Irina R. Hipolito / AFP7 / Europa Press
MADRID 16 set. (EUROPA PRESS) -
O técnico do Real Madrid, José Mourinho, admitiu que achava difícil “entender por que” sua equipe perde a concentração nos segundos tempos, como aconteceu nesta terça-feira contra o Elche CF, e reconheceu que parece que seus jogadores caem na “confortabilidade” depois de “não ‘matarem’” jogos que já têm sob controle, embora tenha ressaltado que sua preocupação seria “enorme” se jogassem “mal do primeiro ao nonagésimo minuto”.
“É mais difícil saber o porquê, mas fácil de entender que, em partidas que parecem decididas, nas quais temos três, quatro, cinco oportunidades para ‘matar’ e não as ‘matamos’, e depois de não ‘matar’, parece que caímos na complacência e deixamos de controlar; parece que entramos em uma dinâmica de ‘Ok, não marcamos, mas está acabado’. É deixar as coisas de lado quando tudo parece fácil”, afirmou Mourinho em entrevista coletiva.
O técnico de Setúbal lembrou que times como o Elche CF “vão até o fim” quando jogam contra o Real Madrid e comemorou que, quando há pontos perdidos, sua equipe “reage e vence”. “O lado bom também é que, nos jogos do Real Madrid, ninguém fica entediado, porque são muito divertidos”, acrescentou ironicamente.
Mourinho voltou a elogiar Carlos Espí, autor do gol da vitória aos 91 minutos, e que “está indo bem e dando uma contribuição importante para a equipe”. “É um rapaz muito motivado, mas o que ele tem pela frente não é um jogador comum, e jogar com os dois juntos não é fácil, porque, depois, não temos jogadores nas laterais que sejam típicos do 4-4-2, e a equipe perde o equilíbrio”, alertou.
Sobre Yan Diomande, ele comemorou que “ele está amadurecendo fisicamente” e que “também está melhorando a sintonia com seus companheiros”. “Ele tem muita capacidade e inteligência, pois não é fácil jogar 90 minutos com um cartão amarelo, e fez um ótimo trabalho pela equipe; estou contente”, destacou.
Por outro lado, deixou claro que Arda Güler “não é indispensável”. “Ninguém é. Quando faço as duas primeiras substituições, tirando Bellingham e Brahim, faço-as exatamente porque é nesse momento que estamos perdendo o controle. Arda fez um ótimo trabalho na organização defensiva, sempre se posicionou muito bem e, depois, estava cansado, assim como o ‘Vini’. Hoje ele jogou nessa posição que pode ser chamada de ‘10’, mas, no fim das contas, a posição é todo o campo, e ele também estava perdendo intensidade”, explicou.
Ele também gostou da dupla Tchouaméni-Valverde. “Quando o time esteve bem, eles estiveram muito bem, com bom equilíbrio, e saímos da pressão com facilidade. Eles trabalham bem a pressão alta e saímos com muita qualidade. Fizeram um trabalho muito bom”, avaliou o técnico do Real Madrid.
O português gosta “muito” que sua equipe marque gols, mas não gosta de “ceder o controle das partidas”, lamentando que o Elche tenha marcado seus gols quando eles entregaram “o controle do jogo”. “Anselmi fez substituições que alteraram a estrutura da equipe. Ele poderia ter perdido por 4 ou por 5, mas não teve medo, demonstrou coragem e nos complicou a vida. Além disso, temos um banco com muitas opções e, em 10 minutos, criamos jogadas muito perigosas para conquistar os três pontos”, afirmou, ressaltando que o aspecto defensivo não o preocupa exclusivamente para o clássico de domingo, mas “em todas as partidas”.
“Se jogarmos mal do 1º ao 90º minuto, então a preocupação é enorme, mas quando temos momentos de excelência, altíssima qualidade e tantas chances de gol, e depois passamos por um período não proativo, um período passivo de espera com queda de intensidade, o que obviamente preocupa, mas vencemos e o mérito é deles”, concluiu Mourinho.
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