MADRID, 31 jul. (EUROPA PRESS) -
A FIFA se defendeu nesta sexta-feira das acusações feitas pela UEFA e pela Associação das Ligas Mundiais em relação ao seu polêmico projeto “FIFA Forward Enterprise” (FFE), que prevê a participação nos direitos comerciais, e afirmou que “ninguém está vendendo o futebol” porque, segundo o órgão, isso é “algo que jamais seria considerado”.
“O FFE foi proposto com o único objetivo de garantir que todas as federações membros da FIFA tenham a oportunidade de assumir um controle significativo sobre as oportunidades comerciais do futebol em seus respectivos países, e que isso não ocorra às custas nem do espírito, nem da governança da FIFA, nem do próprio futebol. Ninguém está vendendo o futebol. Isso não é algo que a FIFA jamais consideraria”, afirmou a FIFA em sua rede social ‘X’.
Depois que veio à tona o novo projeto impulsionado pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, para vender os direitos comerciais de suas competições, incluindo a Copa do Mundo, várias federações e confederações, como a UEFA, a CONCACAF e a Associação das Ligas Mundiais, acusaram o órgão de “vender o futebol”.
De fato, a própria UEFA alertou nesta quinta-feira que as seleções europeias “não participarão dos torneios organizados pela FIFA”.
Por sua vez, a entidade mundial que rege o futebol garantiu que respeita “as opiniões e preocupações” expressas publicamente e reafirmou “seu compromisso com um processo de consulta aberto e democrático”.
“As informações errôneas divulgadas pela mídia alteraram o processo de consulta previsto”, afirmou.
Por isso, a FIFA abordou várias das questões surgidas em decorrência das “notícias errôneas” publicadas desde esta terça-feira sobre a criação de uma nova subsidiária, a FIFA Forward Enterprise. “Continuaremos com esse processo de consulta para garantir que cada Associação Membro (AM) tenha a possibilidade de expressar seu voto com base em fatos”, declarou.
Além disso, esclareceu que todos têm “o direito de expressar sua oposição e solicitar mais esclarecimentos”, mas ressaltou que “nenhuma entidade por si só” pode pretender representar as 211 Federações-Membro (FM) de todo o mundo. “Cada AM deve ter a oportunidade de examinar a proposta e ter voz e voto na hora de moldar seu próprio futuro. Esses são os princípios democráticos da FIFA”, acrescentou.
“SEM APOIO, A EFE NÃO SERIA CRIADA”
Para esclarecer todas as informações “errôneas” que foram publicadas nos últimos dias na mídia, a FIFA explicou em que consiste o projeto da FIFA Forward Enterprise (FFE).
O órgão regulador do futebol mundial garantiu que a FFE transferiria as atividades comerciais e operacionais da FIFA relacionadas à organização de eventos para uma organização subsidiária e ressaltou que esta permaneceria “sob seu controle”, por ser de sua propriedade.
“O valor comercial gerado seria distribuído entre as 211 federações-membro, o que permitiria a cada uma delas realizar investimentos significativos no futebol em seus respectivos países. De acordo com a proposta, cada federação membro receberia 20 milhões de dólares americanos do programa de desenvolvimento FIFA Forward nos próximos quatro anos, independentemente de sua contribuição individual”, explicou.
Segundo a FIFA, “o aumento do financiamento proviria das receitas adicionais geradas pela FFE” graças a uma gestão “mais eficaz” das operações comerciais do órgão, em benefício de todas as federações membros.
“O Programa FIFA Fast Forward consiste em um financiamento único para o desenvolvimento de 20 milhões de dólares americanos adicionais por federação-membro — a participação seria totalmente voluntária para todas as federações-membro caso a proposta da FFE fosse adiante— e seria financiado por meio de investimento externo, sem ceder o controle nem alterar de forma alguma a estrutura de governança da FIFA”, explicou.
No entanto, a FIFA garantiu que, caso esse projeto não receba o apoio da “maioria das federações-membro”, as atividades comerciais da FIFA permaneceriam “inalteradas”. “A FFE não seria criada. Esses componentes constituem o ponto de partida do processo de consulta e estão abertos a debate como parte desse processo. Isso pode incluir sua aprovação, rejeição ou modificação, seja na íntegra ou individualmente”, recuou.
“Esses princípios sustentam a proposta da FFE: um financiamento sem precedentes para o desenvolvimento, uma propriedade verdadeiramente global das oportunidades comerciais do nosso esporte e a plena autodeterminação de todas as federações-membro por meio de um processo democrático”, concluiu o comunicado da FIFA.
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