Publicado 18/07/2026 03:21

'Dibu' Martínez: “A pressão não me incomoda, só tento calçar as luvas”

Emiliano Martínez, da Argentina, comemora a vitória durante a partida das semifinais da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Inglaterra e Argentina, no Atlanta Stadium, em 15 de julho de 2026, em Atlanta, Geórgia.
Jose Breton / AFP7 / Europa Press

MADRID 18 jul. (EUROPA PRESS) -

O goleiro argentino Emiliano Martínez negou que sinta “a pressão” por disputar neste domingo (21h) a final da Copa do Mundo da FIFA 2026 contra a seleção espanhola no MetLife Stadium, em East Rutherford (Nova Jersey, EUA), pois para ele “trata-se apenas” de “calçar as luvas” em cada partida com a ‘Albiceleste’.

“Podem marcar um, dois, três gols contra mim... na jogada seguinte, continuo sendo o mesmo ‘Dibu’. A pressão não me incomoda, só procuro calçar as luvas. Tenho essa confiança no gol, seja em um amistoso ou em uma final de Copa do Mundo. Tenho esse espírito do bairro dentro de mim; por mais que jogue com as pessoas que tenho à minha frente, sou o mesmo ‘Dibu’ que jogava no bairro El Jardín, em Mar del Plata”, declarou neste sábado — de madrugada na Espanha — durante sua coletiva de imprensa.

Em seguida, ele descreveu a “Roja” como uma “grande seleção”. “Conheço muitos companheiros que jogaram na Premier League e na La Liga. Meu companheiro Pau Torres sempre assiste aos jogos da Espanha e eu acompanho bastante por esse meio. Eles têm um ótimo técnico, que conhece muito bem o nosso técnico”, referiu-se ao técnico da Rioja, Luis de la Fuente.

“Não é só o Lamine [Yamal], eles se empenham muito pela equipe e, na verdade, é uma grande seleção. Não foi à toa que chegaram à final, eles têm seus pontos fortes. Mas nós também temos os nossos, e espero que seja uma partida que o público possa lembrar por muito tempo”, comentou Martínez.

“Precisamos vencer, estou focado apenas em vencer, não penso além disso, em vencer. Essa superação é de toda a equipe; há anos que vemos construindo algo que é difícil de descrever em palavras. A verdade é que, às vezes, eu choro só de pensar no que conseguimos”, admitiu.

“Como jogador profissional, a gente nem percebe onde está. Minha mensagem para todos os meus companheiros é aproveitar esses três dias, nos prepararmos com alegria. Com alegria, sabendo que as coisas podem dar certo ou errado, mas aproveitando o momento que vai ficar na nossa memória para o resto da vida”, explicou de Nova York o goleiro do Aston Villa.

“Sinto-me muito tranquilo nessas fases”, comentou ele sobre as rodadas eliminatórias. “Porque, no fim das contas, muita gente acha que o goleiro defende bem apenas ao defender boas bolas. Mas, na verdade, o goleiro vai muito além disso. Desde a mensagem antes da partida, na postura na trave, na ousadia de sair para pegar um cruzamento, com a bola bem atrás, manter a calma, etc.”, enumerou ele a esse respeito.

“A Inglaterra me pressionou muito nos primeiros 40 minutos e, depois, vimos que conseguimos sair jogando. São aspectos do futebol que mostram aos meus companheiros que eles estão tranquilos. E, no fim das contas, os rapazes são tão bons jogando futebol que eu tenho que demonstrar segurança e tranquilidade para eles vindo de trás. Quando sabem que estão tranquilos, quando olham para trás, eles se concentram apenas no que está à frente”, ressaltou.

“Meu trabalho é tentar ajudá-los, tentar estar presente quando mais precisarem de mim. Nesta Copa do Mundo, graças a Deus, conseguimos marcar três gols por partida e, defensivamente, jogamos uma partida a mais e levamos um gol a menos do que na Copa do Mundo passada. Por isso, estou ansioso por não levar nenhum gol”, disse ele.

Em seguida, ele falou sobre a lesão na mão direita. “Dói todos os dias. Eu sabia que ia doer muito, mas evitei a cirurgia. Todos os especialistas em mãos que consultei nos Estados Unidos, na Inglaterra... isso nunca tinha acontecido comigo antes. Todos me diziam que eu precisava me operar; caso contrário, não poderia jogar. Obviamente, durante toda a fase de grupos, não pude treinar com o time. Isso me afeta muito, porque sou alguém que adora treinar. Mas hoje em dia já não penso mais nisso. Depois do Egito, já treinei normalmente e, sinceramente, me sinto muito melhor”, afirmou.

“Minha preparação foi totalmente diferente da dos outros. Até dois dias antes da primeira partida, eu jogava com uma mão só, parecia um manco. E continuar conversando com as pessoas agora é só uma questão de mentalidade. Obviamente, nunca quero ser o protagonista na seleção. Na última Copa América, só tive que defender uma vez contra o Equador porque eles empataram aos 92', acho, ou aos 90'. Depois, é só ser sólido e, no final, na Inglaterra, eles vieram nos pressionar nos primeiros três minutos e saímos tranquilos. E essa tranquilidade, às vezes, vale muito mais do que defender um pênalti”, reiterou.

“Sempre fui mais um torcedor da seleção. Mas desde que fui para a Inglaterra, obviamente, tive um problema familiar que precisei superar naquele momento. Mas meu objetivo sempre foi ser o goleiro da seleção argentina, porque defendi em todas as categorias de base. E quando cheguei à seleção principal, nunca foi algo novo. Eu já vivia isso a vida toda. Venho treinando nas instalações da AFA desde os 15 anos e, para mim, é uma vida inteira na seleção, não são apenas seis anos”, destacou Martínez.

“Acho que, quando temos uma família, a união e muitas coisas em comum com o grupo nos fizeram crescer ano após ano e, obviamente, as pessoas passaram a nos conhecer cada vez mais depois de conquistarmos títulos. Quero que se lembrem de nós, como de qualquer argentino, de que somos trabalhadores, que nunca desistimos e que, mesmo quando as coisas são difíceis, sempre saímos por cima, como estamos vivendo nesta Copa do Mundo”, reconheceu.

“Não me importo em não ter um troféu de melhor jogador, não me importo em aparecer na primeira página dos jornais. O que me importa é que meus companheiros confiem em mim, que o técnico confie em mim. O técnico me mandou uma mensagem dizendo: ‘Seja como for, eu te quero no meu time’. Para mim, isso tem muito mais valor do que defender 10 pênaltis e aparecer na primeira página do jornal. E se meu momento não chegar... a final tem o mesmo tamanho, a mesma cor e vamos levá-la da mesma forma para a Argentina”, argumentou ‘Dibu’.

“No fim das contas, quero que meus companheiros sejam os destaques, e o goleiro é sempre o único que não comemora os gols, o único que fica sozinho. E, na verdade, nunca quis ter o papel de protagonista. Mas se chegar a hora, vou tentar fazer isso para ajudar meus companheiros, porque foram eles que me ajudaram a chegar à final”, destacou.

“Estou curtindo esta Copa do Mundo muito mais do que a anterior. Sofri muito depois da partida contra a Arábia; eles chegaram duas vezes ao meu gol: dois gols, e eu fiz apenas uma defesa. Contra o México, que foi igual à Áustria, fiz uma defesa. A Polônia não chegou ao meu gol como a Jordânia chegou; ela chegou e marcou. A Austrália chegou duas vezes e marcou um gol. A Holanda chegou duas vezes e marcou dois gols. E me perguntam: ‘você não teve um papel mais decisivo?’. “Por quê? Só pelos pênaltis”, resumiu ele sobre seu papel recente.

“Acho que estou jogando melhor com os pés, estou tomando decisões muito melhores do que antes. E, para mim, estar na minha segunda final com a seleção não é motivo para me atribuir méritos; quero ser eternamente grato a todo o povo argentino e aos meus companheiros. E só resta aproveitar. Vou entrar em campo e vocês vão me ver sorrindo, porque é algo que muitos jogadores não conseguem alcançar”, avisou.

Por fim, ele relembrou a final do Catar 2022. “Fomos totalmente superiores à França por 90 minutos, ou melhor, por 80 minutos, até que marcaram o pênalti. Obviamente, no final, sofri três gols, e em uma final, normalmente, quando você sofre três gols, está mais fora do que dentro. Tive que só tocar, aos 123 minutos, em uma bola que ficou totalmente sozinha depois de estarmos ganhando durante todo o jogo, e às vezes a bola pode bater em você e entrar. Contra a Jordânia, eu toquei e ela entrou; outro dia, ela passou entre meus pés. Graças a Deus, na final, ela não passou entre meus pés”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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