OSCAR J. BARROSO / AFP7 / EUROPA PRESS
MADRID 10 set. (EUROPA PRESS) -
O piloto espanhol de Fórmula 1 Fernando Alonso (Aston Martin) afirmou nesta quinta-feira que o anúncio sobre seu futuro para 2027 “não será em breve”, pois “não há urgência”, embora tenha deixado claro que ajudará “tudo o que puder ao volante ou em outra função”.
“Vai ser um fim de semana bonito. Temos o privilégio de correr duas vezes na Espanha. E Madri é especial, também porque é um circuito novo; aprender o circuito o mais rápido possível durante os treinos livres, com muitas mudanças, e para mim, é duplamente especial”, destacou o asturiano na coletiva de imprensa oficial do Grande Prêmio da Espanha em Madri.
O bicampeão mundial admitiu que “seria bom” vencer na estreia de Madri, mas “isso não vai acontecer este ano” e ele está “ciente disso”. “Vamos trabalhar para ter um pacote melhor e poder disputar essa vitória no futuro. Madri é uma das melhores cidades do mundo e ter um GP e dar as boas-vindas à F1, acho que é incrível. Acredito que, para qualquer piloto, vencer em Madri significará muito e, talvez, para mim, ainda mais”, explicou.
Quando questionado sobre o novo traçado, Alonso comentou com um pouco de ironia que “os pilotos da Ferrari poderão responder melhor”, em referência ao teste privado que Charles Leclerc e Lewis Hamilton realizaram na pista madrilenha.
“Espero ser mais competitivo do que em Monza em qualquer circuito do mundo”, desejou ele, antes de analisar Madri. “Haverá desafios a serem descobertos. Será preciso subir bastante nos kerbs, como vimos no simulador, e também temos a confirmação da Fórmula 3 de que não é um circuito fácil. O nível de aderência do asfalto também é uma incógnita”, afirmou.
Alonso afirmou que é um circuito “complicado, difícil de aprender, muito técnico”, no qual “será preciso passar bastante por cima dos kerbs” e com trechos de alta velocidade “onde será preciso se inclinar bastante sobre o volante”. “E isso é muito atraente e cheio de adrenalina para os pilotos, parecido com Jeddah em alguns setores, mas uma coisa é o simulador e outra é a realidade, que sempre traz coisas diferentes”, acrescentou.
“Estou ansioso para que comecem os treinos livres e para aprender detalhes que mudam a percepção do simulador; acho que o nível de aderência vai ser o fator mais importante para mim; se a pista estiver empoeirada ou muito suja no início, isso atrapalha um pouco o processo de aprendizado, assim como a diversão”, continuou.
Sobre “La Monumental”, ele acredita que ultrapassar ali “dependerá um pouco da gestão de energia”. “Acho que não teremos energia suficiente para fazer ‘La Monumental’ com força, então talvez nos ultrapassem na curva 13”, comentou sobre essa curva icônica.
Alonso chega a Madri sem “um objetivo claro para este fim de semana”. “Viemos de Budapeste e Zandvoort, onde o carro teve um desempenho bastante bom, mas em Monza a história foi bem diferente. Em Madri, há muitas curvas e muitas oportunidades de maximizar o potencial do chassi, mas também há retas longas onde o motor ganhará importância. Portanto, poderíamos obter um resultado entre o décimo segundo e o décimo sétimo lugar. O mais importante para mim será extrair mais desempenho do carro”, afirmou.
Quanto ao seu futuro, ele voltou a deixar a questão em aberto e garantiu que “não” vai revelá-la “em breve”. “Acho que adiá-la é uma boa ideia”, disse ele, provocando risadas na sala de imprensa em Madri. “Não há urgência. É uma questão de entender o regulamento do ano que vem e qual será o impacto na corrida e no piloto. Acho que os carros atuais não são os melhores para pilotar nem para se divertir. Acho que no ano que vem daremos um passo na direção certa, ou pelo menos é o que espero”, comentou.
“Mas, ao mesmo tempo, preciso pensar qual é o melhor plano para o ano que vem. Vou me reunir com a equipe e não sei se, ao volante ou em outra função, vou ajudar o máximo que puder; o importante é que temos que decidir juntos”, acrescentou. Alonso tem “alguma esperança de que as regras do ano que vem sejam alteradas novamente” e que as atuais “não sejam a versão final”, antes de responder afirmativamente quando questionado se poderia correr pela Aston Martin em outra categoria, como o Campeonato Mundial de Resistência.
Em relação a essa nova F1, o asturiano relembrou o teste desta semana em Barcelona, no qual pilotou carros históricos da McLaren. “Foi um dia incrível, o melhor do ano até agora. Carros sem baterias, só a gasolina, muito barulho, tampões nos ouvidos, incrível”, afirmou.
Além disso, ele refletiu sobre seu papel no crescimento da F1 na Espanha, desde que estreou em 2001, quando sua família “assistia às corridas na RTL, um canal alemão, porque não eram transmitidas na Espanha”. “Isso já mostra o quão pequena era a F1 há 20 anos e o quanto as coisas mudaram. Também despertou a paixão de outras pessoas em se juntar a nós; hoje, 5, 7 ou até 10% dos mecânicos e engenheiros são espanhóis”, explicou.
“Isso é algo que também mudou na Espanha: esse desejo de fazer parte da F1, seja em que função for, seja qual for o papel. Essa é uma das coisas das quais mais me orgulho, mais ainda do que corridas mundiais”, comemorou.
E a melhor lembrança do asturiano na Espanha é “Barcelona 2006”, embora Valência 2012 “tenha sido uma corrida muito especial”. “Quando cheguei à Aston em 2023-2024, revivi um pouco tudo aquilo. Até mesmo este ano, lembro-me de Barcelona: o Fan Forum foi algo especial, ver todo mundo lá torcendo, mesmo sabendo do resultado que teríamos. Sempre que corro na Espanha, é algo muito especial”, concluiu.
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