Publicado 16/12/2025 09:48

Gema Pascual: "Aos 17 anos, você não pode dizer a uma garota que ela tem que vencer".

Gema Pascual durante o Desayunos Deportivos Europa Press com Jose Vicioso Soto, presidente da Real Federação Espanhola de Ciclismo; Alejandro Valverde, técnico nacional da equipe masculina de elite de ciclismo de estrada da Espanha; Gema Pascual, técnica
Oscar J. Barroso / AFP7 / Europa Press

MADRID 16 dez. (EUROPA PRESS) -

A treinadora espanhola de ciclismo feminino, Gema Pascual, comentou que não se pode esperar que "uma menina de 17 anos" "vença" porque isso não é importante nessa idade e que é fundamental "saber administrar as emoções", ao mesmo tempo em que comemorou que os resultados alcançados são produto do "crescimento em todos os níveis do ciclismo feminino".

"É preciso saber administrar as emoções, ensiná-las desde cedo. Aos 17 anos, você não pode dizer a uma garota que ela tem que vencer. Se você não ganha, nada acontece, no final temos outras coisas", comentou Pascual nesta terça-feira no Desayunos Deportivos de Europa Press patrocinado pela Comunidade de Madri, Loterías y Apuestas del Estado, Mondo, Joma e a Universidade Camilo José Cela.

Por esse motivo, o técnico do time feminino, que está no comando há um ano, insiste na importância de ter um bom círculo social que apoie os jovens jogadores. "Muitas vezes a resposta que elas recebem, não da nossa área, mas de casa ou de seus treinadores, é 'você também não foi muito bem'", enfatizou.

Pascual enfatizou os problemas que as ciclistas têm para continuar suas carreiras profissionais. "No que diz respeito às mulheres, também temos essa desvantagem. Elas geralmente ainda estão estudando para obter seus diplomas universitários", disse ela.

Para Gema Pascual, um aspecto fundamental é cuidar das ciclistas porque ela conhece "as deficiências" que existem. "Já fui corredora, sei de onde eles vêm e sei do que precisam, porque depois há uma etapa posterior. Conheço as exigências que os ciclistas têm em termos de contratos, bônus, situações para o futuro, estudos, treinamento... esse não saber", destacou.

"No final, tem sido um crescimento em todos os níveis do ciclismo feminino e isso tem que se refletir nos resultados. Nada mais é do que a visibilidade do fato de que muitas mulheres estão envolvidas no ciclismo. Não importa a categoria, não importa a disciplina, sempre temos referências. Se acrescentarmos a isso o fato de que, pouco a pouco, o ciclismo tem se tornado mais profissional, então temos quase o 'kit' completo", disse ela.

Para alcançar essa "profissionalização", o "apoio institucional e federativo" tem sido importante. "Também foi muito importante e andou de mãos dadas com esse guia para o profissionalismo, que eu acho que foi o pacote completo. No final, o fato de os cavaleiros poderem trabalhar, descansar, cuidar de si mesmos, ter as mesmas opções que são exigidas deles é importante porque também são exigidos resultados deles, um cuidado para alcançar esses resultados", declarou ela.

Nessa linha, ela confessa que a medalha de prata de Paula Ostiz na prova de contrarrelógio no Campeonato Mundial ela não sabia como a própria corredora iria aceitá-la porque "só a medalha de ouro valia para ela". "A Paula, por exemplo, era uma corredora que fazia muitas exigências. Eu não sabia, para ser sincero, como a Paula se sentiria com a prata, se seria suficiente para ela ou não. E, de fato, saí do carro, saí com calma, mas fiquei emocionado ao vê-la. Ela veio como minha filha, correndo em minha direção, mais ou menos", lembrou.

"ANTES, A MATERNIDADE SIGNIFICAVA APOSENTADORIA".

Mas para Gema Pascual, a medalha de ouro no Campeonato Mundial Júnior em Ruanda para a nativa de Pamplona foi "a mais especial" por causa de sua proximidade com ela. "Com esta geração, não foram dois anos, foram quatro, porque estamos acompanhando e vivendo juntos desde que éramos cadetes. Foram muitos dias trabalhando para isso", confessou.

"No final, elas não só trabalham em casa, mas também têm que ter a confiança, a segurança da equipe nacional, o apoio federativo que elas tiveram onde se sentiram em casa, onde qualquer coisa era falada lá, onde qualquer coisa é pegar o telefone e ligar para a Gema. Eu me senti muito envolvida nisso e trabalhamos muito porque tinha de dar certo, mas também havia a possibilidade de dar errado e tínhamos de cuidar da Paula ou de qualquer uma delas", explicou.

Outro tópico sobre o qual Pascual falou foi a maternidade em relação ao ciclismo: "Antes era impensável porque a maternidade era como uma aposentadoria". Mas ela entende que isso está mudando com o passar dos anos. "Temos Sandra Alonso, que recentemente se tornou mãe, e agora está em licença maternidade", disse ele, confessando que lhe passou "o sistema de classificação para os Jogos de Los Angeles 2028" para que ela pudesse tê-lo em mente, mas sem pressão.

"No final das contas, atletas e ciclistas também são feitos de coisas diferentes e não vão esperar nove meses para entrar na equipe. Eles são profissionais mesmo durante a gravidez ou depois, é preciso ter consciência social e apoio em todas as etapas", disse a ciclista.

Por fim, ela expressou sua opinião sobre a mudança de geração feminina no ciclismo de pista porque "temos ciclistas mulheres que já ganharam medalhas", o que significa que "há qualidade". "É verdade que tivemos alguns anos em que o ciclismo de pista e de estrada não puderam ser combinados devido a diferentes situações, incluindo a mudança no profissionalismo, mas estou confiante de que há uma mudança geracional", argumentou.

"É verdade que todas as modalidades passam por seus momentos e acredito que a pista está em um momento ascendente para o ciclismo feminino. Certamente veremos mulheres ciclistas de estrada retornando às pistas ou experimentando-as nas pistas", disse ela.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado