Javier Borrego / AFP7 / Europa Press
MADRID 10 set. (EUROPA PRESS) -
O atacante brasileiro do FC Barcelona, Raphael Dias Belloli, conhecido como “Raphinha”, marcou dois gols nesta quarta-feira na estreia europeia dos blaugranas contra o Feyenoord (5 a 1) no Spotify Camp Nou, e se consolida como o artilheiro da temporada do “Culé”, com oito gols nas cinco primeiras partidas da campanha.
As saídas de Robert Lewandowski e Ferran Torres durante o verão fizeram soar o alarme no Can Barça. De uma só vez, Hansi Flick havia perdido seus dois maiores artilheiros da última temporada e, o que era pior, o atacante de ofício encarregado de assumir a responsabilidade pelo gol ainda não havia chegado. Anthony Gordon, Karim Adeyemi e Gabriel Jesus, de última hora, foram as contratações do Barça na janela de transferências de verão.
A princípio, Flick não contava com nenhum “9” especialista no elenco, por isso teve que reconstruir o ataque mudando as funções de alguns de seus jogadores. A teoria era simples: jogadores como Lamine Yamal, Raphinha, Fermín López ou Dani Olmo deveriam assumir e dividir entre si os gols que Lewandowski e Ferran marcavam, 40 no caso da última temporada. Mas o que era difícil de prever é que o técnico alemão encontraria a solução tão rapidamente.
As contratações de Gordon e Adeyemi fizeram com que o Barça incorporasse dois jogadores na posição de ponta esquerda, uma função que, nos últimos anos, Raphinha havia assumido com um desempenho extremamente alto. Isso levava a crer que eles estariam destinados a ser reservas do brasileiro, mas a ideia de Flick era clara: deslocar Raphinha para a ponta do ataque e deixar a lateral para o inglês ou o alemão.
E a solução não poderia ter saído melhor. O FC Barcelona disputou apenas cinco partidas nesta temporada, mas os números não mentem. Os “culers” têm o ataque mais prolífico da Europa, com 22 gols e uma média de 4,4 por partida. De fato, com exceção da 1ª rodada da Liga contra o Athletic Club (2 a 0), todos os demais adversários que enfrentaram os “culers” nesta temporada sofreram cinco gols.
Um início arrasador para a equipe, liderado por Raphinha. Depois de uma temporada passada marcada por lesões, o brasileiro chegou à temporada 2026-27 em excelente forma. Na ponta de ataque, Raphinha lidera a pressão da equipe de Hansi Flick, que se intensificou em relação às temporadas anteriores. Ele é o capitão e a extensão do técnico alemão em campo, e isso contagia o restante de seus companheiros, que também estão dando um passo à frente no aspecto defensivo.
Mas se há algo que está surpreendendo o mundo do futebol em Raphinha é sua capacidade de adaptação à posição de centroavante. Apesar de não ser um “nove” clássico no sentido tradicional, o ex-jogador do Leeds se adaptou perfeitamente à posição, incluindo em seu repertório o jogo de costas para a baliza, mas sem abrir mão de algumas de suas principais qualidades: os desmarques de ruptura e sua velocidade.
Assim, com os dois gols contra o Feyenoord, Raphinha já soma oito gols nesta temporada — em cinco partidas. Um dado que o torna o atacante em melhor forma das cinco grandes ligas, à frente de nomes como Kylian Mbappé, Harry Kane ou Erling Haaland. Além disso, apenas o atacante húngaro Sándor Kocsis (9), na temporada de 1958-59, marcou mais gols do que Raphinha nas primeiras cinco partidas de uma temporada.
A esse recorde soma-se o fato de que o jogador de Porto Alegre também se tornou o primeiro jogador a marcar nos cinco primeiros jogos da temporada desde o Balão de Ouro espanhol Luis Suárez (1958-59). E como se isso não bastasse, com seu segundo gol contra o Feyenoord, Raphinha empatou com Neymar Júnior e Patrick Kluivert como o quinto maior artilheiro do FC Barcelona na Liga dos Campeões, com 21 gols, a apenas quatro do segundo colocado — Luis Suárez e Rivaldo.
Mesmo assim, a melhor notícia para os torcedores do Barça e para Hansi Flick é que seu novo papel de “matador” não afetou sua participação no jogo como criador de jogadas. Nos 390 minutos que disputou, ele participou de 215 jogadas com a bola, ou seja, intervém pelo menos uma vez a cada dois minutos de jogo. Além disso, a qualidade de seus toques é de 81% de acerto, gerando 14 chances e um total de 1,9 assistências esperadas, segundo dados do Driblab — um número superior ao único passe para gol que ele deu nesta temporada.
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