Publicado 21/07/2026 05:53

Futebol – Javier Tebas: “A FIFA, em muitos casos, age de forma prejudicial ao futebol; Infantino deveria se afastar”

O presidente da Liga Espanhola de Futebol Profissional, Javier Tebas Medrano, ministra a palestra “Diplomacia nas relações esportivas. A Liga e os Estados Unidos”, em um dos Cursos de Verão da UCM, no Colégio Alfonso XII, em 2 de julho de 2026, em
Eduardo Parra - Europa Press

MADRID 21 jul. (EUROPA PRESS) -

O presidente da LaLiga, Javier Tebas, defendeu que a FIFA “age, em muitos casos, prejudicando o futebol”, porque “organiza as coisas como bem entende” e “de acordo com seus interesses”; por isso, considera que Gianni Infantino deveria se afastar, já que “cumpriu seu ciclo”.

“A FIFA organiza as coisas como quer, para o que quer, de acordo com seus interesses, certamente não pelo futebol. E por isso, se precisam de 27 minutos de intervalo, eles fazem. Os intervalos para hidratação são uma mentira. Na LaLiga nós as temos, mas quando está realmente quente. Aqui, os campos de Dallas, Los Angeles e Atlanta tinham ar-condicionado; na arquibancada, tive que vestir um suéter. Era uma pausa para a publicidade”, afirmou o dirigente em entrevista à La Gazzetta dello Sport, divulgada pela Europa Press.

E Tebas lembrou o caso de Folarin Balogun, o jogador norte-americano que foi expulso, mas cuja punição foi revogada para que pudesse jogar as oitavas de final contra a Bélgica na Copa do Mundo da qual sua seleção era coanfitriã. “A prova de que somos governados por uma instituição que faz e decide o que quer, quando quer, guiando-se exclusivamente por seus próprios interesses, sem pensar no restante do futebol. E, em muitos casos, age prejudicando o futebol”, afirmou.

“É difícil, porque no sistema há cúmplices ativos, que colaboram com esse tipo de decisão, e cúmplices passivos, que guardam silêncio, não denunciam e não fazem nada para impedir que certas coisas se repitam. Eles criticam o sistema no bar enquanto tomam um café, ou por telefone em conversas particulares, mas depois não fazem nada para pôr um fim a tudo isso”, criticou.

Tebas classificou o “caso Balogun” como “um assunto de gravíssima importância”. “Eles tiveram sorte de a Bélgica ter eliminado os Estados Unidos, porque, caso contrário, poderia ter se gerado um escândalo que teria custado o cargo a Infantino. Como a Bélgica venceu, eles conseguiram enterrar o assunto. Mas essas coisas não passam da ponta do iceberg”, acrescentou.

“A decisão sobre a Superliga concedeu um poder enorme à FIFA e à UEFA e confirmou seu monopólio. No entanto, deveriam usar esse monopólio para colaborar com os diversos atores do nosso setor e em benefício do futebol, com transparência geral e regulamentação, e tomando decisões consensuais. Não para fazer o que a FIFA está fazendo. Denunciamos repetidas vezes a questão do calendário. E agora querem organizar uma Copa do Mundo com 64 seleções”, denunciou.

Para Tebas, aumentar o número de seleções no torneio “não faz sentido”. “A indústria do futebol não se resume apenas à Copa do Mundo, que é o evento mais importante. Mas nem tudo pode girar em torno da Copa do Mundo. São as competições nacionais que sustentam esse esporte”, reiterou.

“Estão destruindo a indústria do futebol, que gera dezenas de milhares de empregos, por causa de um evento que dura 40 dias e ao qual participa uma minoria de jogadores. Os melhores estão lá? Claro, mas também há nos nossos campeonatos. São necessárias menos seleções e mais proteção para o futebol nacional, em todos os níveis. Eles não percebem isso, tomam decisões de forma irresponsável”, acrescentou.

Por isso, na opinião dele, Infantino deveria se afastar, porque “já cumpriu seu ciclo”. “Mas ele conta com o apoio do sistema, das federações. Não há nenhum candidato da oposição, ninguém quer se candidatar para perder. É assim que o sistema funciona, e é um sistema doente desde a sua origem”, lamentou.

“Ele não deveria ficar, mas a situação atual faz com que ele não saia. Nestes últimos dias, nos Estados Unidos, ouvi muitas pessoas contra Infantino, que não concordam com o que ele faz. Elas dizem isso, mas depois não fazem nada. Não sei o que é pior: se o silêncio ou a cumplicidade, porque quem se cala está perfeitamente ciente do dano que o futebol está sofrendo”, disse ele.

Por outro lado, Tebas elogiou o momento do futebol espanhol e a vitória da seleção na Copa do Mundo, e o segredo, para o dirigente, é “o trabalho coletivo”. “Dos clubes, com suas categorias de base, que nos últimos anos foram potenciadas e cuidadas ao máximo. Da LaLiga, uma competição forte, de qualidade e sustentável que contribuiu para esta seleção nacional com 17 dos 26 jogadores convocados. E, é claro, de maneira especial, da federação, que sabe selecionar e desenvolver o talento nacional dos nossos clubes”, avaliou.

“Luis de la Fuente ingressou na federação em 2013, cresceu ajudando a desenvolver jovens extraordinários, começando pela Sub-19 e chegando a conquistar a Copa do Mundo com 10 jogadores que ele tinha nas categorias de base. E, ao longo dessa trajetória, ele também atuou como formador, já que, durante três anos, foi professor no curso de treinadores”, relatou.

Porque o técnico de Haro é um exemplo de que o futebol espanhol conta “com pessoas incrivelmente qualificadas que trabalham pelo bem do futebol nacional”. “Nenhum país havia sido campeão mundial masculino e feminino ao mesmo tempo”, destacou.

“E relaciono a formação com a sustentabilidade. Desde 2013, a LaLiga se rege e impõe aos seus clubes limites salariais muito precisos e rigorosos, o que leva os diversos clubes a potencializar o aspecto formativo. O desenvolvimento de talentos gera qualidade em campo e possíveis receitas. Todos os clubes sabem muito bem que esse é o caminho: incorporar jovens da base ao time principal. Não se vence tanto e em todas as categorias por acaso. O sucesso é construído a partir da base”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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