Publicado 07/08/2026 05:42

Javier Tebas, contra a FIFA: “Pedir desculpas não substitui a prestação de contas”

Archivo - Arquivo - O presidente da Liga Espanhola de Futebol Profissional, Javier Tebas Medrano, ministra a palestra “Diplomacia nas relações esportivas. A Liga e os Estados Unidos”, em um dos Cursos de Verão da UCM, no Colégio Alfonso XII, em 2 de julho
Eduardo Parra - Europa Press - Arquivo

MADRID 7 ago. (EUROPA PRESS) -

O presidente da LaLiga, Javier Tebas, criticou nesta sexta-feira a FIFA e seu presidente, Gianni Infantino, ao defender que a reunião de emergência da alta direção da entidade em Rabat (Marrocos) para tratar das últimas polêmicas “não pode se transformar em uma cerimônia de absolvição”, pois “o problema” da instituição “não é de comunicação, é de governança”, e “pedir desculpas não substitui a prestação de contas”.

“A reunião em Rabat e o comunicado posterior da FIFA são tão surpreendentes quanto preocupantes”, iniciou Tebas sua longa mensagem nas redes sociais, depois que a FIFA ressaltou que “confia plenamente” de que as decisões tomadas durante sua reunião de emergência nesta quarta-feira em Rabat “fortalecerão a governança” dentro de sua instituição, após a proposta de vender participações nas competições internacionais a investidores privados, “reconhecendo os erros cometidos”, segundo um comunicado do órgão.

Tebas lembrou que o secretário-geral, Mattias Grafström, classificou o ocorrido como uma série de fatos “tristes e repreensíveis” e criticou o fato de ele agora aparecer demonstrando seu “total apoio” a Infantino. “E tudo isso pretende-se encerrar com um pedido de desculpas, uma revisão interna e a promessa de melhorar os ‘processos e comunicações’”, lamentou o dirigente.

“Não. Existem erros comuns de gestão que podem ser explicados, corrigidos e até mesmo perdoados. Mas ocultar decisões trascendentais do Conselho, das federações membros, dos órgãos de governança e até mesmo dos próprios altos executivos da FIFA não é um simples problema de comunicação. É uma falha gravíssima na governança institucional”, denunciou.

Tebas afirmou que, “se se reconhece que houve ocultação, não basta pedir desculpas”. “É preciso determinar quem decidiu agir assim e exigir responsabilidades. Muito menos pode ser exonerado quem promoveu e dirigiu pessoalmente o processo”, defendeu.

“Além disso, o maior escândalo da Copa do Mundo não foi apenas o preço dos ingressos nem a operação fracassada para entregar a investidores privados parte do negócio das competições. Foi o fato de a punição decorrente da expulsão de Balogun ter sido suspensa após as pressões políticas reconhecidas publicamente pelo presidente Trump, permitindo que ele jogasse a partida seguinte”, alertou, referindo-se a “uma interferência política intolerável na independência disciplinar do futebol” e “sobre a qual Infantino acabou oferecendo explicações inverossímeis”.

Além disso, ele relatou que “o principal representante democrata do Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados abriu uma investigação e intimou Infantino para uma entrevista formal e a entrega de documentação sobre possíveis relações de favor, ações do Departamento de Justiça e práticas relacionadas à venda de ingressos”.

“Enquanto isso, surgem comunicados da CAF, da AFA e de outras federações apoiando Infantino. Longe de encerrar a crise, esses apoios confirmam que o verdadeiro problema da governança do futebol mundial é o próprio sistema. Apoiar sem mais nem menos alguém que agiu à margem dos órgãos de governança, depois de tudo o que foi revelado e admitido pela própria FIFA, por si só desqualifica as instituições que o fazem e seus dirigentes”, afirmou.

E abordou também o apoio da Associação Argentina de Futebol (AFA), o que “também não surpreende”. “A forma personalista de exercer o poder, a falta de contrapesos e a confusão entre instituição e dirigente que caracterizam a gestão de Infantino apresentam semelhanças demais com o modelo de Claudio ‘Chiqui’ Tapia”, afirmou.

“Honra, dignidade e meu máximo respeito aos dois altos executivos da FIFA que, conforme apontado por diversos meios de comunicação, se opuseram ao chamado ‘perdão de Rabat’. Em uma organização dominada pelo personalismo e pelo silêncio, discordar e defender a integridade institucional exige coragem. A posição deles demonstra que, dentro da própria FIFA, ainda existem vozes que se recusam a aceitar que nada aconteceu aqui”, comemorou.

Pois, para Tebas, “Rabat não pode se tornar uma cerimônia de absolvição entre aqueles que foram afastados do processo e quem os afastou”. “O problema da FIFA não é de comunicação. É de governança, transparência, independência e concentração de poder”, continuou ele.

“Esperemos que aqueles que ainda permanecem mergulhados no silêncio cúmplice abram, de uma vez por todas, as janelas de suas próprias casas. E que outros atores relevantes do futebol sigam o caminho traçado pela UEFA e suas 55 federações — que realmente se reuniram e adotaram uma posição conjunta —, pelas ligas europeias, pela FIFPRO, por figuras como Luís Figo e por dirigentes como o príncipe Ali bin Al Hussein, presidente da Federação da Jordânia, e por outras instituições”, pediu.

Tebas espera que o que aconteceu com a tentativa de venda a investidores privados, a venda de ingressos ou o ‘caso Balogun’ sejam “um antes e um depois na governança do futebol mundial”. “São tantos os escândalos de governança da FIFA, e eles se sucedem com tanta rapidez, que uns acabam encobrindo os outros”, lamentou.

“Pedir perdão não substitui a prestação de contas. O apoio interessado também não pode transformar o imperdoável em um simples erro de comunicação. Aquele dia e aquele ato passarão para a história da infâmia da FIFA com um nome: ‘O perdão de Rabat’”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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