"Balaídos 2030 representa o crescimento definitivo do clube"
"Borja Iglesias merece ir à Copa do Mundo; ele é um orgulho para o Celta"
"Meu legado será ter feito do Celta um clube ainda maior e ter o Balaídos lotado"
BARCELONA, 30 maio (EUROPA PRESS) -
A presidente do RC Celta de Vigo, Marián Mouriño, mostrou-se “muito orgulhosa” da temporada do time galego, que se classificou novamente para as competições europeias graças ao sexto lugar na LaLiga EA Sports e após chegar também às quartas de final da Liga Europa, e destacou o crescimento esportivo e estrutural de um clube que quer continuar se consolidando “com identidade própria” e apoiado na base, além de dar a melhor despedida possível à sua lenda, Iago Aspas.
Em entrevista à Europa Press, Mouriño garantiu que o objetivo do clube é que Iago Aspas “saia pela porta grande”, após renovar para a próxima temporada antes de pendurar as chuteiras e se incorporar à estrutura do clube, e admitiu que “será difícil” imaginar um Celta sem o capitão celeste. “Nós o convencemos a ficar mais um ano para que pudesse se despedir aos poucos. Este ano será de reconhecimento, de demonstrar carinho e valorizá-lo durante toda a temporada”, explicou.
Sobre Aspas, ela insistiu que ele continuará ligado ao clube por muitos anos mais. “Fizemos um contrato de três anos com ele. Ele tem mais um ano como jogador e depois se incorporará à estrutura do clube. Acho que também seria muito difícil para ele viver longe do Celta, porque este é o seu lar e a sua vida”, destacou.
A dirigente, que recebeu o prêmio de melhor diretoria na VI Edição dos Prêmios da Mulher no Esporte, organizada pela SPORT e pela Woman, deu nota “10” para a campanha da equipe, tanto pela classificação europeia quanto pelo desempenho competitivo demonstrado durante toda a temporada. "Quem diria que chegaríamos às quartas de final da Liga Europa com um técnico em seu primeiro ano na Europa e muitos jogadores disputando três competições pela primeira vez", destacou.
Nesse sentido, ela elogiou especialmente o trabalho de Claudio Giráldez e sua aposta decidida nos jovens da base. "Não é por acaso. É um trabalho de muitos anos e Claudio foi corajoso ao dar-lhes oportunidades e confiança. Não só aos jogadores que ele já conhecia, mas também a outros que vêm por trás”, observou.
Mouriño também defendeu o modelo de formação do clube, lembrando que o Celta Fortuna, o time de base, é um dos times mais jovens da categoria e que até sete jovens estrearam nesta temporada na Primeira Federação. "Tudo é trabalhado em 360 graus para que os garotos possam chegar ao topo", resumiu.
ORGULHOSA DE VER O 'PANDA' NA COPA DO MUNDO
A presidente do Celta também comemorou a presença de Borja Iglesias na convocação da Espanha para a Copa do Mundo de 2026, além da entrada de Javi Rodríguez no meio da seleção. “Borja merece. Ele marcou 14 gols, teve um desempenho espetacular e transmite os valores do clube. E a convocação de Javi é uma surpresa muito merecida, porque ele teve um desempenho espetacular e representa perfeitamente o trabalho da base”, afirmou.
Outro dos grandes pilares do futuro do Celta passa pelo projeto Celta360, um investimento estratégico para ampliar as infraestruturas esportivas e sociais da entidade. Mouriño explicou que o objetivo é construir “um clube maior e mais sólido” por meio do crescimento da cidade esportiva, com residência, hotel, clínica, escola internacional e novos escritórios.
“Somos um clube que há muitos anos aposta na base e também no futebol feminino. Precisávamos de espaço para crescer”, explicou a presidente, convencida de que o clube deve continuar se desenvolvendo para competir com entidades como a Real Sociedad ou o Athletic Club.
O NOVO BALAÍDOS, PRONTO PARA A COPA DO MUNDO DE 2030
Nessa linha, ela defendeu a importância estratégica da reforma do Balaídos e sua aspiração de se tornar sede da Copa do Mundo de 2030. “O Balaídos 2030 representa esse crescimento em infraestrutura de que o clube precisa. Vejo estádios com capacidade para 40 mil espectadores em times com os quais queremos competir e acho que, ou crescemos, ou o clube não conseguirá fazê-lo”, argumentou.
“Hoje, o Balaídos tem cerca de 20 mil espectadores e, com a arquibancada do Gol, chegará a 30 mil, mas um estádio para a Copa do Mundo com capacidade para 40 mil seria muito bom para Vigo e também para o Celta”, acrescentou.
Questionada sobre o fato de ser uma das poucas mulheres à frente de um clube profissional, Mouriño evitou centrar o debate no gênero e defendeu que presidir um clube “é muito difícil, seja você homem ou mulher”. “Isso é uma questão de capacidade, de vontade e de ousadia. Você está sob os holofotes todos os fins de semana e uma cidade inteira avalia seu trabalho constantemente”, refletiu.
A presidente também relembrou a dureza de seus primeiros meses à frente do clube, marcados por inúmeras mudanças internas e decisões complexas, entre elas a demissão de Rafa Benítez. “Meu primeiro ano foi muito complicado. Havia muitas mudanças e momentos difíceis”, reconheceu.
Olhando para o futuro imediato, Mouriño pediu para “manter sempre os pés no chão”, apesar do crescimento esportivo da equipe. “O mais importante são os 43 pontos e garantir a permanência, porque se manter na Primeira Divisão não é fácil”, alertou.
Em contrapartida, ele garantiu que um dos momentos mais emocionantes de sua passagem pelo clube acontece sempre que vê o Balaídos lotado. “Quando todo o estádio canta o hino, fico arrepiado”, confessou. Por fim, explicou que gostaria de deixar como legado “um clube maior” e um Balaídos lotado. “Que as pessoas se lembrem de que o estádio ficou lotado e que o Celta cresceu”, concluiu.
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