Publicado 24/03/2026 15:57

Rafa Nadal: "Não se pode exigir mais de Alcaraz"

Rafael Nadal durante a cerimônia de nomeação de Rafael Nadal como Doutor Honoris Causa pela Universidade Politécnica de Madri, realizada na Reitoria da Universidade em 24 de março de 2026, em Madri, Espanha.
Oscar J. Barroso / AFP7 / Europa Press

MADRID 24 mar. (EUROPA PRESS) -

O ex-tenista espanhol Rafa Nadal afirmou que “não se pode exigir mais” de Carlos Alcaraz, que foi eliminado na terceira rodada do ATP Masters 1.000 de Miami (Estados Unidos), e insistiu que não se pode “perder” a “perspectiva da dificuldade que tudo o que ele faz” envolve.

“Quando alguém vem de uma vitória no Aberto da Austrália, tem sete ‘Grand Slams’, é o número um do mundo, o que acontece, ele vai ganhar todas as partidas do ano? Isso não vai acontecer. Acho que todos nós temos que agradecer ao Carlos por tudo o que ele está fazendo; ele está proporcionando ao esporte espanhol uma série de conquistas difíceis de imaginar há 30 ou 25 anos. Ultimamente, talvez, tenhamos nos acostumado com isso, mas eu nunca perco de vista a dificuldade que tudo o que o Carlos faz implica. Não vamos nos preocupar com duas derrotas, não faz sentido algum. Não se pode exigir mais dele”, afirmou à imprensa após receber o título de doutor honoris causa pela Universidade Politécnica de Madri (UPM).

Além disso, ele minimizou a frustração do murciano em sua derrota para Sebastian Korda. “Acho que todo mundo tem o direito, por mais sucesso que tenha, de ficar frustrado, de ficar cansado. Acho que ele teria preferido não demonstrar isso, porque é desnecessário demonstrar, você já sente e aguenta. Quando ele se viu, com certeza não gostou de se ver assim, mas é compreensível que todo mundo tenha um dia em que as coisas não corram bem e que esteja mais cansado do que o normal. É totalmente respeitável e muito mais compreensível de um atleta para outro”, indicou.

O balear também se mostrou “feliz” pela vitória de Martín Landaluce justamente contra Korda, que lhe garantiu a classificação para as quartas de final em Miami. “Ele havia começado o ano com dificuldades, fez uma boa pré-temporada, eu o vi treinar na academia quase toda semana. Vejo o esforço que ele tem por trás e estou muito feliz pelo torneio que ele está fazendo. Ele deu um passo muito importante no tênis, mas também em termos de confiança pessoal”, explicou.

“Ele acabou de vencer nas quartas de final de um Masters 1.000, não poderia estar mais feliz por ele e também por sua equipe. Ele deu um passo à frente. Não consegui assistir à partida hoje, mas a partida que ele jogou contra Khachanov foi de altíssimo nível. Pareceu-me que ele estava jogando muito bem, se movimentando melhor do que vinha fazendo ultimamente e acho que estava jogando com grande determinação. Ele tem golpes espetaculares e precisa melhorar uma série de pequenos detalhes que vão fazer a diferença para o salto definitivo”, continuou.

Por outro lado, ele afirmou que é “uma honra” ser nomeado doutor honoris causa pela UPM. “Recebo isso com humildade, porque é um mundo que eu, infelizmente ou por sorte, não tive a oportunidade de vivenciar, e também com responsabilidade”, declarou. “Tive a sorte de me sentir muito reconhecido e muito querido praticamente em todos os lugares por onde passei. Em Madri, vocês não poderiam ter me tratado melhor”, acrescentou.

“Receber um reconhecimento como este do meio acadêmico tem um significado especial e muito bonito. Estou recebendo-o das pessoas que ajudam as novas gerações a se formarem. Em uma faceta diferente daquela à qual me dediquei durante toda a minha vida. Por isso, acredito que seja um reconhecimento especial, vindo de onde vem e de quem vem”, continuou.

Um reconhecimento por trás do qual há “resiliência, capacidade de superação, trabalho diário, disciplina e respeito”. “Por mais que seja um esporte individual, é preciso manter o respeito por todas as pessoas ao seu redor. O principal é que a imagem que a sua profissão cria não acabe consumindo quem você é como pessoa. Eu tentei que isso nunca acontecesse, e acho que consegui. Sempre mantive minhas raízes bem firmadas em casa, na família, nos amigos, na equipe, e isso me permitiu ter uma vida feliz e verdadeira”, expressou.

“Entendi que a vida profissional seria passageira. Foi mais longa do que eu poderia ter sonhado, sinceramente, mas eu sabia que era algo passageiro e que sempre voltaria ao que era o meu futuro: voltar a ser uma pessoa normal e comum, que é como me considero. A única coisa em que eu não era normal era jogando tênis”, afirmou.

Por outro lado, Nadal reconheceu que não sente falta do tênis porque é “uma etapa bem encerrada”. “Não acho que vou sentir tanta falta quanto sentia quando estava lesionado e ainda em atividade. Gostaria de jogar com um pouco mais de frequência do que joguei neste ano e meio. Mas sentir falta, a verdade é que não. Quero aproveitar como espectador e pronto”, observou.

Ele também insistiu, como afirmou no discurso de posse, que o talento por si só não é suficiente. “Nunca é demais lembrar disso. Talento é uma palavra, a meu ver, muito ambígua. Existem muitos tipos de talento neste mundo e cada um tem sua importância. Muitas vezes confunde-se o talento com uma certa maneira de fazer as coisas. Trabalhar com pouco talento dá, creio eu, com muito esforço, a possibilidade de alcançar objetivos. E acho que com talento e sem trabalho, diria que é impossível alcançar qualquer um", expôs.

Por fim, ele ressaltou que é importante "ter objetivos de curto, médio e longo prazo". "Tento ir alcançando os objetivos que me proponho em nível pessoal. Estou aposentado há apenas um ano e menos de seis meses, ou seja, continuo nesse processo de organização da minha vida, cada vez mais claro sobre as coisas de que gosto mais, as coisas de que gosto menos e as coisas às quais quero dedicar mais ou menos tempo”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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