Eduardo Parra - Europa Press - Arquivo
MADRID 2 ago. (EUROPA PRESS) -
O presidente da LaLiga, Javier Tebas, lamentou a “obsessão” do Real Madrid com a entidade patronal espanhola, depois que, neste domingo, comparou a proposta da FIFA de vender participações na Copa do Mundo a investidores privados com o acordo entre a LaLiga e o fundo de investimento CVC, e afirmou que “o ‘não tão superior’”, em referência ao presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, tem “pouca credibilidade para dar lições sobre o futuro do futebol”, lembrando o fracasso da Superliga.
“A primeira parte do comunicado do Real Madrid é impecável: a FIFA não pode dispor unilateralmente das receitas futuras do futebol sem consultar os clubes, que são os que arcam com seus custos e riscos. Aliás, por que demorou tanto para responder? O que Anas — Laghrari — estava fazendo em Nova York durante a semana da final? E será coincidência que, ao que parece, o JP Morgan também estivesse envolvido nessa operação, como já aconteceu com a Superliga?”, destacou Tebas na rede social X.
Neste domingo, o Real Madrid avaliou “muito positivamente” a reversão da decisão da FIFA de vender parte da Copa do Mundo, garantindo que apropriar-se das receitas do futebol é “inaceitável e não deve ser cogitado novamente jamais”. Em seu comunicado, comparou a proposta de Infantino ao acordo entre a LaLiga e a CVC.
“Desde o primeiro parágrafo, o Real Madrid volta a construir sua narrativa sobre a CVC. A operação foi voluntária: cada clube decidiu livremente se iria aderir. O Real Madrid não aderiu, não está vinculado e não comprometeu nem um euro de suas receitas. Foi uma decisão adotada por uma ampla maioria dos clubes, justamente no exercício da autonomia que o próprio comunicado diz defender”, indicou Tebas.
Nesse sentido, ele ressaltou que o clube branco cai em uma contradição. “É bastante contraditório que quem critica outros clubes por comprometerem receitas futuras tenha ignorado as receitas do Bernabéu, tenha permitido a participação de um fundo por vinte anos na exploração de determinados negócios do estádio e venha propondo, há cerca de um ano, fórmulas para permitir a entrada de investidores na propriedade do Real Madrid. A doutrina parece simples: quando o Real Madrid decide livremente, é modernização e estratégia financeira; quando os outros clubes decidem livremente, é uma hipoteca”, afirmou.
“E, aliás, que obsessão com a LaLiga. Talvez tenha algo a ver com o fato de estar perdendo processos e ações judiciais, um após o outro, ano após ano, e com a apresentação de denúncias que também não conseguiram ‘aniquilar’ seu presidente. O ‘não ser tão superior’ já tem pouca credibilidade para dar lições sobre o futuro do futebol. Vocês se lembram de quando a Superliga vinha nos salvar porque o futebol estava arruinado? Que visão”, concluiu.
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