Oscar J. Barroso / AFP7 / Europa Press
MADRID, 18 mar. (EUROPA PRESS) -
A LaLiga bateu o recorde de receita total normalizada — sem as chamadas “alavancas” — na temporada 2024-25, atingindo 5,464 bilhões de euros, 8,1% a mais que na temporada anterior, e também de público nos estádios, ultrapassando os 17 milhões de espectadores e com uma ocupação de 84,5%.
De acordo com o Relatório Econômico-Financeiro da LaLiga da temporada 2024-25, apresentado nesta quarta-feira em Madri pelo presidente da entidade, Javier Tebas, e pelo diretor-geral corporativo, Javier Gómez, a receita total normalizada na temporada 2024-25 foi de 5,464 bilhões de euros, contra os 5,054 bilhões da temporada anterior, um aumento de 8,1%.
“Na temporada 2025-26, terminaremos acima de 5,7 bilhões e, na 26-27, chegaremos perto dos 6 bilhões, que serão superados ‘com toda a certeza’ na 27-28”, antecipou Javier Gómez, que também explicou que, desse valor, 1,584 bilhão corresponde a receitas comerciais.
Além disso, houve receitas com transferências de jogadores no valor de 797 milhões, consolidando assim uma “aposta crescente na retenção e no desenvolvimento do talento próprio”, conforme destacou a LaLiga em seu relatório, juntamente com um planejamento esportivo “mais orientado para o médio e longo prazo”. Tudo isso, “em contraposição ao aumento artificial dos preços das transferências na Premier League”.
E isso deixa a LaLiga “preocupada”. “De acordo com seu novo regulamento, eles não devem ter um custo com elenco superior a 85% do faturamento mais a soma das transferências. Duas coisas vão acontecer: os preços das transferências vão disparar e vai se criar uma bolha na Inglaterra que vai afetar o resto das competições. Vai ser pior do que é agora. Temos que ficar atentos para ver como isso pode nos afetar”, alertou Javier Gómez.
Para Javier Tebas, “o futebol inglês está em um processo bipolar”. “A Premier toma suas decisões e o governo quer ‘fair play’. Veremos até que ponto o regulador vai chegar”, expressou o presidente da LaLiga durante o evento.
No relatório apresentado, a LaLiga destacou o sistema espanhol que apoia os jogadores formados pelos próprios clubes. O valor dos jogadores formados nas categorias de base na Espanha é de 1,47 bilhão, o maior entre as cinco grandes ligas, com uma porcentagem de minutos de 19,8%.
“Essa mania que vocês têm de que se investe pouco... Se desperdiça pouco. Se você supervaloriza jogadores que depois não utiliza... Quantos exemplos assim existem na Premier League. O modelo do futebol espanhol está historicamente muito mais focado na base, por isso os clubes procuram analisar bem o investimento”, analisou Tebas.
Os clubes espanhóis, com um resultado após impostos de -70 milhões, continuam aumentando os investimentos, e o saldo líquido, “perfeitamente estruturado ao longo do tempo”, situa-se em 984 milhões — a temporada 2023-24 foi de 877 milhões —, com um investimento em infraestruturas de 885,7 milhões. Além disso, o patrimônio líquido dos clubes na temporada 2024-25 foi de 2.393 milhões, 10% a mais do que na temporada 2023-24.
A temporada 2024-25 também bateu recorde em termos de público nos estádios. Assim, na última temporada foram ultrapassados os 17 milhões de espectadores e a ocupação média nos estádios espanhóis foi de 84,5% na LaLiga EA Sports, enquanto na temporada 2018-19 foi de 72%. “Esta temporada terminaremos com 18 milhões de espectadores”, afirmaram na LaLiga, destacando também os 399 milhões de receitas por ‘matchday’ na temporada 2024-25.
“Pode haver problemas pontuais, mas o dado que indica que a situação econômica está correta é que os grandes bancos do mundo querem financiar projetos com clubes espanhóis”, destacou Tebas, insistindo na importância de continuar crescendo em público. “Sempre leio sobre a ‘desvalorizada Liga de Tebas’. Há muitos mais milhões de espectadores, passamos para mais de 84% (de ocupação), e ainda temos margem de crescimento, queremos chegar a 95%", desejou.
Javier Gómez reiterou que “a LaLiga não renuncia à injeção de capital, mas ela é limitada, com os mesmos limites estabelecidos pela UEFA” — em três temporadas, não pode perder a soma de 60 milhões de euros, além do que for gasto no futebol feminino, nas categorias de base e em outras seções. “E isso pode ser usado para contratar jogadores”, lembrou.
“É uma competição sustentável, além de questões pontuais dos clubes. Os problemas da competição são que, quando um clube é rebaixado, passa por dificuldades. Mas ela é sustentável e continuará sendo. Passamos com cautela pela situação da COVID, o que demonstrou que o setor estava preparado e tinha força suficiente. Não houve inadimplências, a competição está equilibrada; poderíamos estar melhor, mas não temos nenhum receio em relação à situação atual”, concluiu.
Por fim, Gómez comemorou que o controle econômico da LaLiga ajude a “criar uma cultura nos próprios clubes”. “Acreditamos que o mercado de verão seguirá na mesma linha, não haverá loucuras, continuará-se apostando nas pessoas que foram formadas nas melhores bases do mundo. O valor crescerá de forma lógica, mas não esperamos uma reviravolta no mercado”, previu.
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