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MADRID 7 jul. (EUROPA PRESS) -
O Comitê Olímpico Internacional (COI) suspendeu “provisoriamente” nesta terça-feira a suspensão do Comitê Olímpico Russo e garantiu que as recomendações às federações internacionais sobre a participação de atletas russos, em vigor desde fevereiro de 2022 devido à invasão da Ucrânia pela Rússia, não são mais aplicáveis, pelo que os atletas poderão participar dos processos de qualificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
“A Diretoria Executiva do COI suspendeu provisoriamente a suspensão do Comitê Olímpico Russo, que estava em vigor desde 12 de outubro de 2023. A decisão foi tomada após uma análise exaustiva realizada pela Comissão de Assuntos Jurídicos do COI, ao considerar que o Comitê Russo já não conta entre seus membros com nenhuma organização esportiva regional dos territórios que se encontram sob a jurisdição do Comitê Olímpico Ucraniano”, afirmou o comunicado do COI.
Essa decisão surge depois que, em sua reunião de 7 de maio de 2026, o Comitê Executivo do COI decidiu suspender as condições de participação recomendadas às federações internacionais e aos organizadores no que diz respeito à Bielorrússia e aos atletas bielorrussos.
Em sua reunião desta terça-feira, realizada virtualmente a partir da Casa Olímpica de Lausanne (Suíça) para aprovar o programa dos Jogos de Inverno dos Alpes franceses de 2030, o Comitê Executivo do COI também informou sobre o levantamento dessa proibição à Rússia, embora continue “acompanhando de perto” a situação relativa a qualquer atividade do Comitê Olímpico Russo nesses territórios ucranianos, reservando-se o direito de “adotar qualquer outra medida que considere necessária”.
O órgão explicou que, uma vez que o período de qualificação para Los Angeles 2028 já teve início e “diante da necessidade de oferecer a todos os atletas igualdade de acesso”, o Comitê Executivo do COI decidiu que as condições de participação recomendadas às Federações Internacionais e aos organizadores no que diz respeito aos atletas e equipes russos “não são mais aplicáveis”, ficando, portanto, a critério de cada federação permitir a realização de competições em território russo e a exibição da bandeira e do hino do país.
Embora o COI tenha deixado claro que “não organizará eventos próprios na Rússia nem convidará membros do governo ou do Estado russo para seus eventos”. “O COI tomará uma decisão a respeito da exibição da bandeira, do hino, das cores ou de qualquer outro símbolo de identificação da Rússia nos Jogos Olímpicos no momento oportuno”, antecipou o órgão.
“De acordo com a Carta Olímpica, e tal como se aplica a todos os Comitês Olímpicos Nacionais em geral na hora de selecionar os atletas que participam dos Jogos, o Comitê Olímpico Russo deve garantir que a seleção dos atletas russos se baseie não apenas em seu desempenho esportivo, mas também em sua capacidade de servir de modelo a ser seguido, que respeite, defenda e promova uma sociedade pacífica por meio do esporte”, solicitou o COI em seu comunicado.
Além disso, eles lembraram que, para “enfrentar a falta de confiança”, os atletas russos que retornarem às competições internacionais “deverão cumprir os requisitos antidoping pertinentes, em particular os estabelecidos nas normas antidoping do COI e das Federações Internacionais, bem como as melhores práticas estabelecidas pela Agência Mundial Antidoping (AMA)”.
“Caso a WADA continue a considerar a Agência Antidoping da Rússia (RUSADA, na sigla em inglês) como não conforme em 2028, antes dos Jogos de Los Angeles 2028, o COI dará instruções à Agência Internacional de Testes (ITA, na sigla em inglês) para que garanta que todos os atletas russos classificados tenham se submetido a controles independentes seguindo a mesma abordagem”, acrescentou o documento.
Em seu comunicado, o COI afirmou que sua posição em relação à invasão da Ucrânia pela Rússia não mudou, “condenando-a veementemente”. “De maneira mais geral, o COI condena as guerras, os conflitos armados e a violência que causam sofrimento humano, onde quer que ocorram. Em um momento de crescente instabilidade e divisão em todo o mundo, o COI mantém seu compromisso de promover a paz por meio do esporte entre as pessoas e as nações”, afirmou.
“O COI se solidariza com a comunidade olímpica da Ucrânia, à qual o Movimento Olímpico tem prestado apoio desde o início da guerra e continuará a fazê-lo. O COI criou um Fundo de Solidariedade para a Ucrânia com o objetivo de que os atletas tenham apoio para superar os enormes desafios que continuam enfrentando”, acrescentou o órgão, que “continuará prestando seu apoio por meio dos programas de solidariedade existentes”.
Com relação às recomendações do COI sobre os atletas russos e bielorrussos, o COI lembrou que atletas neutros a título individual participaram de “inúmeros eventos internacionais” das Federações Internacionais, como os Jogos Olímpicos de Paris em 2024 e os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina em 2026. “Salvo raras exceções, os atletas neutros a título individual participaram sem nenhum incidente, tanto dentro quanto fora do campo de competição”, destacou o órgão.
O COI, por fim, explicou que toma essa decisão ao “ter de lidar com as complexas realidades e consequências do atual contexto geopolítico”, em meio a “uma crescente instabilidade e conflitos em nível mundial”. E acredita que “deve manter sua missão de preservar uma plataforma esportiva verdadeiramente global e baseada em valores que ofereça esperança ao mundo”.
“O COI reconhece que a participação de um atleta em competições internacionais não deve ser limitada pelo envolvimento de seu governo em uma guerra ou conflito”, concluiu o comunicado do órgão internacional.
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