Oscar J. Barroso / AFP7 / Europa Press - Arquivo
MADRID 10 fev. (EUROPA PRESS) - O patinador espanhol Nil Llop não esconde que ficou “um pouco mais nervoso” ao competir pela primeira vez em Milão e Cortina d'Ampezzo nos Jogos Olímpicos de Inverno, “o primeiro passo para estar cada vez mais perto dos grandes”, enquanto seu companheiro Daniel Milagros tem claro que “se sente um pouco mais de pressão” pelo que significa estar no maior evento esportivo.
O catalão e o navarro já estão prontos para fazer história neste evento, já que será a primeira vez que a Espanha competirá em nível olímpico neste esporte, graças ao desempenho do primeiro na Copa do Mundo, que conseguiu duas vagas, uma para ele nos 500 metros e outra para seu companheiro, nos 1.000 metros, onde ele estreará nesta quarta-feira.
“Estou um pouco nervoso e isso parecia um pouco distante quando chegamos aqui, parecia que ainda havia muito pela frente, mas é verdade que depois da cerimônia de abertura meu estômago ficou um pouco mais apertado. Também é verdade que Daniel e eu estamos muito mais ansiosos para ir lá, competir e mostrar o quanto nós dois treinamos até agora”, destacou Llop em entrevista coletiva virtual. O catalão não esconde que a Espanha não é uma “potência” neste esporte e que “ainda tem muito a fazer para se tornar uma”. “Mas Dani e eu temos que nos sentir orgulhosos de todo o trabalho que fizemos. Fomos fazendo pouco a pouco, sem praticamente ter nenhum conhecimento, o que acho que ainda assim tem o dobro do mérito”, confessou. Llop lembra que outros países os superam “em termos de tradição e estruturas” e, por isso, insistiu em “estar bastante orgulhosos e satisfeitos com todo o trabalho” que realizaram para culminar este “desafio”.
“É claro que a pressão é aquela que nós mesmos colocamos em nós mesmos. Não viemos para ganhar medalhas, este é o primeiro passo para estarmos cada dia mais perto dos grandes que estão competindo por elas. No meu caso, também me pressiono em um dia normal de treino. Fiz um teste e estava praticamente tão nervoso quanto em uma competição. Espero usar esse nervosismo para algo positivo e que me sirva como impulso para a competição”, destacou o patinador espanhol. Ele reconhece que o gelo da pista dos Jogos “é um pouco diferente” do que estão acostumados. “Eles colocaram uma espécie de madeira por cima e, quando empurramos ou fazemos movimentos bruscos com muita força, parece que o ruído é diferente do que estamos acostumados”, explicou. “Mas, na hora de ir rápido, temos muitas coisas na cabeça para ficar pensando no gelo, então tento não pensar muito na diferença ou na normalidade desse gelo para nós. Além disso, ainda estamos um pouco longe do recorde olímpico”, acrescentou, questionado sobre os recordes que estavam sendo estabelecidos nestes Jogos. Por fim, Llop espera que sua participação e a de Milagros ajudem a atrair mais pessoas. “Dizer a eles que, quando era pequeno, eu também não era um ‘supercrack’ e chegou um momento em que comecei a melhorar um pouco. As pessoas pensam que muitas vezes as coisas sempre foram assim, mas no final das contas é preciso se esforçar e ter constância. Sempre achei muito distante estar aqui, mas aos poucos fomos crescendo, aprendendo e aproveitando o processo, que no final é o mais importante e o que você vai levar”, aconselhou.
DANI MILAGROS: “OS JOGOS TÊM ALGO A MAIS” Por sua vez, Dani Milagros observou que “obviamente se nota um pouco mais de pressão” ao competir em um cenário como os Jogos Olímpicos. “Embora tentemos trabalhar nisso para que não nos afete, estar sempre em uma Olimpíada não é a mesma coisa que uma Copa do Mundo. Talvez se pareça com as Copas do Mundo, nas quais talvez tenhamos jogado mais coisas, mas isso tem algo a mais, os holofotes, as câmeras, tudo afeta”, admitiu. O patinador navarro chegou ao patinação de velocidade no gelo depois de se destacar na patinação sobre rodas, embora tenha esclarecido que o seu não é um caso pontual. “Me vem à cabeça, acima de tudo, o caso de Erin Jackson. No primeiro ciclo olímpico, ela chegou aos Jogos e, no segundo, foi campeã olímpica (500 m em 2022). Há muitos outros, como Metodej Jilek, que ganhou a prata outro dia (5000 m), há vários casos”, destacou.
Sobre a diferença de potencial em relação a outros países, ela concordou com Nil Llop que estar nos Jogos já “é um primeiro passo” e que “pode ajudar para que, no futuro, talvez possamos estar lutando” contra as potências. “É como o primeiro passo para começarmos a deixar de nos sentir formigas e começarmos a sentir que já competimos contra eles”, destacou Milagros.
O navarro é metódico e gosta de ter “as coisas muito estruturadas” e não acredita “muito em coisas mágicas que vão dar sorte”. “Tento ter tudo muito calculado para que, no dia da corrida, sinta que já vivi isso e que é simplesmente mais um dia em que tenho que sair e fazer o que já fiz todos os dias”, declarou.
O navarro reconheceu que tanto Llop quanto ele ficam “nervosos” quando competem “por quase qualquer coisa”. “Por mais que vamos aproveitar e que sejam os Jogos Olímpicos, o fato de sair para competir já é algo que nos deixa um pouco acelerados. Esses nervos se fazem sentir, embora depois, quando terminamos, digamos ‘Uau, isso foi incrível e nós aproveitamos’”, expressou.
Sobre o gelo da pista, ele considerou que “não é especialmente rápido”. “Sim, estão sendo batidos recordes, mas é verdade que são olímpicos e, no final, em quatro anos, esse esporte avança muito tecnologicamente em termos de lâminas e acho que isso tem mais a ver com isso do que com a velocidade, porque também não estão fazendo tempos de Copas do Mundo”, opinou.
Por fim, Milagros também deu seu conselho para aqueles que querem começar no esporte. “Que se esforcem muito, que confiem em si mesmos e que não se deixem influenciar pelo que dizem quando são muito pequenos, porque muitas vezes não se sabe”, concluiu.
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