Oscar J. Barroso / AFP7 / Europa Press
"Florentino fala em vender para fundos estrangeiros, eu nunca venderei nenhuma parte do clube"
MADRID, 31 maio (EUROPA PRESS) -
O candidato à presidência do Real Madrid, Enrique Riquelme, denunciou neste domingo que Florentino Pérez ultrapassou “uma linha vermelha” ao falar em “vender” parte do clube, pelo que afirmou que as eleições de 7 de junho se tornaram um “referendo” sobre o modelo de propriedade do Madrid, uma porta para a venda que, como deixará registrado em cartório, ele nunca abrirá.
“É um dia complicado. Depois de ler a entrevista do presidente, Florentino Pérez, no El País, confirma-se o que alguns ainda duvidavam e que foi o principal motivo que me levou a dar o passo, após 20 anos, de me candidatar, de forma inesperada, a estas eleições do Real Madrid. Que é o medo da venda do clube após mais de 120 anos”, disse ele à imprensa.
O empresário de Alicante convocou uma coletiva de imprensa após a referida entrevista de Florentino, que confirma “esse temor para todos os sócios”. “Florentino Pérez fala em vender para fundos estrangeiros. Ou seja, começar a fragmentar o que é de todos, para colocá-lo nas mãos de poucos. Hoje sabemos seu plano: vender uma parte do clube, diz que 5%, para alguém de fora. Convocar uma Assembleia controlada e um referendo às pressas, para mudar o modelo societário e apagar de uma só vez mais de 120 anos do clube", observou.
"Ele diz que, seja 5 ou 10%, isso não é nada. É preciso lembrá-lo de que ele controla pouco mais de 10% da ACS e controla totalmente a empresa. O risco não é apenas quanto se vende; o risco é abrir a porta. Ninguém compra uma parte do melhor clube do mundo em troca de nada. E o problema nunca é o tamanho do primeiro passo, é abrir a porta, porque o modelo do clube dos sócios, uma vez enfraquecido, não se recupera. Nenhum clube europeu que iniciou esse processo voltou atrás”, acrescentou.
“Florentino Pérez ultrapassou uma linha vermelha. Eu me comprometo com o contrário. Anuncio que, nesta semana, irei ao cartório para deixar por escrito, junto com minha Diretoria, um documento público, meu compromisso de campanha: jamais venderei qualquer parte do Real Madrid a terceiros. Convido publicamente Florentino Pérez a me acompanhar ao cartório para que possa assinar isso comigo”, insistiu.
Riquelme, que voltou a propor o debate televisionado até mesmo a Anas Laghrari, “que é quem está por trás dessa venda do clube”, explicou que há outras medidas para “aumentar as receitas”, “sem renunciar” ao modelo de propriedade do Madrid. “Os sócios merecem um debate sobre um tema tão crucial. Estas eleições já não se tratam de Florentino Pérez ou Enrique Riquelme. Não se trata apenas do modelo social ou esportivo, embora também se trate disso. Trata-se de vender ou não vender o clube. Por isso digo hoje, com absoluta clareza: estas eleições já não são eleições normais, estas eleições são diretamente o referendo sobre a venda do Real Madrid”, afirmou.
“Há a opção da privatização e a opção que garante que 100% do clube continue pertencendo aos seus sócios. Florentino foi um grande presidente, mas isso não lhe dá o direito de vender o clube. Ninguém é maior que o Real Madrid, ninguém; nem mesmo Florentino Pérez. Peço aos madridistas que o resultado dessas eleições seja a mensagem mais clara possível: que o Real Madrid não está à venda. Precisamos da maior mobilização da história para deter a maior ameaça ao clube de nossa história", concluiu.
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