Publicado 28/05/2026 10:50

Nadal: "Quase não joguei nenhum torneio sem sentir dor, mas esse é o dia a dia de muitos atletas profissionais"

20 de maio de 2026, Madri, Espanha: Rafa Nadal comparece à estreia mundial de “RAFA”, o documentário sobre Rafa Nadal, no BETI JAI, em Madri, em 20 de maio de 2026, Espanha
Europa Press/Contacto/Atilano Garcia

MADRID 28 maio (EUROPA PRESS) -

O ex-tenista espanhol Rafa Nadal admite que, ao longo de sua carreira, não disputou “praticamente nenhum torneio sem sentir dor”, embora acredite que também não se deva “exagerar” e que agora tenha “a sorte” de levar uma vida cotidiana sem grandes incômodos, enquanto, por outro lado, reconhece a importância que a competição com Roger Federer e Novak Djokovic pode ter tido em sua carreira, pois sem a presença deles ele poderia ter tido “um momento de relaxamento ou espaço para a autocomplacência”.

“Não joguei quase nenhum torneio sem dor, mas isso faz parte do dia a dia de muitos atletas profissionais, não devemos dar importância exagerada a isso. Tive uma lesão crônica desde o início, e isso dificultou especialmente tudo o mais; essa foi a minha particularidade”, afirmou Nadal em entrevista exclusiva à Europa Press por ocasião do lançamento, na Netflix, de seu documentário “Rafa”, que estreia nesta sexta-feira, 29 de maio.

O balearano observou que “a dor no esporte de alto nível não é saudável”. “Há uma fase da vida em que a paixão pelo que você faz supera tudo o mais. Eu, por sorte, terminei minha carreira com sequelas, mas podendo levar uma vida cotidiana com muito pouca dor. Isso, para mim, é muito depois de tantos anos acordando todos os dias com problemas”, ressaltou.

O vencedor de 22 “Grand Slams” tem certeza de que o documentário da “Netflix” reflete o que é “o sucesso” de sua carreira, mas que também teve que lutar diariamente para tentar continuar com sua carreira e seguir tendo “opções de ser competitivo”. “Minha lembrança em relação à carreira é sempre positiva. Não se concentra na dor, mas sim em todos os bons momentos que tive. Vivi com problemas e dor, mas a vontade de continuar sempre superou tudo isso”, acrescentou.

O 14 vezes vencedor de Roland Garros reconheceu que “o momento mais difícil” de sua carreira foi quando lhe diagnosticaram, aos 19 anos, a síndrome de Müller-Weiss, uma doença degenerativa rara que afeta o osso escafóide do pé. “Eu tinha acabado de começar. As lesões que vêm depois, quando você já está há anos no circuito, você as tolera um 'pouquinho' melhor, dentro do quão difícil é. Mas a primeira é dura”, destacou.

“Era o primeiro ano em que eu tinha vencido Roland Garros, o primeiro ano em que eu tinha tido um sucesso real, e da noite para o dia, essa carreira no tênis, além dos sucessos, parece que pode deixar de ser uma realidade. Isso é um choque para um jovem de 19 anos, seu mundo é destruído. Felizmente, depois de alguns meses, encontramos uma solução para poder continuar jogando tênis”, lembrou, sem esconder que essa solução lhe permitiu desenvolver sua carreira esportiva, mas que também o levou “a todos aqueles problemas físicos” que seu corpo “tem suportado da maneira que pode”.

"TERIA HAVIDO UM MOMENTO DE RELAXAMENTO SEM FEDERER E DJOKOVIC"

Sobre as pessoas importantes em sua carreira, ele destacou a figura de seu tio e treinador Toni Nadal, que teve "um impacto decisivo" em sua formação. "A emoção que se sente quando se é criança fica marcada para o resto da vida. Meu tio teve um impacto, mas é evidente que meus pais também. Tive a sorte de crescer em um ambiente positivo, estruturado e adequado”, destacou.

“Tive bons e fortes exemplos ao meu redor e isso me ajudou a forjar o que sou e meu caráter. Tive a sorte de ter pessoas ao meu lado que puderam me apoiar nas coisas que me entusiasmaram. E isso, embora pareça básico, é a chave de tudo”, refletiu o tenista de Manacor.

Ele também falou sobre o “Big Three”, formado por ele, pelo suíço Roger Federer e pelo sérvio Novak Djokovic. “Quero acreditar que, sozinho, pela minha personalidade, sem Federer e Djokovic, eu teria superado os 14 Grand Slams de Sampras. Mas é humano que, uma vez superado, e bem superado, houvesse um momento de relaxamento. O fato de termos sido três a nos impulsionarmos mutuamente fez com que nunca houvesse espaço para essa autocomplacência ou relaxamento”, analisou sobre essa competição.

O 22 vezes campeão de Grand Slam confirmou que o fato de ter rivais desse calibre à sua frente lhe tirou títulos, por um lado, mas que, por outro lado, o impulsionou “a ser melhor”. "Nós nos incentivamos mutuamente a levar nossas capacidades ao limite. Isso fez com que todos superássemos Pete Sampras. Nós, na mesma geração, terminamos com 24, vamos ver, com 22 e com 20", afirmou.

Por fim, sobre o que diria ao Rafa Nadal de 17 anos que conseguiu levantar sua primeira Copa Davis, sendo fundamental e conquistando na final um ponto decisivo contra o americano Andy Roddick, ele destacou que “as pessoas vão evoluindo, mas acho que há uma parte delas que sempre permanece lá”.

“Assim como outra parte que, com o passar dos anos e as experiências vividas, faz com que você evolua. Não acho que a essência da pessoa ou o coração mudem; simplesmente a vida te leva a diferentes fases e a gente vai evoluindo com elas", concluiu o ex-tenista espanhol.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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