Oscar J. Barroso / AFP7 / Europa Press
MADRID 25 ago. (EUROPA PRESS) -
O técnico do Real Madrid, José Mourinho, afirmou nesta terça-feira que “acredita na arbitragem espanhola e em sua honestidade” mas que existe uma “diferença” no tratamento dado a Vinícius Júnior em relação aos outros jogadores da Liga, e reconheceu que deseja que o brasileiro tenha “mais controle emocional” diante da torcida adversária durante as partidas.
“Confio na arbitragem espanhola. Depois da partida, às vezes há coisas de que não gosto. Mas não acho que haja hoje em dia um árbitro na Espanha que entre em campo pensando que é amigo de Negreira ou que Negreira lhe tenha pedido um favor anos atrás. Acredito na honestidade dos árbitros espanhóis. Em algumas partidas, já houve decisões que influenciaram os resultados, mas isso é algo que acontece”, afirmou o técnico do Real Madrid na coletiva de imprensa que antecedeu o confronto da Liga contra a Real Sociedad.
Mourinho, porém, destacou a “diferença óbvia” que existe na arbitragem em relação a Vinícius Júnior em comparação com outros jogadores. “Os jogadores são como crianças pequenas: vão até onde você permite que vão. Se eu posso esmagar o Vini, pressioná-lo fisicamente ou com palavras, se o cartão amarelo só vem depois de eu cometer 10 faltas, se eu posso chegar quase à agressão... É um tratamento que não me agrada”, explicou.
Mesmo assim, ele reconheceu que quer que o Vini tenha “mais controle emocional”. “Na reação a um insulto que não seja racista nem homofóbico, acho que ele pode se controlar diante da torcida adversária. Mas no jogo, os chutes, as faltas, os pênaltis, todo esse acúmulo de frustração, é responsabilidade do juiz (árbitro). O árbitro tem que proteger todos os jogadores e tem que proteger o jogo”, concluiu.
Sobre seu retorno ao banco de reservas do Santiago Bernabéu, o português disse que não quer ser recebido de uma forma específica, mas sim com “paixão” pela equipe. “A temporada passada não terminou bem e, em algum momento, poderia parecer que esse amor estava passando por uma fase complicada. Quero que partamos do zero, embora as pessoas já tenham percebido como estamos trabalhando e o nosso comprometimento. A intenção é fazer as coisas direito. Quero que a equipe sinta algo diferente do que sentiu na temporada passada, principalmente na reta final”, acrescentou.
“Tenho me sentido mais tranquilo nos últimos anos e controlo melhor minhas emoções. Talvez eu enfrente situações difíceis ou frustrantes de uma maneira diferente, mas elas ainda não surgiram porque ainda não vi ninguém com preguiça. Não gosto de preguiça, gosto que as pessoas trabalhem. Aquelas que trabalham pelo Real Madrid e não apenas no Real Madrid. Talvez sejam os jogadores que estejam me protegendo do lado sombrio da minha personalidade”, refletiu sobre sua mudança de atitude em relação à sua primeira passagem pelo Real Madrid.
O técnico de Setúbal considerou o elenco fechado, embora tenha esclarecido que, com a janela de transferências aberta, nunca se sabe o que pode acontecer. “Vejo o pessoal muito envolvido e com um ótimo espírito de grupo e de equipe. Não tenho nenhum pedido. Estou muito satisfeito com os jogadores que tenho. Se algum jogador sair agora, não ficaria contente. Gostaria de ficar com este elenco durante toda a temporada”, afirmou.
Quanto à dificuldade de integrar os jogadores de ataque, ele esclareceu que o complicado é quando não se tem “jogadores de alto nível” ou quando, ao primeiro problema de lesão ou suspensão, não se tem jogadores que possam “manter o nível”. “Quero os três (Vinícius, Bellingham e Mbappé). O que eles têm de positivo compensa muito o que eventualmente possa não ser taticamente compatível. Estou aqui para tentar ajudá-los”, ressaltou.
Ele também falou sobre Fede Valverde, a quem vê como meio-campista. “Não gosto quando ele joga na lateral direita ou na ponta direita. Ele pode atuar nessas posições, mas, para mim, é um meio-campista, sem dúvida alguma. Depois, dependerá do adversário e dos nossos objetivos se ele será um jogador mais posicional ou mais móvel. Não são apenas os jogadores do meio-campo os responsáveis pela construção. Uma equipe precisa ter outras soluções”, analisou.
Quanto à partida contra a Real Sociedad, uma equipe “com identidade e jogadores de qualidade”, ele destacou que será “difícil”, mas que se trata apenas de uma das 19 partidas que jogarão em casa na Liga. “Cada ponto é importante. Quero que a equipe tenha vontade de vencer, atitude, resiliência e força, ao mesmo tempo que tranquilidade para enfrentar uma partida difícil. Esse tipo de atitude e mentalidade pode tornar o Bernabéu mais forte”, indicou.
Uma partida que corresponde à primeira rodada da Liga, que foi adiada para que os jogadores que disputaram a Copa do Mundo pudessem participar. “Tenho que agradecer à Liga por ter tido o bom senso de permitir que as equipes com muitos jogadores na Copa do Mundo adiassem em uma semana seu retorno. Teria sido um problema enorme ter jogado a primeira partida há duas semanas sem nenhum jogador que participou da Copa do Mundo. Se agora temos esse acúmulo de partidas, é consequência de algo positivo. Os elencos profissionais precisam estar preparados para jogar três partidas por semana”, esclareceu.
Quanto a nomes específicos, ele descartou Aurelién Tchoauméni para a partida, pois as férias “não foram suficientes” para que ele se recuperasse da lesão que arrastou durante a Copa do Mundo. “O jogador quer tentar entrar no time, mas decidimos que ele não pode começar uma temporada com dores. Decidimos que ele volte 100% e vamos esperar mais uma ou duas semanas. Não vamos forçar nada”, esclareceu.
Por fim, ele elogiou dois jovens jogadores, Carlos Espí e Endrick: “Ambos podem atuar na dupla de ataque. Contra o Espanyol, achei que o Espí poderia ser importante, com o adversário muito fechado. Nessa situação, a qualidade dos cruzamentos aumenta muito e ter um jogador alto ali poderia ser uma solução. O Endrick é um jogador de quem gosto muito e que recebeu muitas propostas, mas não quis nem emprestá-lo nem vendê-lo”.
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