Sergio Mateo - Europa Press / SPORTMEDIA - Arquivo
MADRID 21 mar. (EUROPA PRESS) -
O atleta espanhol Eusebio Cáceres afirma que em cada competição que enfrenta vai “sempre” com uma “ambição desenfreada de não ter limites”, pois se convence de que é “capaz de tudo”; e com essa mentalidade de não ir “simplesmente para assistir”, ele participa do Campeonato Mundial de Atletismo em Pista Coberta de Torun (Polônia), embora esteja ciente da dificuldade.
“Sempre pensei mais no que sou capaz de saltar. Acredito que sou capaz de saltar além do que fiz em Valência; é difícil, mas sou capaz. No final, vou dar o meu melhor e vai depender do que os outros forem capazes de saltar, mas sou capaz de chegar à final”, antecipou Cáceres em entrevista à Europa Press durante a concentração da seleção que irá a este Mundial.
O saltador, que competirá neste domingo no salto em distância, encara este evento “como um novato” depois de conseguir corrigir “questões técnicas” que o impediam de saltar como ele queria. “Acima de tudo, foi uma introspecção pura e dura, porque, no fim das contas, todos os treinadores concordavam na maneira de saltar. Todos têm seus métodos, mas, no fim das contas, a técnica não muda, continua a mesma; ainda há maneiras de alcançá-la, e o que acontecia era um problema nas costas que se agravou muito”, afirmou.
E é que essa lesão o fez mudar “completamente a postura”, por isso agora ele precisa ajustar a posição “de uma maneira muito exagerada para se sentir confortável ao saltar”. “Foi literalmente um clique que me fez mudar e venho aperfeiçoando isso há apenas um mês”, destacou, ao mesmo tempo em que se mostra “muito ansioso” para saltar na cidade polonesa, embora com certa relutância, pois “ainda é cedo para ter certeza” de que vai “fazer bons saltos o tempo todo”.
Nesse sentido, ele confessa que “é muito cedo” para ver os resultados e que será “muito complicado porque o nível é muito alto”. "Acho que a medalha de ouro vai ficar acima de 8,50, quase com certeza, porque há gente que já esteve lá, como (Miltiadis) Tentoglu, e é capaz de fazer isso", reconheceu, embora aponte ainda mais alto: "Ousaria dizer que até a medalha vai ficar acima de 8,40".
Mas Cáceres confia em seus saltos, já que chega após se proclamar campeão da Espanha em pista coberta em Valência há algumas semanas. “Acabei de saltar 8,19 em Valência, acho que é uma oportunidade e que é um Mundial”, comentou.
“Encontrei aquela técnica que venho procurando há tanto tempo e não vou lá simplesmente para assistir; adoro competir e penso isso por todas”, acrescentou com alegria Eusebio Cáceres, que já não pensa mais naqueles quartos lugares que o privaram de mais medalhas. “Tive a sorte de nunca dar muitas voltas nas coisas. Pensei que, se eles terminaram à minha frente, é porque foram melhores e, se eu quisesse esses lugares, teria de ter saltado mais e ter feito melhor”, precisou.
“Pelo contrário, sempre pensei que me falta mais, que tenho de continuar a trabalhar, que eles foram melhores porque fizeram um trabalho melhor ou porque dominam melhor a técnica. Mas acredito que sou capaz de chegar lá. Não penso muito no passado, muito pelo contrário, penso no que estou fazendo agora, em que estou no caminho certo”, destacou.
Em uma modalidade como o salto em distância, o atleta de Alicante ressalta que “a confiança” é fundamental para alcançar um bom resultado. “Quando você treinou e fez o trabalho direito, na competição só precisa liberar toda a sua paixão pelo esporte. Você tem que trabalhar os aspectos técnicos e aperfeiçoá-los para que, quando for para a competição, eles saiam naturalmente e você não precise pensar em absolutamente nada além de liberar toda essa força que tem dentro de si”, analisou.
“SINTO-ME COMO SE TIVESSE 20 ANOS”
“Por isso mesmo, no meu caso, acho que vai ser mais complicado, já que talvez as pessoas cheguem mais preparadas com sua técnica, com seu modelo. Para mim, agora, com o problema que tive nas costas, tenho que me esforçar muito para conseguir. É difícil para mim, mas no momento em que consigo, esses saltos fáceis saem, aqueles que eu fazia há 15 anos”, indicou.
O atleta de Onil conta que, ao contrário de muitos saltadores, ele “nunca” teve manias antes de saltar. “O que sempre senti nas competições é essa ambição desenfreada de não ter limites, de saber que sou capaz de tudo. No meu caso, tive a sorte de gostar muito do que faço. Simplesmente aguentei tanto tempo porque gosto muito da competição e de lutar contra os outros”, continuou ele, referindo-se à sua longa carreira internacional, que começou em 2007.
“O momento da competição, de estar contra os melhores, é o que me faz despertar e dar tudo de mim. É uma sensação que adoro e da qual desfruto muito. É a razão pela qual aguento tanto tempo, buscando todo esse tipo de motivos para dar ainda mais de mim”, enfatizou Cáceres, que não descarta a possibilidade de participar dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. “Sempre pensei ano a ano. Sinto-me como se tivesse 20 anos, por isso não diria que não, de forma alguma”, afirmou.
Por fim, Eusebio Cáceres agradece “a todos por esse carinho” que sempre recebeu, sentindo-se afortunado. “Receber tanto carinho, tão real e profundo, tem sido surpreendente. Estou nisso há muito tempo e é curioso que ainda haja tanta gente que gostaria de me ver saltar. Agradecer a todos e tentar dar mais valor a esse apoio que me acompanha há tanto tempo, buscando um bom resultado”, concluiu.
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