Dennis Agyeman / AFP7 / Europa Press
MADRID 12 abr. (EUROPA PRESS) -
A meio-campista da seleção espanhola Fiamma Benítez sabe que, na sua posição, quando se trata de ter minutos em campo, “é bastante complicado” devido à grande quantidade de jogadoras de qualidade, mas que ter ao seu lado “as melhores” também a torna uma jogadora “melhor” dentro de um time onde a treinadora Sonia Bermúdez a aconselha a continuar “ousando” e sem abrir mão de suas qualidades como jogadora.
“Sempre me dizem que é bastante complicado, mas o fato de poder estar com elas também é um orgulho para mim, porque, no fim das contas, é uma posição muito difícil de conquistar. Ter as melhores ao meu lado também me torna melhor e aprendo muito. Agradeço todas as oportunidades e poder treinar todos os dias com elas”, destacou Benítez em entrevista à Europa Press no estágio da seleção em Las Rozas (Madri).
A jogadora do Atlético de Madri tem certeza de que isso é “um privilégio” para ela. “Elas também me ajudam muito e, depois, tento passar tudo o que aprendo aqui para a minha equipe”, ressaltou, ao mesmo tempo em que não hesita em dizer com qual jogadora se sente mais à vontade. “Sempre disse que gosto muito de jogar com a Mariona (Caldentey), a admiro muito como pessoa também porque é uma ótima pessoa”, confessou.
“Mas, tendo a Patri, a Alexia, a Aitana, a Serrajordi ou a Vicky, não importa com quem você jogue, porque elas vão facilitar muito as coisas para você. É verdade que tenho uma queda pela Mariona, pois sempre a acompanhei de perto, mas com qualquer uma das outras também estou entre as melhores, e isso nos torna melhores”, reiterou.
A jogadora do Atlético de Madrid dá muita importância a estar na seleção e, de fato, tem marcado em seu perfil oficial no 'X' o dia de sua estreia na Seleção Principal, em 11 de novembro de 2022 contra a Argentina. "A verdade é que agora olho para isso e muitas coisas aconteceram, e tudo passou tão rápido que só quero valorizar isso dia após dia", comentou.
Naquela época, a atual campeã mundial vivia os primeiros meses após a desistência de várias jogadoras até que houvesse melhorias em todos os níveis, embora a jogadora de Denia lembre que, naquela época, “apenas” queriam se isolar e “falar de futebol e se concentrar no futebol”. “Acho que conseguimos”, afirmou.
E sua estreia na Seleção Principal encerrou um 2022 “muito, muito especial”, no qual ela se sagrou campeã da Europa Sub-19 e do mundo Sub-20. “Sempre vou me lembrar disso. Além da estreia, foi um verão inesquecível e tenho muita sorte de ter podido vivê-lo”, admitiu a meio-campista.
Agora, ela tenta conquistar um lugar na seleção de Sonia Bermúdez, onde, aos 21 anos, vê como positivo o fato de haver jogadoras ainda mais jovens, como Clara Serrajordi ou Vicky López. “A verdade é que me dou bem com elas e acho que, em campo, elas parecem tão maduras que até esquecemos a idade que têm”, observou.
“SABIA QUE ERA DIFÍCIL ESTAR NA LISTA DA COPA DO MUNDO DE 2023”
“Acho que ainda sou bastante jovem e, por isso, também vejo o nível que existe na Espanha desde as categorias de base e vejo as mais experientes, e tomamos elas como exemplo”, acrescentou Benítez, que dá “crédito” a Bermúdez por “confiar em todas essas pessoas também jovens” e que faz com que haja várias gerações coincidindo agora na Seleção Principal.
E ela valoriza que “às vezes também é difícil dar essa oportunidade porque há pessoas que têm medo”. “O fato de não olharem para a identidade nem nada é muito importante também para nós. Somos gerações diferentes, nos damos muito bem, nós, as jovens, aprendemos muito com as mais velhas também, e isso é um mérito da Espanha”, afirmou a jogadora internacional.
Em 2023, a valenciana estava na pré-lista de 30 para ir ao Mundial da Austrália e Nova Zelândia, mas acabou sendo uma das descartadas por Jorge Vilda. “Obviamente, nenhuma jogadora vai com a mentalidade de que vai ficar de fora e eu fui sabendo que era muito difícil entrar na lista, mas dei tudo de mim e, nesse aspecto, estou tranquila. Tive a sorte de ter estado nessa pré-lista, fui também vê-las na final e foi uma alegria que aquele grupo também tenha vencido o Mundial. Não pude estar lá, mas vivi isso como se fosse meu”, destacou.
“Quando, desde as categorias de base, você faz as coisas bem e tem uma boa estrutura, em algum momento essas jogadoras chegam e, junto com a boa geração que já existe na Seleção Principal, muitos fatores se somam. Uma vez que você chega aqui, também é diferente, mas quando você tem uma base, é mais fácil conquistar títulos no nível da Seleção Principal, e acho que a Espanha, nesse aspecto, tem se saído muito bem”, destacou sobre aquele sucesso.
Agora, ela se reencontrou com Sonia Bermúdez, que treinou nas categorias de base e que “não” mudou sua maneira de ser nem de treinar, por isso pede que se valorize “muito o fato de ela continuar com sua filosofia e fiel à sua maneira de ser”. “Fico muito feliz por ela estar indo tão bem; desde o primeiro dia em que a conheci, achei que ela era uma excelente treinadora e uma ótima pessoa”, comemorou.
Benítez destacou que a treinadora “se cercou muito bem” e que também foi “jogadora de nível internacional”. “Isso também se reflete na forma como ela nos entende como jogadoras; ela conhece tanto o lado bom quanto o lado ruim de sermos jogadoras, nos compreende bastante e é muito próxima de todas. Todas nós nos sentimos muito à vontade com ela”, expressou a meio-campista.
“JOGAR PELA SELEÇÃO É A MÁXIMA EXIGÊNCIA”
A madrilenha não pede nada de especial em campo a uma jogadora que “sempre” foi “bastante ofensiva” e que “nos últimos anos” deu “um passo à frente defensivamente nos duelos”. “Isso me tornou um pouco mais completa. Ela me pede para continuar ousando, para continuar sendo eu mesma”, explicou.
A primeira partida desta terça-feira é fundamental para a classificação para a Copa do Mundo, por ser contra a Inglaterra e em Wembley. “Encaramos isso como todas as partidas, com muita responsabilidade, trabalhando dia a dia e nos preparando para esse grande encontro”, garantiu, ciente da pressão que recai agora sobre a número um do ranking.
“O fato de exigirem que ganhemos sempre é bom, mas as pessoas também precisam valorizar isso: não é fácil ganhar praticamente todos os jogos, chegar às finais e ser a melhor seleção do mundo. A exigência é boa, não é pressão; acho que é mais responsabilidade, mas encaramos isso como o que é. Jogar pela seleção é a máxima exigência, a responsabilidade de vencer e ter a convicção de que você deu tudo de si”, acrescentou a respeito.
Neste ano, ela também teve a oportunidade de disputar pela primeira vez a Liga dos Campeões. “Para mim foi muito especial, me senti muito à vontade e é uma experiência que adoro. Estou muito feliz porque também me tornou uma jogadora melhor e me levou a ritmos que, na liga, às vezes não se alcançam, e me sentir à vontade lá serviu para poder avaliar meu nível individual”, afirmou.
A Copa do Mundo no Brasil é no ano que vem e Fiamma Benítez lembra que ainda falta “bastante” e que não pensa muito em estar entre as selecionadas. “Temos a mentalidade de conseguir a vaga o mais rápido possível para o Brasil e, espero, poder estar lá”, deseja a jogadora de Denia.
Por fim, a jogadora do Atlético de Madrid fala sobre sua família, com sua mãe também tendo sido jogadora de futebol e “uma grande fã do esporte”. “Ela adora futebol e meu pai também. Ela sempre me conta um pouco da história dela, e tanto ela quanto meu pai sempre me acompanharam. Ela também vive de perto o fato de eu estar realizando um sonho, mas não me pressiona de forma alguma; sabe que esse é o meu caminho, e eu reconheço isso a ela e ao meu pai, porque é um caminho que percorremos juntos”, concluiu.
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