Oscar J. Barroso / AFP7 / Europa Press
MADRID 14 mar. (EUROPA PRESS) -
O ex-karateca espanhol Damián Quintero relembra os Jogos Olímpicos de Tóquio, onde conquistou a prata na modalidade de kata, com “pressão total” e com a mochila “cheia de pedras” devido ao peso que representava o fato de sua medalha ser uma das “certas”, embora não esconda que o momento mais feliz de sua carreira esportiva foi o ouro de 2023 na Série Mundial.
“Lembro-me dos Jogos Olímpicos de Tóquio com pressão total. Quando coloquei a medalha e joguei fora a mochila cheia de pedras que carregava, disse a mim mesmo: ‘Ainda bem que conseguimos’. Havia muita pressão porque nos colocavam o rótulo de ‘medalha garantida’. Era a única coisa que eu tinha na cabeça. Depois veio a pandemia, eram muitas sensações e o que me cercava no âmbito esportivo também não me satisfazia muito”, afirmou o vice-campeão olímpico em Tóquio em 2021, onde seu esporte foi olímpico pela primeira e única vez, em entrevista à Europa Press.
Quintero lembra que, ao chegar a Tóquio, disse a si mesmo que estava “sozinho”. “A mente é tão forte que, quando entrei naquela área de aquecimento no Budokan, isso mudou. Eu disse a mim mesmo: ‘isso é o meu lugar, o que eu sei fazer é estar no tatame praticando kata. Por que você ficaria nervoso?’ E foi assim mesmo. Da competição em si, lembro-me muito bem. De todo o resto, não”, relembrou após uma cerimônia de homenagem no COE. Um karateca que conseguiu se manter na elite por mais de duas décadas, algo cuja magnitude ele só agora percebeu. “Sempre pensei no resultado, em mais uma e mais uma medalha. Agora você vai percebendo o número de medalhas, mas o legado que pude deixar é o que mais me satisfaz. Ter sido uma referência para meninos e meninas, ter aberto um caminho, algumas portas que talvez estivessem fechadas há anos”, observou. Uma carreira tão longa em que a chave foi “zerar o contador”. “É estabelecer metas de curto prazo e não ir além de um ano. Eu dizia: ‘bem, mais um europeu, tenho cinco, mas não tenho seis’. Uma pergunta mais ou menos parecida foi respondida por Rafa Nadal quando lhe perguntaram como ele se motivava em Roland Garros. Sempre queremos mais porque estamos imersos nessa roda da competição”, acrescentou. “O ponto de inflexão foi a prata olímpica. Eu vinha de uma época muito difícil, passei pela época de ouro e continuei. É uma mensagem para as jovens promessas: elas devem pensar que, mesmo que não estejam nos Jogos, é possível alcançar o sucesso, podem criar uma marca, conseguir patrocinadores, ser campeãs do mundo e da Europa. É a isso que aspiramos agora. E se isso não te convence, é porque você não está no lugar certo”, analisou o malagueño.
“DEPOIS DE TÓQUIO, EU TREINAVA NUM CANTINHO, ESTAVA QUASE FORA DO TATAME” Quanto ao melhor momento de sua longa carreira, Quintero tem certeza de que foi em 2022 e 2023, quando “parecia que as pessoas estavam me deixando de lado no CAR”. “Tínhamos um tatame bastante amplo e eu treinava num ‘cantinho’, estava quase afastado daquele tatame. Eu. Parece estranho, mas é assim”, sublinhou. “Juntamente com o meu treinador José Alburquerque, no primeiro torneio, conquistámos a primeira medalha de ouro num circuito mundial. Para mim, essa medalha é muito mais valiosa do que a do Campeonato Mundial. Estavam lá os 32 melhores do mundo, não apenas todos os que representam os países. E aos 40 anos fizemos a melhor temporada da minha vida. Lembro-me mais dessa temporada do que, talvez, do simples fato de dizer que ganhei uma medalha nos Jogos”, afirmou o bicampeão mundial.
Uma vida esportiva repleta de sucessos, na qual Damián Quintero destaca ter sabido cercar-se “de uma boa equipe”. “Fui o primeiro a conseguir um patrocínio no mundo do karatê em relação aos ‘karatekinos’, os trajes que usamos. Você vai abrindo essas portas que talvez naquele momento você não perceba, porque está imerso em conquistar o que é seu. Mas, no dia menos esperado, como é hoje, você percebe o que abriu, o que fez pelo seu esporte e pelas outras pessoas. Espero que estejam gratos”, observou. Quanto ao futuro, ele se vê, apesar de sua carreira como engenheiro aeroespacial, “ligado ao karatê” e “não como treinador”. “Acho que me vejo como gestor, dentro da Federação Espanhola ou Mundial. Posso contribuir com minha experiência nessas áreas. No fim das contas, são pessoas que estão há muitos anos no comando e têm dirigido muito bem, mas talvez seja bom atualizar algumas coisas, assim como ouvir quem já esteve no tatame”, concluiu.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático