então que foi solicitada “uma grande quantidade de documentação muito abrangente” sobre a segurança e a habitabilidade do Estádio de Vallecas, “no prazo de 10 dias”, até 24 de julho, “sabendo da impossibilidade prática de encomendar, elaborar e obter esses projetos atualizados em tão curto prazo”.

“(...) Alguém instou o auditor a converter o relatório de auditoria de 12 de dezembro de 2025 em ‘pdf’ no dia 14 de julho e a assiná-lo em ‘pdf’ às 13h40min02s. Alguns minutos depois, um técnico da Secretaria assinou o relatório às 15h05 do mesmo dia, 14 de julho. 85 minutos para ler mais de 100 páginas, compreendê-las, validá-las e redigir um relatório de 12 páginas. Se essa cronologia fosse verdadeira — o que não é —, o pessoal da Secretaria seria um dos mais eficientes do mundo. “A Secretaria deveria ter conhecimento do relatório de auditoria em formato Word desde dezembro de 2025”, indica.

Em 27 de julho, foi emitida a Portaria 1453/2026, que deu início ao processo de extinção da concessão e determinou a medida cautelar de suspensão, e já no dia 28 o secretário de Cultura, Turismo e Esporte, Mariano de Paco, falava sobre o assunto, quando, segundo o jornal Rayo, em 19 de março, ele negava a existência de problemas de segurança em uma entrevista no rádio.

“O que mudou entre essas declarações e a decisão anunciada publicamente em julho de 2026 de extinguir a concessão é que, em junho de 2026, a Secretaria confirmou que o Rayo Vallecano não era favorável a investir mais de 60 milhões de euros em uma reforma do Estádio de Vallecas que mal aumentaria sua capacidade de quase 15.000 para cerca de 18.000 lugares”, ressalta.

Por fim, lamenta a “penúltima desculpa para protelar” da Comunidade, com uma análise dos acumuladores de água quente sanitária, e revela que, entre 5 e 17 de agosto, o clube apresentou os laudos “que comprovam a inexistência de legionela”. “E, por fim, a Secretaria de Estado anuncia, para visitas posteriores a 2 de setembro, a revisão da instalação de proteção contra incêndios, sem levar em conta que, em 13 de agosto, o Rayo Vallecano apresentou o Certificado O.C.A. da instalação de proteção contra incêndios do Estádio de Futebol de Vallecas”, conclui.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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