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LONDRES 4 set. (PA Media/dpa/EP) -
A FIFA afirma que os pedidos judiciais apresentados pela UEFA para ter acesso a documentos relacionados ao plano do presidente Gianni Infantino de vender participações da Copa do Mundo a investidores privados — plano que foi retirado diante das críticas — fazem parte de uma “campanha de difamação” contra a entidade.
A UEFA está solicitando aos tribunais dos Estados Unidos a divulgação de provas e documentação relacionadas à “FIFA Forward Enterprise” (FFE), uma empresa privada que, conforme previsto, seria responsável pela gestão da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA.
A FIFA revelou no mês passado que o plano consistia em vender uma participação de 20% dessa empresa a investidores privados. O plano foi retirado pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, em 1º de agosto, diante da oposição da UEFA, da Confederação Asiática de Futebol (AFC) e da CONCACAF, confederação que agrupa os países da América do Norte, América Central e do Caribe.
Mas isso não impediu que a UEFA continuasse investigando Infantino e outros dirigentes da FIFA. De acordo com documentos aos quais a Press Association teve acesso, o órgão presidido por Aleksander Ceferin afirmou que os documentos obtidos se destinavam a preparar possíveis processos criminais na Suíça.
A FIFA solicitou autorização para se opor ao pedido da UEFA no Distrito Sul da Flórida, uma moção que foi deferida pelo tribunal no dia útil seguinte, 31 de agosto. A FIFA tem até 28 de setembro para apresentar um recurso completo perante esse tribunal.
Os documentos da equipe jurídica da FIFA aos quais a Press Association teve acesso descrevem as solicitações da UEFA como “pouco mais do que comunicados à imprensa que reforçam ainda mais a campanha de difamação da UEFA contra a FIFA e seus dirigentes”.
Em seu documento, a FIFA solicita ao tribunal de Nova York que adie a análise do pedido de acesso às provas da UEFA até que o tribunal da Flórida se pronuncie sobre o assunto, ou que permita à FIFA se opor a tal pedido até, no máximo, 30 de setembro.
O documento afirma que a motivação da UEFA para se opor à FFE e a Infantino é “impedir que os países menores tenham a solidez financeira necessária para competir com a elite europeia”.
“Se o futebol se fortalecer nos países em desenvolvimento, a competição mundial aumenta, o que, em última instância, reduz o poder de mercado da UEFA e representa maior concorrência para seus principais torneios”, prosseguiu o documento.
No texto, a FIFA explicou que “ao arrecadar fundos para permitir que algumas das federações-membro menores desenvolvam melhor o futebol, a FFE faria com que mais jogadores dessas nações optassem por representar seus países de origem e jogar em suas ligas nacionais, em vez de fazê-lo no exterior”. “Tudo isso minaria o domínio da UEFA sobre outras regiões do mundo”, acrescentaram.
Em seu documento, a UEFA acusou Infantino de “má gestão de caráter criminoso” em relação à FFE e afirmou que a proposta de venda de uma participação na empresa no valor de 4,2 bilhões de dólares era “um preço fora do mercado e fraudulento, promovido por Infantino em benefício próprio”.
Em um comunicado separado divulgado na semana passada, a UEFA solicitou uma revisão externa independente das origens da FFE e afirmou que, caso Infantino decidisse se candidatar à reeleição no Congresso da FIFA do próximo ano, a UEFA “uniria forças com suas confederações associadas para garantir que seja oferecida às federações membros uma alternativa confiável, comprometida com a integridade, a prestação de contas, o desenvolvimento e uma verdadeira mudança institucional”.
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