Publicado 10/09/2026 08:25

Deco: “Eles não quiseram vender o Julián, essa é a verdade”

O diretor esportivo do FC Barcelona, Deco
GERMAN PARGA - FC BARCELONA

BARCELONA 10 set. (EUROPA PRESS) -

O diretor esportivo do FC Barcelona, Deco, afirmou nesta quinta-feira que o clube fez uma oferta pelo atacante argentino Julián Álvarez, mas que o Atlético de Madrid “não quis vender o jogador”, ao mesmo tempo em que negou qualquer irregularidade por parte da diretoria em uma negociação que, no fim das contas, não deu certo, e destacou o bom momento da equipe de Hansi Flick, o desempenho de Raphinha e sua aposta em Lamine Yamal como favorito à Bola de Ouro.

“Tentamos contratar um jogador e não deu certo. Só isso. Mas não fizemos nada de errado”, afirmou Deco em entrevista ao programa “El Món a RAC1”, na qual também negou que o Barça tivesse pedido a Julián Álvarez que forçasse sua saída do Atlético. “Fizemos as coisas da maneira certa. Fizemos uma oferta, não houve resposta. Depois, tudo já foi discutido na imprensa. Eles não quiseram vender o jogador, e pronto. A realidade é essa. Nunca dissemos a ele para dizer que queria sair do Atlético”, explicou.

Ele também rejeitou as acusações vindas do clube rojiblanco e garantiu não ter conhecimento dos acordos que o atacante pudesse ter com seu atual clube. “Não posso dizer muito mais. Fizemos uma oferta. Não tenho como saber dos acordos”, destacou Deco.

Nesse sentido, ele esclareceu que a proposta por Julián Álvarez previa o pagamento da transação “em três temporadas, não seis”, em referência às informações que apontavam para uma fórmula de pagamento mais prolongada, e negou ter qualquer problema com o ex-diretor esportivo do Barça, Mateu Alemany. “Não tenho nenhum problema com Mateu Alemany, nunca fiz nada contra ele. Trabalhamos juntos no Barça por um tempo e não houve problemas”, afirmou.

Deco também defendeu o trabalho realizado pelo clube durante a janela de transferências e explicou que o grupo reduzido responsável pelas negociações permitiu manter a estratégia sem vazamentos. “Temos um grupo de trabalho fechado. Se dependesse da imprensa, contrataríamos 50 jogadores, e isso é normal, eu entendo. Mas quanto mais barulho, mais tudo se complica. Além disso, há pessoas que se aproveitam de nós”, observou.

“O Barça é muito forte e há muita agitação em torno dele. Nós nos mantivemos fiéis à nossa ideia. No dia a dia, somos o Bojan, eu, o técnico e, é claro, o presidente. Tínhamos uma ideia clara do que buscaríamos e do time que tínhamos no final da última temporada. Os vazamentos não ajudam a fechar contratações”, acrescentou.

Entre as contratações, ele explicou que Anthony Gordon foi uma aposta consensual após analisarmos “muitos alas” e diante das dificuldades para contratar na Premier League. “No ano passado, tivemos dificuldades sem o Raphinha. Parecia que a energia do time estava diminuindo. Analisamos muitos alas, mas contratar na Premier League é muito difícil. O perfil se encaixou no que o Flick procurava e então começamos a trabalhar na negociação. Anthony ajudou e pressionou porque estava animado para vir. Pagamos seu valor de mercado”, detalhou.

Por outro lado, Deco explicou que Bernardo Silva não se encaixava na posição que o Barça buscava, apesar de considerar que o português é um jogador de altíssimo nível. “Não era a posição que buscávamos. Eu o adoro, além disso, ele é português. Soubemos que ele queria vir e, com o nível dele, estava claro que viria para agregar valor. Mas há outros parâmetros e não podíamos ultrapassar os limites. Não apenas por uma questão de dinheiro, mas também por uma questão de tempo de jogo. Ele tinha expectativas diferentes das que podíamos oferecer”, indicou.

Sobre Rodri, ele reconheceu que o Barça não havia considerado sua contratação meses atrás, pois entendia que o meio-campista não deixaria o Manchester City. “Há alguns meses, não teríamos considerado isso, pois achávamos que ele não sairia do City. Estava convencido de que eles queriam renovar o contrato dele”, explicou Deco, que entrou em contato com o diretor esportivo do time inglês, Hugo Viana, quando surgiram as primeiras notícias sobre uma possível saída.

Deco considerou que o elenco não precisa necessariamente de um centroavante de referência após a saída de Robert Lewandowski. “Robert era o melhor de todos. Há poucos jogadores como ele”, afirmou, antes de citar o Paris Saint-Germain como exemplo. “Veja o PSG, que não tem um ‘9’ de verdade. Um ‘9’ clássico condiciona a sua maneira de jogar. Muitos jogadores do elenco conseguem se adaptar para jogar da maneira que Flick quer”, explicou.

“Não acho que a equipe esteja precisando de um artilheiro. Raphinha está indo muito bem e Gabriel é o que mais se assemelha a esse ‘9’ clássico. E temos Hamza, um ‘9’ com futuro”, acrescentou.

Justamente, ele destacou o crescimento de Raphinha, cuja nomeação como capitão ele entende como um reconhecimento à sua trajetória dentro do vestiário. “A capitania o fortalece por mérito. Todo jogador tem seu orgulho e o ‘Rapha’ vem construindo sua história e conquistou o respeito dos companheiros. Ele está feliz aqui. Flick tirou o melhor dele. Estou vendo ele muito bem”, observou.

Por outro lado, ele se mostrou surpreso com as ausências de Pedri e Raphinha entre os indicados ao Ballon d’Or e apontou Lamine Yamal como seu principal favorito. “Acho que Lamine é o grande candidato. Ele venceu com o Barça e é campeão mundial. Foi fundamental na última temporada e foi o melhor da Liga. Não vejo nenhuma dúvida.” E classificou como “escândalo mundial” o fato de Pedri e Raphinha não constarem na lista. “Há injustiças que são cometidas. O fato de o Pedri não estar na lista, com todo o seu talento, me parece incompreensível”, lamentou.

Quanto a Alejandro Balde, Deco descartou que haja qualquer problema com o lateral e lembrou que ele continua tendo um futuro importante no clube. “Não aconteceu nada. Ele é nosso jogador, tem 22 anos e um grande futuro pela frente. Ele precisa disputar a vaga com os outros. Em seu primeiro ano com o Flick, ele foi espetacular. No ano passado, sofreu lesões. Mas, se esse Balde voltar, será difícil ele não jogar no Barcelona”, explicou.

Quanto a Frenkie de Jong, ele evitou se pronunciar sobre a lesão e negou que a chegada de Rodri possa ter relação com a situação do holandês. “Não quero entrar no assunto médico. Há pessoas que contam com especialistas para se informar. É um assunto muito pessoal. A chegada de Rodri não afeta”, garantiu.

Deco também falou sobre a saída de Marc Casadó, a quem citou como exemplo do caminho que os jogadores da base devem seguir, apesar das dificuldades para conquistar uma vaga no time principal. “Marc é um culé. Ele nos ajudou muito na época. Foi convocado mais de 30 vezes pelo Xavi e não jogou. Foi para a equipe reserva. É um exemplo para a Masia. Nem todos podem jogar”, lembrou.

Ele também avaliou o início de temporada do time, que está apresentando resultados melhores do que o esperado. “O que me anima é o dia a dia, não os jogos. Há um clima e uma atitude muito bons. Temos a segurança das semanas, dos treinos. O jogo é o resultado final do trabalho. Tudo está saindo melhor do que pensávamos. Há coisas que não dá para controlar, mas estamos muito felizes. Isso nos dá segurança”, explicou.

Além disso, ele evitou entrar em detalhes sobre os cálculos do “fair play” financeiro para a próxima temporada. “Um ano é muito longo. Não penso no ano que vem, ainda é cedo. Não acho que agora seja o momento de falar sobre isso”, concluiu.

Por fim, comemorou o bom momento de Ferran Torres após seus três gols e destacou a importância do aspecto psicológico no desempenho dos jogadores. “Estou feliz pelos três gols dele. O futebol é uma questão de ânimo e de cabeça. Todos nós saímos bem. Ele queria mais destaque. Se um jogador quer sair, temos que ouvi-lo. Desejo tudo de bom ao PSG”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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