Angel Perez Meca / AFP7 / Europa Press
MADRID 4 jul. (EUROPA PRESS) -
O técnico da seleção masculina de basquete, Chus Mateo, admite que já está se acostumando a um novo papel, no qual vê que “ainda há um longo caminho pela frente” e no qual é preciso ter “paciência suficiente para perceber que, certamente, os objetivos se situam mais no médio ou longo prazo do que no curto”, como seria o caso de um clube, ao mesmo tempo em que comemora a boa disposição que encontrou nos jogadores, “tão dispostos a ouvir”.
“Bem, a gente começa a se acostumar com a ideia, disso não há dúvida; o que é certo é que disputamos apenas quatro partidas, em três semanas, por isso vejo que ainda tenho um longo caminho pela frente e pouco percurso feito até agora, mas, de qualquer forma, me sinto à vontade”, afirmou Chus Mateo em entrevista à Europa Press durante a concentração da equipe em Madri, a terceira que realiza desde que foi nomeado técnico.
O madrilenho admite que passar de um clube como o Real Madrid e seu dia a dia para uma seleção que tem outro ritmo “é uma grande mudança, sem dúvida alguma” e que faz com que a gente tenha que se acostumar “a um dia a dia diferente” e “ter paciência suficiente para perceber que, certamente, os objetivos se concretizam mais a médio ou longo prazo do que a curto prazo”.
Assim, ele tem clareza de que “o dia a dia de um clube exigente”, como o Real Madrid, com a Euroliga, a Liga Endesa, a Copa do Rei e a Supercopa, “representa 90 partidas”. “Agora estou no quarto ano e é muito diferente; é um dia a dia de acompanhamento, de contato com os jogadores, de tentar obter um comprometimento que, a longo prazo, é importante”, ressaltou antes de conquistar a quinta vitória consecutiva contra a Dinamarca e de enfrentar, neste domingo, a Geórgia fora de casa, buscando encerrar invicto a primeira fase das eliminatórias para o Mundial de Basquete de 2027 no Catar.
“É usar o tempo trabalhando de uma maneira diferente, sentindo falta da quadra, sem dúvida alguma, sentindo falta do dia a dia dos treinos e do agasalho, mas também compreender o que implica ser técnico da seleção, a responsabilidade e a diferença no trabalho que deve ser feito — não na quantidade, mas sim na distinção do trabalho e na urgência do resultado”, acrescentou.
Mateo também falou sobre sua maneira de lidar com um grupo em que muitos jogadores são fundamentais nas “janelas da FIBA”, às quais a maioria dos que jogam na Euroliga ou na NBA não pode comparecer, e sobre o momento de ter que descartar muitos deles quando ele tem todo o elenco à disposição. “Os jogadores precisam estar cientes da responsabilidade de assumir esse compromisso. Todos eles são muito importantes e é preciso deixar isso claro para eles, assim como o fato de que todas as ‘janelas’ são importantes e que nada deve ser dado como certo, de que uns estarão presentes e outros não”, esclareceu.
“Mas eles não são tolos e muitos estão cientes de que também está em andamento uma renovação geracional e querem fazer parte de cada ‘janela’, de cada situação em que a seleção esteja envolvida. Espero que muitos deles também possam participar dos grandes campeonatos. Quando chegar a hora, será preciso escolher aqueles que melhor possam representar nosso basquete, mas também é verdade que as pessoas que vêm para as ‘janelas’ merecem o máximo respeito e nosso reconhecimento, pois o trabalho que estão realizando é magnífico”, reconheceu.
O que o técnico também sabe é que os problemas no calendário internacional são “uma situação que, às vezes, parece difícil de entender para todos”. “Não é fácil entender que, em todas as competições e entre todos os organizadores, ninguém queira perder parte do protagonismo e da cota de jogos, digamos assim”, observou.
“GOSTO DE VER COMO AS PESSOAS ESTÃO DE OLHOS BEM ABERTOS”
“No fim das contas, faz-se os jogadores da Euroliga entenderem que precisam estar em plena forma, com o máximo de exigência, no início, no meio e no final da temporada, e isso, em certos momentos, para nós que estamos dentro do esporte, é difícil de conseguir. E os jogadores, que são pessoas que sofrem e têm problemas pessoais, precisam de um pouco de empatia por parte daqueles que organizam as competições e exigem tanto, apenas para não perderem nem um pouquinho de poder, não é?”, alertou.
O ex-técnico do Real Madrid terá pela frente um ciclo até 2029, no qual precisará classificar a seleção para a Copa do Mundo de 2027, que está “um pouquinho mais próxima”, e, acima de tudo, para os Jogos Olímpicos de Los Angeles de 2028. “A Copa do Mundo já era um desafio complicado quando começamos a nos animar com a possibilidade de participar. Mas os Jogos também serão algo muito difícil de conquistar, porque esse sistema torna isso realmente complicado, e é preciso valorizar muito também essas pessoas que jogam nas ‘janelas’ e nas eliminatórias olímpicas”, destacou.
Por enquanto, sua trajetória na seleção nacional está indo bem e ele comemora o “compromisso e a vontade” dos jogadores convocados para esta ‘janela’, “apesar de terem passado por uma temporada longa e muito exigente” e de terem encerrado a temporada “uns com alegria e outros com tristeza”, em momentos diferentes. “Me reconforta vê-los sorrindo nos treinos, curtindo muito e, acima de tudo, com a vontade que têm de estar em quadra e jogar bem”, confessou.
Além disso, ele percebe a evolução no que pretende implementar após os primeiros jogos, que foram “bastante bons” e “em sintonia” com o que buscam, acima de tudo “essa boa atmosfera para gerar bons mecanismos coletivos”. Mas também ainda há “muito o que trabalhar” nessas semanas em que “cada um vem de um ritmo competitivo diferente”.
“Mas é verdade que, em dois ou três dias, gosto de ver como as pessoas estão com os olhos bem abertos e os ouvidos atentos para ouvir tudo o que se diz aqui. Para mim, é uma injeção de energia vê-los tão dispostos a ouvir”, elogia ele sobre seu grupo.
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