José Oliva - Europa Press
MADRID 6 maio (EUROPA PRESS) -
O ex-nadador brasileiro Daniel Dias, vencedor de 27 medalhas nos Jogos Paraolímpicos, não tem dúvidas da importância que o esporte teve em “mudar” sua vida, além de suas “conquistas”, e comemora igualmente a “enorme alegria” que representa ter se tornado um exemplo para meninos e meninas com e sem deficiência.
“Eu acredito que sim, que o esporte é muito importante. O esporte mudou minha vida, e não por todas as medalhas e conquistas que tive, mas porque me mostrou o que posso fazer ou o que quero fazer, e isso é muito importante”, afirmou Dias à Europa Press durante sua passagem por Madri para a Gala do Prêmio Laureus.
O multicampeão paralímpico acredita que a Laureus desempenha esse papel do esporte “para muitas crianças”. “Sou embaixador da Laureus e membro de sua Academia, e para mim isso é uma alegria, porque sei o que a Laureus faz no mundo, o que faz usando o esporte para a vida de crianças e de muitas pessoas”, enfatizou.
Dias, agradecido por ser considerado uma lenda, lembra com “alegria” como decidiu ser atleta. Foi durante os Jogos Paraolímpicos de Atenas 2004, ao ver seu compatriota e nadador Clodoaldo Silva. “Quando o vi, disse ao meu pai e à minha mãe que queria fazer aquilo”, contou.
Agora, ele é uma referência, tanto no Brasil quanto no mundo. “Eu sei o quanto é importante ouvir meninos e meninas que agora olham para o Daniel Dias e dizem aos pais que também querem fazer isso. Isso é uma alegria enorme para mim”, expressou o ex-nadador.
Ele teve a sorte de viver uns Jogos em seu país natal, em 2016. “Quando falo de 2016 e daqueles Jogos Paraolímpicos em casa, lembro-me deles como se fossem hoje”, comentou com um sorriso antes de relembrar um momento que o marcou. “Uma criança que estava assistindo à competição me disse: ‘Daniel, você é um exemplo para mim’. E essa criança não tinha nenhuma deficiência, e para mim isso é incrível, porque nem nos meus melhores sonhos eu imaginava que alguém com deficiência pudesse fazer isso. Isso, para mim, é um grande legado”, afirmou.
“Nos Jogos de 2016, eu já tinha dois filhos, Asaph e Daniel, e a cada medalha e a cada conquista que alcançava na piscina, eu olhava para eles e dizia que era para eles; isso, para mim, foi incrível”, acrescentou Dias sobre aquele evento, sem esconder que “o esporte de alto rendimento é muito difícil”. "Hoje ainda tenho ótimas lembranças dele, mas para mim está tudo bem fazer o que estou fazendo agora", destacou o brasileiro, que se aposentou após os Jogos Paraolímpicos de Tóquio de 2021.
Dias competiu na classe S5, a mesma em que esteve até sua última lesão no ombro a espanhola Teresa Perales, vencedora de 28 medalhas paralímpicas e a quem o brasileiro elogiou. “Teresa é uma grande atleta e, para mim, é um exemplo. Teresa é incrível, incrível, e quando paro para pensar sobre a vida e tudo o que ela faz pelo esporte paralímpico mundial, é algo fenomenal. Ela é uma lenda”, afirmou.
Por fim, o vencedor de 14 medalhas de ouro paralímpicas lamentou a perda de “um grande amigo”, como era o ex-jogador de basquete brasileiro Oscar Schmid. “Ele era um grande atleta e, sem dúvida, deixou um grande legado, não só para o basquete, mas também para o esporte brasileiro e mundial”, confessou.
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