Publicado 09/03/2026 06:01

Laporta nega ter vetado o retorno de Messi em 2023: “Jorge Messi veio à minha casa e disse que não seria possível”.

Os candidatos à presidência do FC Barcelona, Víctor Font e Joan Laporta, antes do debate organizado pelo Grupo Godó.
MUNDO DEPORTIVO

“O que mais me magoou foi que, por trás de Xavi, há uma utilização da sua pessoa por parte de Víctor Font, que está a tentar manchar este processo eleitoral.” BARCELONA 9 mar. (EUROPA PRESS) -

O ex-presidente do FC Barcelona e candidato à reeleição, Joan Laporta, negou nesta segunda-feira que tenha vetado o retorno de Leo Messi ao clube em 2023 e garantiu que foi o próprio entorno do jogador que acabou descartando a operação, enquanto o também candidato Víctor Font defendeu a versão do ex-técnico Xavi Hernández e afirmou que o argentino não voltou porque o dirigente azulgrana “não quis”.

Assim se pronunciaram ambos os candidatos durante o debate eleitoral do FC Barcelona organizado pelo Grupo Godó, em um confronto cara a cara na RAC1, Mundo Deportivo e La Vanguardia, no qual um dos principais focos foi a tentativa frustrada de retorno do atacante argentino ao clube azulgrana em 2023, quando ele optou por ir para o Inter de Miami ao sair do PSG.

Laporta garantiu que o clube chegou a preparar um contrato para o retorno do jogador, mas afirmou que, no final, foi Jorge Messi, pai e representante do jogador, quem comunicou que a operação não seria realizada. “A questão de Messi foi assim. Em 2023, Xavi veio até mim, pois havia conversado com Messi e ele queria voltar. Preparamos o contrato, enviamos para Jorge Messi, estava tudo certo, era meados de março”, disse. “E em maio, Jorge veio à minha casa e disse que não poderia ser, porque aqui havia muita pressão, assim como na Arábia, e que preferia ir para Miami. Eu disse (ao pai de Messi) que eles eram soberanos para decidir”, acrescentou Laporta. Por sua vez, Víctor Font defendeu a versão oferecida por Xavi Hernández em uma entrevista recente e afirmou que o jogador argentino compartilha dessa interpretação dos fatos. “Aqui damos credibilidade às lendas do clube que têm um histórico de amor por esta instituição. Messi pensa exatamente da mesma forma que as coisas foram como Xavi explicou”, afirmou. Font também criticou a gestão do caso pelo último presidente e considerou que o conflito com o jogador deixou uma ferida importante no barcelonismo. “Romper relações para priorizar interesses pessoais e não colocar a instituição em primeiro lugar com o melhor jogador da história, abrir essa ferida com essas decisões e tentar fechá-la com uma homenagem e uma estátua, é uma das coisas mais lamentáveis que esta instituição sofreu nos últimos anos”, disse.

O candidato também questionou as promessas feitas por Laporta em 2021 sobre a continuidade do argentino. “Laporta disse em 2021 que só com ele Messi ficaria, que resolveria tudo com um churrasco, e era mentira. Ele era o único que não tinha um plano para que Messi continuasse”, concluiu Font.

No debate também surgiu o papel de Alejandro Echevarría, ex-cunhado de Laporta e pessoa de máxima confiança do ex-presidente, a quem Xavi Hernández apontou recentemente como figura influente na tomada de decisões na área esportiva. Laporta defendeu seu papel e rejeitou as críticas. “É uma pessoa de máxima confiança para mim, sobretudo em questões da LaLiga e da RFEF. Ele tem muita sintonia com Deco e a harmonia no vestiário funciona. Ele é inteligente, íntegro e corajoso, com grande capacidade para resolver problemas", afirmou Laporta, que defendeu que é normal que o presidente tenha "um grupo de pessoas de confiança".

Por outro lado, Víctor Font criticou que uma pessoa sem cargo executivo tenha tanto peso no funcionamento do clube. “É um segredo aberto que o ex-cunhado do ex-presidente manda tanto ou mais que o presidente, uma pessoa que ninguém votou e que não tem cargo executivo”, afirmou, lamentando que essa situação “não tem nada a ver com os valores fundadores do clube”.

O debate também foi marcado por troca de acusações em torno das recentes declarações de Xavi Hernández, que criticou a gestão do clube após sua saída do banco de reservas. Laporta expressou seu descontentamento com o ex-técnico azulgrana e sugeriu que ele está sendo usado politicamente. “Sim, fiquei surpreso com o tom e, acima de tudo, magoado. O que mais me magoou foi que, por trás de Xavi, há uma utilização da sua pessoa por parte do senhor Víctor Font, que está a tentar sujar este processo eleitoral", afirmou o presidente. "Aqui, Xavi quer sujar, quando diz que Alejandro manda mais do que eu", acrescentou Laporta. Laporta defendeu ainda a decisão de dispensar o técnico de Terrassa. “Os fatos me dão a tranquilidade de saber que fiz o que tinha que fazer. Eu via que com Xavi continuaríamos perdendo e com Flick voltamos a ganhar”, garantiu. “Entendo que ele esteja magoado, porque com os mesmos jogadores que ele quase tinha e herdou, Flick ganha. Entendo que ele esteja nesse ponto”, acrescentou.

Por sua vez, Font defendeu o ex-técnico azulgrana e elogiou sua decisão de explicar sua versão do que aconteceu no clube. “Ver lendas como Xavi em um ato de coragem explicando a verdade, quando muitos outros que saíram do clube não podem fazê-lo por causa dessa cultura do ‘comigo ou contra mim’, entristece muito muitos culers”, afirmou.

O candidato do 'Nosaltres' insistiu que, em sua opinião, o clube precisa de uma mudança na forma como é governado. “Há muitos torcedores tristes com este Barça de uns contra os outros, governado pela mentira”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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