Dennis Agyeman / AFP7 / Europa Press - Arquivo
LAS ROZAS (MADRID), 30 (EUROPA PRESS)
O presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), Rafael Louzán, reiterou nesta terça-feira que oferecerão “colaboração e lealdade total” na organização da Copa do Mundo de 2030, e pediu que a LaLiga fosse incluída nos grupos de trabalho por ser um “ator fundamental” e pelo que “contribui para a marca Espanha”, enquanto, por outro lado, destacou a boa saúde financeira de que goza sua entidade, com “números quase incomuns”.
“Já estamos muito atentos ao fato de que, a partir de setembro, terá início, no plano organizacional, a Copa do Mundo de 2030 para a Espanha. Estamos vendo neste momento o impacto que a Copa do Mundo nos Estados Unidos, Canadá e México está causando, com receitas espetaculares e uma projeção muito importante para o país, e é nisso que devemos nos concentrar ao trabalhar na Espanha. Portanto, nossa lealdade e colaboração serão totais”, afirmou Louzán em seu relatório na Assembleia Geral Ordinária da RFEF.
De qualquer forma, ele esclareceu que “também é verdade” — e que havia “deixado isso bem claro justamente para o próprio governo” — que todos devem trabalhar “em conjunto” e que é preciso “incluir todos os atores que o futebol espanhol tem nesse sentido” na comissão de trabalho. “Há mais de 40 representantes, o que me parece bem, mas a LaLiga deve estar presente, pois os estádios que permanecerão após a Copa do Mundo devem ser coordenados pelos clubes, mas também pela LaLiga”, precisou.
Além disso, ele também não esquece o que a LaLiga “contribui para a marca Espanha”, por isso considera imprescindível que um ator “fundamental” como o órgão presidido por Javier Tebas, que os “projetou no mundo como a melhor liga do mundo”, faça parte desse grupo de trabalho.
Louzán destacou que a RFEF, “apesar de ter voz, não tem voto nessas comissões de trabalho”, e que deve desempenhar “um papel de coordenação”. “No momento, somos nós que estamos encarregados da coordenação e da apresentação, perante a FIFA, das sedes que finalmente sediarão a Copa do Mundo e, é claro, de trabalhar para que a final dessa Copa do Mundo seja realizada aqui na Espanha”, reiterou. “Espero que possamos realizar a melhor Copa do Mundo de toda a história, já que é a do Centenário”, afirmou a esse respeito.
Por outro lado, em seu relatório, ele refletiu sobre “a obrigação” de que todos os atores do futebol trabalhem “na mesma direção”. “E, acima de tudo, que haja lealdade e cooperação institucional entre as instituições, mas também entre nós, que formamos a família do futebol”, destacou.
Para o dirigente, “já não é novidade que haja estabilidade, confiança e esse entendimento necessário” para que “todos trabalhem na mesma direção”. “Esse é o caminho que trilhamos desde o início, é o caminho que devemos seguir, mas, para isso, é necessário não perder de vista o trabalho e a dedicação e colocar em prática tudo o que nos comprometemos a fazer”, ressaltou.
BOA SAÚDE ECONÔMICA COM “NOVAS EXPECTATIVAS”
O dirigente comemorou o fato de terem conseguido “gerar novas expectativas” e de que apresentarão “números quase incomuns” para a entidade, destacando os cerca de 120 milhões de euros em direitos audiovisuais da última temporada, ou “a confiança” de seus patrocinadores, que lhes permite estar “acima de 80 milhões de euros em receitas”.
Ele também falou sobre a gestão dos direitos audiovisuais da Copa do Rei, que lhes permitirá “um aumento de receita superior a 20 por cento”, e sobre o acordo com a Junta da Andaluzia para a realização, em solo andaluz, da final do torneio até 2028, o que representará “uma receita anual de 4 milhões para os cofres da RFEF”, bem acima dos 600.000 euros anteriores, destacando a “ampla transparência” de ter aberto o processo para que “mais cidades pudessem se candidatar”.
Louzán destacou igualmente os 53 milhões da Supercopa da Espanha, que “beneficiam tanto os clubes profissionais quanto os não profissionais”, o que a coloca como possivelmente “a mais bem-sucedida de todas as que já foram realizadas”.
Quanto às competições, Louzán se referiu a um novo regulamento de competições “mais claro, mais simples e acessível”, e ao “plano de modernização da Primeira Divisão do futsal masculino”, que terá “um novo formato”.
O dirigente destacou a importância de ter dado “voz a todos os clubes, jogadores, sindicatos, corpo arbitral e treinadores para ouvir também suas reflexões”, bem como o trabalho contínuo para “tornar o corpo arbitral uma referência mundial”. “Mas o caminho será de transparência, meritocracia e de agir com critério. Esse avanço precisa continuar se consolidando para que a modernização da arbitragem seja vista com absoluta transparência”, exigiu.
Da mesma forma, ele não escondeu que ainda há “muito caminho a percorrer” na promoção do futebol feminino, e agradeceu o “compromisso e a colaboração exemplar” de Sua Majestade, o Rei Felipe VI, presente na última sexta-feira em Guadalajara (México) no jogo Espanha x Uruguai e que participou do vídeo com o qual foi divulgada a lista para a Copa do Mundo, junto com sua entidade.
Por fim, o presidente da RFEF comemorou que já tenham colocado “em andamento melhorias” nas instalações da federação e, com “a venda transparente de 11 imóveis” que são de propriedade da entidade, “para uma arrecadação próxima a cinco milhões de euros”, embora o mais importante seja “a resolução de problemas, pois, no fim das contas, essas propriedades eram fonte de conflito permanente”. Além disso, neste verão, serão iniciadas as obras que “estão aguardando adjudicação” para a reforma e melhoria das instalações da Cidade do Futebol de Las Rozas.
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