Jose Breton / AFP7 / Europa Press
MADRID 7 jul. (EUROPA PRESS) -
A seleção espanhola se classificou nesta segunda-feira para as quartas de final da Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá após vencer Portugal (0 a 1) nas oitavas de final, graças a um único gol, no tempo de acréscimo do segundo tempo, marcado por Mikel Merino, que havia entrado em campo apenas cinco minutos antes no lugar de Dani Olmo, em mais uma atuação decisiva do jogador de Navarra, que há alguns meses nem sabia se poderia participar do torneio.
16 anos depois, o gol de Mikel Merino aos 91 minutos da partida contra Portugal colocou a Espanha novamente entre as oito melhores seleções da Copa do Mundo. A seleção de Luis de la Fuente continua avançando rumo à segunda estrela e, desta vez, o destaque ficou por conta de um jogador que disputou apenas 28 minutos pelo seu clube desde fevereiro e pelo qual De la Fuente sempre demonstrou apreço.
O meio-campista navarro sofreu uma lesão em janeiro, durante uma partida da Premier League contra o Manchester United. Uma fratura por estresse na parte interna do pé direito que gerou incerteza sobre sua participação na segunda metade da temporada e na Copa do Mundo, dada a raridade da lesão e a pouca certeza quanto ao prazo de recuperação.
Desde então, e após uma cirurgia, começou uma contagem regressiva “muito difícil”, nas palavras do próprio Merino, para conseguir estar pronto para o campeonato. De fato, o próprio jogador reconheceu, após a partida contra Portugal, que chegou a pensar que não faria parte da equipe. No entanto, Luis de la Fuente esperou por ele até o último momento e, durante as primeiras partidas do torneio, foi lhe dando minutos de jogo para que recuperasse sua melhor forma o mais rápido possível.
Sua escalação como titular na terceira partida da fase de grupos contra o Uruguai foi alvo de críticas, já que lhe foi atribuída falta de ritmo competitivo, mas o tempo acabou dando razão ao técnico espanhol. O meio-campista do Arsenal parece já ter recuperado aquele brilho que o torna um dos principais impulsionadores da equipe, mesmo quando não começa como titular, além de ser um dos jogadores da linha de apoio com maior capacidade de finalização entre os que a equipe tem à disposição.
E é que o “gunner” tem o dom do gol. Prova disso são os 11 gols que marcou pela seleção principal nos 48 jogos que disputou. Todos eles foram marcados nos 37 jogos em que esteve sob o comando de Luis de la Fuente, para quem o navarro é o jogador que mais participou de partidas, ao lado de Mikel Oyarzabal, desde que ele assumiu o cargo de técnico da seleção espanhola.
Além disso, na fase de classificação para a Copa do Mundo, ele foi o artilheiro da Espanha com seis gols, os mesmos de Oyarzabal. Um caminho para a Copa do Mundo em que, pela primeira vez, o técnico da Rioja o colocou na posição de meia-atacante, posição que, atualmente, parece ser a mais adequada para suas características futebolísticas. Ele também foi importante na fase final da última Liga das Nações, onde contribuiu com dois gols para o vice-campeonato da “Roja”: um deles, mais uma vez decisivo, para empatar na partida de ida das quartas de final contra a Holanda, e outro na semifinal contra a França.
Mas se há algo que tornou Mikel Merino especial em sua trajetória com a seleção espanhola nos últimos anos, foi sua capacidade de aparecer nos momentos decisivos. Ao já histórico gol contra Portugal somam-se o do minuto 118 nas quartas de final da Eurocopa, que eliminou a Alemanha em Stuttgart, e o da partida de ida das quartas de final da Liga das Nações, no De Kuip, para empatar a partida (2 a 2) aos 93 minutos de jogo.
Agora, nas quartas de final da Copa do Mundo e na fase decisiva, a Espanha recuperou para a causa um dos jogadores mais explosivos da equipe, além de ser um dos mais versáteis. Merino traz trabalho, equilíbrio, controle, penetração e gols, mas, acima de tudo, alternativas e capacidade de mudar o rumo de uma disputa. E o tempo acabou dando razão a De la Fuente com sua convocação.
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