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ALCOBENDAS 17 mar. (EUROPA PRESS) -
O piloto espanhol de 'rally-raid' Isidre Esteve (Repsol Toyota Rally Team) se declara "otimista e amante da vida", pois não se "identifica" com os pessimistas, ao mesmo tempo em que acredita que toda a sua experiência no automobilismo lhe trouxe "mais tranquilidade" na hora de encarar as corridas.
“Acho que o Dakar não saiu como tínhamos planejado. Eu me diverti muito com o carro quando tive um trecho livre à frente, sem tráfego. Foi muito legal, a sensação de ter um carro competitivo foi excelente. O Dakar começou muito mal, já desde o primeiro dia, largando atrás por causa do problema com a ordem de largada, embora tenham corrigido isso rapidamente. E, nas dunas, um erro e acabou com tudo”, lembra o piloto de Lérida em entrevista à Europa Press após um evento da Toyota.
Esteve abandonou o Rally Dakar 2026 na sexta etapa, quando, no quilômetro 228, sofreu um grave acidente com seu Toyota Hilux ao colidir frontalmente contra uma duna. “O mais importante de tudo isso é que estamos relativamente bem. Acho que, pelo impacto que sofremos, poderia ter sido pior”, agradece.
O catalão, de 53 anos, reconhece que foi por “excesso de confiança”, o que torna tudo ainda mais “frustrante”. “É meu primeiro acidente de carro em 11 anos, e eu já havia abandonado em uma edição anterior por um problema mecânico”, relembra.
“Desistir é algo que no Dakar sempre é muito ruim, mas o importante é virar a página rapidamente e pensar em tudo o que está por vir, em que temos uma equipe tanto técnica quanto humana maravilhosa e pensar nas corridas que estão por vir”, acrescenta.
E é que com essas situações também “se aprende”, embora elas passem “muito rapidamente”. “Nas dunas é sempre muito difícil, é preciso ter ainda mais segurança, mas ali eu precisava de inércia para conseguir subir e ganhei inércia achando que tinha avaliado bem a situação. Não é algo que aconteça com muita frequência”, lembra.
“As corridas às vezes dão certo e outras vezes não saem como você planeja. É importante virar a página. Estamos bem fisicamente? Bem, não, mas não estamos mal. O carro é consertado e o calendário continua. O mais importante é continuar contando com a confiança daqueles que tornam isso possível, da Toyota e da Repsol. Se essa confiança continuar, vamos para as corridas. É preciso virar a página, é preciso, naturalmente, aprender a cada dia que nunca se termina de aprender e pensar no que vem a seguir”, prossegue.
Nisso, sua atitude perante a vida tem muito a ver. “Entendo todo mundo, mas acho que custa o mesmo ser pessimista que otimista. Eu me declaro otimista e amante da vida. Não me identifico com os pessimistas, é preciso ser otimista sempre. Acho que ainda tenho energia para um bom tempo. Me sinto bem, tenho uma equipe maravilhosa ao meu lado e vamos correr enquanto essa motivação estiver presente”, garante.
Pois, com o passar dos anos, Esteve ganhou “calma” dentro do carro. “Acho que encaro as corridas com mais tranquilidade. Isso também deve ser porque estou ficando mais velho. Para mim, é importante trabalhar bem com a equipe, planejar bem. A única maneira de ir para as corridas com tranquilidade é ter feito o dever de casa”, observa.
“Quando você fez tudo o que podia da melhor maneira possível, aí sim você pode correr. E estando ciente de que, nas corridas, o nível competitivo está cada vez mais alto e, portanto, é preciso arriscar e, às vezes, coisas acontecem. "Acho que ganhei capacidade para encarar as corridas com mais tranquilidade", acrescenta.
Por fim, Esteve adiantou que a Baja Aragón, de 23 a 26 de julho, estará em seu calendário. "Eu adoro a Baja, é a corrida mais importante que existe na Espanha e no Campeonato Mundial de Bajas, com maior participação. Gostaria de participar, porque não posso ir a Portugal e, para ir à Argentina, é preciso um planejamento prévio, e isso não estava no 'plano'. Então, pretendo fazer a Baja Aragón, Marrocos e seguir direto para o Dakar; é um bom plano esportivo”, conclui.
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