MADRID 10 jun. (EUROPA PRESS) -
O lendário Estádio Azteca, na Cidade do México, receberá nesta quinta-feira a cerimônia de abertura da 23ª Copa do Mundo de Futebol, a primeira organizada por três países e a de maior participação, com 48 seleções que disputam o título defendido pela Argentina e ao qual a Espanha aspira com firmeza e com argumentos futebolísticos.
Um dos cenários icônicos do mundo do futebol, onde o Brasil dos últimos momentos de “Pelé” se sagrou tricampeão mundial em 1970, ou onde o “barrilete cósmico” Diego Armando Maradona assinou duas das jogadas mais lembradas das Copas do Mundo no México’86 e em seu caminho rumo à segunda estrela da Albiceleste, dará o pontapé inicial às 21h na disputa pelo troféu Jules Rimet contra o México-África do Sul, a primeira das 104 partidas, com a final marcada para 19 de julho no MetLife, em Nova York.
Do México, o primeiro país a sediar três Copas do Mundo, aos Estados Unidos, passando também pelo Canadá, o terceiro país a fazer parte desta Copa do Mundo, a primeira com três organizadores, algo que terá continuidade em 2030 com Espanha, Marrocos e Portugal. E uma Copa do Mundo que passa de ser disputada no inverno europeu, no Catar, para suas datas mais tradicionais, onde o clima pode desempenhar um papel fundamental.
Uma Copa do Mundo também cercada de polêmica, provocada em parte pela complicada situação geopolítica que o mundo vive e que se personifica certamente na seleção do Irã, com problemas por parte das autoridades dos Estados Unidos para conceder vistos tanto aos membros da equipe quanto aos seus torcedores devido ao conflito que ambos os países vivem desde o final de fevereiro, e que chegou até mesmo a se instalar no México para evitar mais tensões.
Um evento que já fez sua primeira vítima por esse motivo, o árbitro somali Omar Artan, que iria fazer história por ser o primeiro de seu país em uma Copa do Mundo e que não conseguiu entrar nos Estados Unidos porque os cidadãos da Somália estão sujeitos a uma proibição total de viajar para os Estados Unidos desde junho de 2025, e diante da qual a FIFA afirma não poder fazer nada a respeito.
E no aspecto esportivo, 48 seleções (16 europeias, 6 sul-americanas, 6 da CONCACAF, 10 africanas, 9 asiáticas e uma da Oceania), 16 a mais do que há quatro anos, quando participavam 32 desde a França'98, o que aumentou a presença de países com menos tradição e de mais continentes. Assim, Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão terão a oportunidade de disputar sua primeira Copa do Mundo, enquanto esse aumento também não ajudou a histórica Itália, tetracampeã mundial, a evitar uma terceira ausência consecutiva, sendo mais uma vez a ausência mais notável.
ARGENTINA BUSCA ACABAR COM UMA MALDIÇÃO DE SEIS DÉCADAS
Tudo isso aumenta a exigência para chegar à final de 19 de julho em Nova York, com uma fase eliminatória a mais do que antes, a das oitavas de final, e tudo dentro de um calendário futebolístico que não para de se comprimir e de dar pouca margem para o descanso dos protagonistas.
Apesar de tudo, a Argentina é quem se apresenta nesta Copa do Mundo como a grande rival a ser derrotada, devido à sua condição de atual campeã. No Catar, a Albiceleste pôs fim a 36 anos de espera desde que Maradona se sagrou campeão no Azteca e conquistou finalmente sua terceira estrela, a primeira para Leo Messi que, prestes a completar 39 anos, disputará um número recorde de seis Copas do Mundo em busca do complicado desafio de defender o título.
Nenhuma seleção alcança esse marco desde que o Brasil conseguiu com seus títulos de 1958 e 1962, sendo a Itália, campeã em 1934 e 1938, a outra a conquistar a dobradinha. A seleção argentina tentará, apoiada em seu momento sólido, o que se apresenta como mais uma batalha entre a Europa e a América do Sul, que recuperou o trono mundial no Catar 20 anos após seu último sucesso, embora a África continue dando passos à frente e já tenha colocado Marrocos em surpreendentes semifinais em 2022.
E a Espanha, com o perdão da campeã, apresenta-se para muitos como a principal favorita entre as demais seleções. A “Roja” sonha com uma segunda estrela desde que, em 11 de julho de 2024, se proclamou campeã da Europa pela quarta vez e confirmou seu retorno à primeira linha sob o comando de Luis de la Fuente e uma nova safra de jogadores liderados pelo jovem Lamine Yamal, disposta a ser tão decisiva quanto foi no torneio continental, onde nem sequer era maior de idade.
A campeã mundial de 2010 tem argumentos para ser considerada uma séria favorita e chega, apesar de ainda ser jovem, com um elenco já maduro e imerso em uma grande sequência de 31 partidas oficiais sem derrota, recorde histórico que divide com a Itália, desde que o alcançou em março de 2023 contra a Escócia, no segundo jogo de De la Fuente, prova da competitividade de uma equipe que, neste ciclo, venceu a Liga das Nações em 2023 e disputou em 2025 outra final dessa competição.
No entanto, ao contrário do que aconteceu na Eurocopa, onde parecia ser uma azarão, aqui ela está exposta e terá de lidar com essa pressão e exigência em um torneio que, historicamente e com exceção de 2010, quando também chegou como campeã da Europa, tem sido bastante desfavorável, sem conseguir passar das oitavas de final em 2018 e 2022, nem da fase de grupos na defesa do título de 2014. Na verdade, venceu apenas três partidas (Austrália, Irã e Costa Rica) desde a vitória sobre a Holanda, e terá que começar a reverter essa dinâmica no Grupo H, com a ameaça da bicampeã Uruguai, além de Cabo Verde, adversária na estreia em 15 de junho, e Arábia Saudita.
FRANÇA, INGLATERRA, PORTUGAL E BRASIL, NO GRUPO DOS FAVORITOS
Quase no mesmo patamar da Espanha está a França, protagonista das duas últimas finais e que volta a se apresentar com uma grande equipe liderada por um ataque de alto nível com Ousmane Dembélé, Kylian Mbappé e Michael Olise, e na despedida de Didier Deschamps como técnico.
As apostas europeias pelo título são completadas pela Inglaterra, finalista das duas últimas Eurocopas e que quer pôr fim a uma espera de 60 anos com um elenco já consolidado e sob o comando do eficiente Thomas Tuchel, Portugal, treinado pelo espanhol Roberto Martínez e com uma geração de alto nível com Vitinha ou João Neves e um também eterno Cristiano Ronaldo, assim como Messi em sua sexta Copa do Mundo, ou uma Alemanha que, desde seu quarto título em 2014, fracassou retumbantemente em 2018 e 2022, quando não conseguiu passar nem mesmo da fase de grupos, mas que sempre é um adversário a ser levado em conta.
O Brasil, com Carlo Ancelotti no comando e seu habitual elenco de estrelas liderado por Raphinha e Vinícius Jr., além de Neymar Jr., lidera as esperanças da América do Sul em busca de conquistar seu sexto título mundial para acabar com uma seca que já se estende por 24 anos em um torneio onde, nas últimas quatro edições, só pode se orgulhar de uma semifinal, além da lembrança infeliz diante de sua torcida em 2014 e do 1 a 7 contra a Alemanha.
A África quer voltar a se mostrar ao mundo liderada por Marrocos, semifinalista em 2022, deixando Espanha e Portugal pelo caminho, número 7 no ranking da FIFA e, a menos que o TAS decida o contrário, campeã da África após sua polêmica e tensa final contra o Senegal, a outra seleção do continente a ser levada em conta. Entre os anfitriões, Estados Unidos e México esperam brilhar, enquanto a Ásia confia no Japão na busca por repetir a surpresa da Coreia do Sul (semifinalista) em 2002.
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