Irina R. Hipolito / AFP7 / Europa Press
MADRID 29 mar. (EUROPA PRESS) -
O zagueiro hispano-colombiano Cristhian Mosquera não hesita em apelar à "paciência", uma virtude que possui e que é a que “abre portas”, como a de sua primeira convocação para a seleção espanhola, uma chamada que reaviva seu sonho de, “espero”, poder estar na Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá e que encerra uma trajetória de “muitas etapas com momentos bons e outros nem tanto”, na qual sua família também é fundamental para que ele possa se concentrar “no dia a dia”.
Mosquera foi uma das novidades de Luis de la Fuente para os amistosos contra a Sérvia, em que estreou na Seleção Principal, e o Egito, embora não tenha chegado “nervoso” ao estágio. “É claro que a gente sente aquelas ‘borboletas no estômago’, aquela vontade dessa nova experiência já com a Seleção Principal. Conheço bastante bem este lugar, também tive a oportunidade de conviver com muitos dos que estão aqui e, na verdade, nestes primeiros dias estou muito contente com a adaptação”, disse Mosquera à Europa Press após um treino na Cidade do Futebol em Las Rozas (Madri).
O jogador do Arsenal FC estreou na última sexta-feira contra a Sérvia com a campeã europeia, uma meta com a qual sonha desde que estreou na Sub-15. “Lembro-me daquele primeiro dia aqui em Las Rozas, foi a primeira convocação que nossa geração pôde receber”, observou. “Passei por várias etapas, momentos bons, outros nem tanto. Ver que agora estou aqui, só quero agradecer a Deus por me dar essas oportunidades”, acrescentou.
Nesse sentido, aos 21 anos e depois de todas essas etapas, ele não ficou nervoso com a convocação de Luis de la Fuente. “No mundo do futebol sempre há esse barulho externo, mas eu, acima de tudo, me caracterizo por uma palavra que, há anos, levo sempre comigo: paciência. Tive, na minha jovem carreira, entre aspas, por assim dizer, muitos momentos de espera, de saber que o momento vai chegar, de saber que Deus tem um plano e um tempo para cada coisa. E bem, agora chegou, então estou muito feliz”, destacou o zagueiro.
De qualquer forma, ele sabe que esta é a última convocação antes de o técnico divulgar a lista dos selecionados para a Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá. “Estar aqui com este grupo de jogadores e o técnico ter me dado a oportunidade é algo que eu também não esperava”, admite. “É uma loucura o que estou vivendo, então tenho que aproveitar. Quem sabe, só Deus sabe se terei a oportunidade de estar nessa lista, mas acredito que todo jogador que joga por um país tem essa esperança de poder ir a uma Copa do Mundo”, destacou Mosquera.
O zagueiro, filho de pais colombianos, também poderia jogar pela Colômbia, mas o jogador, que sempre demonstrou seu compromisso com a Espanha, não se preocupa em ter que tomar uma decisão. “É a paciência que abre as portas”, insistiu. “No fim das contas, no meu clube, dedico-me a manter o foco e a esquecer o que se fala lá fora. Minha família também me ajuda muito nisso, a me concentrar no dia a dia, no que faço e no que depende de mim, a continuar trabalhando. Tive a oportunidade de vir para esta convocação e espero poder ir para a Copa do Mundo”, concluiu sobre o assunto.
Nesta convocação, o hispano-colombiano poderia ter tido a oportunidade de conquistar um título com a Seleção Principal na disputa de uma ‘Finalissima’ contra a Argentina, que acabou sendo cancelada. “Ouvi um pouco o que se comentava. É verdade que eu estava em ritmo com a Sub-21 e que também havia a opção da Seleção Principal. Também estava com o Zubimendi e com o David (Raya), que estão sempre comentando o que acontece. Acho que esses dois amistosos também vão servir muito para o grupo se preparar para o que está por vir”, destacou.
ELOGIOS A CUBARSÍ E HUIJSEN
Mosquera entrou em campo na sexta-feira no lugar de Pau Cubarsí, outro zagueiro jovem como Dean Huijsen, de 19 e 20 anos, respectivamente, já consolidados na Seleção Principal e com quem ele teve “a sorte” de jogar antes desta convocação. "São jogadores incríveis; se você não os conhece e lhe dizem a idade que têm, você não acredita, porque pela forma como jogam e pela calma que demonstram, já parecem veteranos. É um prazer dividir a defesa com eles nesta concentração; você também aprende com pessoas como eles", ressaltou o 'gunner'.
Quem ele não conhecia a fundo é Luis de la Fuente. “Ele já tinha feito parte de alguma comissão técnica quando eu estava nas categorias de base e, de vez em quando, a gente se cruzava”, comentou o zagueiro, que acredita que o técnico de La Rioja tem uma “visão de jogo bem diferente” daquela que Mikel Arteta pode ter no Arsenal.
“Cada um tem seu estilo de jogo, sua maneira de transmitir também o que querem ver em você como jogador em campo, mas, no fim das contas, Mikel também é espanhol e esse objetivo de ter a posse de bola e querer dominar o adversário é algo que os dois têm”, esclareceu Mosquera.
O zagueiro central também não esquece a “experiência inesquecível” de ser campeão olímpico em 2024. “É algo que vou levar comigo para o resto da vida. Além do troféu, que nem precisa de muitos comentários, a experiência do grupo que formamos, que ficamos concentrados por bastante tempo e, na verdade, nos divertimos muito”, confessou.
Por outro lado, sobre o papel atual dos jogadores em sua posição, o zagueiro tem certeza de que “o futebol também evoluiu ou mudou bastante” e que, em sua posição, “antes se exigiam outras coisas que agora continuam sendo exigidas ou são exigidas de outra forma”. “Tudo evolui, não só os zagueiros centrais, mas acho que, para as minhas qualidades, o futebol de hoje me faz bem, também o de um zagueiro central ousado e que exige outras qualidades”, explicou.
"NÃO FOI FÁCIL IR PARA O ARSENAL"
E sua evolução foi impulsionada pela sua saída, no verão passado, do Valencia CF, onde se formou como jogador, para o Arsenal, algo que "não foi uma decisão fácil". "Passei praticamente metade da vida, ou toda a vida, em Valência, e afastar-se daquilo que é o seu lar não é fácil, mas foi a decisão certa. Estou muito feliz em Londres e me adaptei bem mais rápido do que imaginava”, reconheceu o jogador do líder da Premier League.
“Todos sabemos que a Premier League é um campeonato muito exigente fisicamente, e eu já sabia disso; muitas pessoas me disseram que, pelo meu perfil de jogo, eu poderia me encaixar na Premier League. Acho que, quando chegou a hora de partir e provar meu valor, me saí bem”, acrescentou Mosquera.
No Arsenal, ele também pode aprender com dois zagueiros consagrados, como o brasileiro Gabriel Magalhães e o francês William Saliba. “É uma loucura. Desde o primeiro dia, os dois têm estado ao meu lado me dando conselhos, sempre tentando me apoiar, como pais, como irmãos mais velhos, e estou muito grato a eles. São dois dos melhores zagueiros centrais do mundo e é um prazer e um privilégio treinar com eles e poder vê-los todo fim de semana”, comemorou.
Outra “loucura” é disputar a Liga dos Campeões pela primeira vez na carreira. “É uma experiência jogar contra os melhores times da Europa. Eu também estreava este ano na Champions; qual jogador não sonha em um dia ouvir o hino da Champions e poder disputar uma competição como a Champions? Acho que este ano não estamos indo mal, agora estamos nas quartas, e espero que possamos chegar mais longe e conquistar o título”, desejou o zagueiro.
No entanto, parece haver muita pressão sobre um time que lidera a Premier League e é considerado favorito para a Champions, ainda mais depois de perder recentemente o título da Carabao Cup para o Manchester City, embora ele venha de um ambiente como o do Valencia CF e de “toda a história que envolve” o clube ‘che’.
“O Arsenal também é um clube bastante grande e, nos últimos anos, não conseguiu o que queria, mas acho que este ano estamos preparados e cientes de que temos em nossas mãos a possibilidade de conquistar títulos; então, vamos fazer todo o possível para dar alegrias à torcida”, afirmou Mosquera.
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