Oscar J. Barroso / AFP7 / Europa Press - Arquivo
MADRID, 3 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente da LaLiga, Javier Tebas, confessou que quem “não implementar a Inteligência Artificial ficará para trás”, e revelou que, como parte de seu desenvolvimento, no futebol espanhol ela será usada na próxima temporada para avaliar e designar os árbitros, ao mesmo tempo em que abordou como fazer a marca “crescer”.
“Nós somos muito adeptos da IA há muito tempo. Quem não implementar a Inteligência Artificial vai ficar para trás, não vai ser eficaz; as Ligas, as Federações, em toda a sua estrutura vertical, projetos audiovisuais, formas de transmitir os jogos, relacionamento com os torcedores, jogos. As ferramentas vão facilitar a adoção da IA pelas instituições, a tomada de decisões e a competitividade”, afirmou como palestrante do World Football Summit no México.
Tebas participou nesta quarta-feira desta edição do WFS sob o lema: 'Entender para crescer: LATAM, Inteligência Artificial e defesa do valor do futebol', e revisou os desafios deste esporte para crescer, bem como os perigos, como a pirataria. "É um elemento estratégico fundamental. Mais de 50% do meu dia é dedicado à luta contra a pirataria. É um risco evidente para nossos sócios, um concorrente que oferece seu produto de graça", afirmou.
"Temos tecnologia. Somos o único país que bloqueia ao vivo IPs piratas, além de aplicativos. Na Espanha, fazemos esse bloqueio desde 2024 e reduzimos o consumo pirata em 60%, o que aumentou nosso valor em 10%, o que representa 130 milhões de euros”, acrescentou, destacando a expansão desse sistema para outros países, como, a partir desta quinta-feira, o Iraque.
“Há muito valor que está escapando por aí”, insistiu. O presidente da entidade patronal lembrou que “criar valor” é apostar nas ligas. “O mais importante são as ligas. É a essência do futebol. Temos que criar valor com isso. Nós fizemos isso. Criamos valor porque a competição é fundamental para que esses clubes e jogadores que não vão à Copa do Mundo continuem sendo grandes”, disse.
Por outro lado, Tebas foi questionado sobre o conflito com os árbitros e, nesse contexto, revelou também o uso futuro da IA. “É um assunto delicado. É preciso ir à raiz do problema. Há um processo de seleção muito subjetivo, e acontece o que acontece. Estamos trabalhando em um projeto de IA com o Comitê Técnico de Árbitros (CTA), em dois aspectos, para a próxima temporada”, destacou.
“Os avaliadores dos árbitros, que vão a todos os jogos para pontuar, uma parte importante, 45%, será feita com IA, com o histórico das atas de 11.000 jogos que temos. Será possível avaliar melhor os árbitros de maneira objetiva. Além disso, quanto à seleção para cada partida, também vamos utilizar IA, para que o CTA tenha que decidir entre três opções sugeridas pela IA, que não é subjetiva nem está sujeita a preconceitos”, explicou.
Além disso, Tebas lembrou que também aumenta “o valor” da LaLiga, neste caso, jogar uma partida fora de suas fronteiras, como tentou nesta temporada com o Villarreal x FC Barcelona em Miami, e continuará “tentando”. “É criar valor. As grandes ligas criam valor levando jogos da NFL e da NBA para fora. Isso faz com que se fale muito da competição. Isso nos beneficia e é um sinal de respeito a todos os torcedores que temos”, afirmou.
“Não dá para achar que os torcedores que temos fora da Espanha servem apenas para pagar a assinatura. É preciso dar essas oportunidades a eles. Não estamos inventando nada, quase todas as grandes ligas estão fazendo isso. É um jogo, não sei por que precisam fazer tanto alarde”, acrescentou.
Além disso, o presidente da LaLiga falou sobre o sistema de “fair play” financeiro. “Nossa situação se devia a uma dívida de 1 bilhão. Era preciso pôr um freio nisso, foi um dos motivos da minha chegada à presidência. Era uma vergonha. Foi preciso convencer os clubes, a aprovação saiu por um voto, mas estabelecemos algumas regras”, disse.
“Estabelecemos quanto um clube pode gastar, não os punimos depois, é preciso evitar que possam cometer essas fraudes. Uma competição sustentável é aquela que permite criar uma marca e crescer”, acrescentou, antes de apontar outro perigo. Tebas classificou como “péssimo” para o futebol uma Copa do Mundo com 48 seleções e em expansão.
“Não pode ser, isso desvaloriza a Copa do Mundo. Não é bom porque as competições nacionais estão sofrendo muito com os calendários. Estamos construindo um futebol baseado em 20-30 grandes clubes e 300 jogadores, que são os que disputam a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. A indústria é muito mais do que isso. Tudo isso destrói a base, as ligas nacionais. A Copa do Mundo de Clubes fica muito legal, eles fazem tudo pensando no curto prazo, sem avaliar bem os efeitos. É um egocentrismo incrível”, concluiu.
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