Publicado 19/03/2026 13:38

Josué Canales: "A qualidade de um campeão se reflete na maneira como ele se reergue; já superei minha própria catarse pessoal"

Archivo - Arquivo - Josue Canales, da Espanha, assiste à apresentação do Meeting de Atletismo de Madri 2025 no Estádio Vallehermoso, em 17 de julho de 2025, em Madri, Espanha.
Dennis Agyeman / AFP7 / Europa Press - Arquivo

MADRID 19 mar. (EUROPA PRESS) -

O atleta espanhol Elvin Josué Canales acredita estar "em boa forma" para enfrentar o Mundial Indoor, que começa nesta sexta-feira em Torun (Polônia), apesar de um Campeonato Espanhol de Pista Coberta “bastante difícil”, no qual ele nem sequer chegou à final e que o levou a passar por sua “própria catarse pessoal” para chegar a este grande evento, no qual defende a medalha de bronze nos 800 m, disposto a mostrar que “a qualidade do campeão se reflete na maneira como ele se levanta” desse tipo de situação.

“Chego com uma corrida a menos do que o previsto, mas bem, em boa forma física. Neste inverno, dosamos muito mais do que no anterior, para chegarmos mais descansados aos grandes eventos, sobretudo de olho nas provas ao ar livre, mas chegando em forma para competir em condições no Mundial”, adiantou Canales em entrevista à Europa Press no estágio da seleção que irá a este Mundial.

O meio-fundista vai para Torun com “muita vontade” de ter sua própria “revanche” pessoal após “o fiasco” no Campeonato da Espanha realizado em Valência há algumas semanas. “O que aconteceu em Valência foi bastante difícil. Chorei bastante nos dias seguintes, mas acredito que a qualidade de um campeão se reflete na maneira como ele se levanta após as derrotas, e Torun é um bom palco para mostrar do que sou feito”, afirmou.

E é que, no Luis Puig, na cidade do Turia, Canales ficou de fora da final dos 800 m “por querer poupar energia” para as provas seguintes. “No meu arsenal de táticas de corrida, eu tinha milhares de ferramentas, mas não usei nenhuma e fui pego de surpresa. Pecou um pouco por excesso de confiança, por acreditar que já estava tudo resolvido quando não estava. Cometi o erro, mas aprendi com ele”, reconheceu.

Por isso, tenta ver esse fato como “parte do aprendizado”. “Já passei pela minha própria catarse pessoal, queria aproveitar muito o campeonato, e todos os meus planos deram uma reviravolta. Foi uma experiência bastante desagradável. Como atleta, vivo as coisas de forma muito intensa, tanto a vitória quanto a derrota. Tive dificuldade em tentar não ser injusto comigo mesmo, porque sou a primeira pessoa a me martirizar quando algo não dá certo, a me culpar e a ter muita dificuldade em me perdoar”, admitiu.

“A PRESSÃO ME FEZ FICAR MAIS CONSCIENTE DO QUE ME CERCA”

Mas ele chega a Torun defendendo o bronze conquistado no ano passado em Nanquim (China), por isso sabe que “a barra está alta”. “Consegui uma vez e quero conseguir duas vezes”, antecipou, com o objetivo de voltar a sentir aquela “euforia e pura felicidade” ao cruzar a linha de chegada. “É como a felicidade de uma criança pequena, quando você coloca música e ela começa a dançar. Levantei os braços e disse: ‘Acabei de conquistar um bronze mundial, estou realizando meus sonhos’. É um momento de felicidade máxima, que nunca mais senti na minha vida”, destacou.

“A pressão é um privilégio e, obviamente, eu a sinto; sinto minha própria pressão, a das expectativas que criei. Desde o Mundial sinto essa pressão e, acima de tudo, acho que ela me deixou um pouco mais consciente de tudo o que me rodeia, tanto das instituições quanto da equipe e de tudo o que faz parte do atletismo. A pressão pode ser chata, é difícil de lidar, mas também agradeço por ela ter me feito amadurecer tanto como pessoa quanto como atleta”, destacou.

Ele encara este Mundial em Pista Coberta com a convicção de que precisa “correr de forma semelhante ao Europeu do ano passado”. “Serão três corridas em torno de 1:45, então o recorde da Espanha estará em risco”, observou. E, nesse sentido, sua preparação tem sido direcionada para corrigir os erros do passado. “Muitas vezes, no ano passado, eu era um pouco mais kamikaze, do tipo ‘vou dar tudo de mim em todos os treinos’, e agora tento treinar com mais cabeça. Recuperar aquela confiança que sempre se busca na competição e aproveitar”, acrescentou.

Quanto à motivação no dia a dia para ir aos treinos, Canales explica que “às vezes é por profissionalismo”. “Ou seja, eu trabalho para isso, para estar à altura dos meus patrocinadores, do meu treinador, das pessoas que me cercam. Então, tiro motivação disso, quero estar à altura das expectativas que gerar”, insistiu.

“Sinto que ainda tenho coisas para viver no atletismo. Agora busco a motivação, por exemplo, na competição saudável com o 'Moha' (Attaoui), na comparação de dizer 'ele está dois segundos atrás de mim ao ar livre'. Isso, para mim, é uma motivação”, indicou sobre essa rivalidade com o cantábrico.

“Busco a motivação em ser melhor comigo mesmo para ser um dos melhores do mundo. Isso exige que eu esteja sempre em plena forma, dia após dia. Sinto que estou no caminho certo. No ano passado, tive um grande desempenho em pista coberta e isso fez com que eu chegasse bastante cansado à temporada ao ar livre, sem conseguir demonstrar tudo o que sentia que era capaz de dar. Ainda tenho muitas coisas a fazer no atletismo, como estrear na Liga Diamante ou me consagrar na elite mundial”, acrescentou o meio-fundista.

Finalmente, aos 24 anos, Josué Canales se define como “um maluco” fora das pistas porque vive “fluindo pela vida”. "A partir destes últimos anos, tenho me tornado um pouco mais consciente do que me rodeia. Apostei minha vida há quatro anos, quando entrei no CAR de Sant Cugat del Vallès. Sou um rapaz tranquilo que busca estar com sua família, poder desfrutar com ela do que conquisto no atletismo, poder proporcionar-lhes boas férias e apoiar meus irmãos", confessou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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