Joaquin Corchero / AFP7 / Europa Press
MADRID 12 abr. (EUROPA PRESS) -
A jogadora espanhola de badminton Carolina Marín, campeã olímpica em Rio 2016, defendeu que sua carreira esportiva se deve “100%” ao “trabalho”, como tem “demonstrado todos esses anos”, antes de uma aposentadoria após a qual seria “uma pena” que “se esquecesse do badminton”.
“Senti muita nostalgia ao poder voltar ao complexo esportivo onde descobri esse mundo maravilhoso, e as emoções que sinto são de gratidão, por todo o carinho que as pessoas me demonstram e também pela mídia, por toda a recepção e tudo o que isso implica; a verdade é que está sendo incrível e muito bonito”, confessou a jogadora de Huelva em entrevista à Europa Press um dia após a homenagem recebida em Huelva.
“A McEnroe” — assim sua mãe a chamava quando era criança por causa de seu caráter competitivo — derrubou barreiras, levando a bandeira de pioneira em um esporte com pouquíssima tradição na Espanha, e conseguiu isso com 13 medalhas individuais em nível internacional, com o ouro nos Jogos de Rio em 2016 como a ponta de um iceberg no qual o esforço e o trabalho diário foram fundamentais.
“Eu diria que foi quase 100% (trabalho). Mas não sou eu quem deve dizer se fui uma trabalhadora ou não; remeto-me aos fatos, acho que o trabalho se demonstrou ao longo de todos esses anos”, afirmou a atleta, de 32 anos, que, 24 anos depois de pegar uma raquete, anunciou há algumas semanas sua aposentadoria.
E ela teve que fazer isso longe das quadras devido a até três lesões graves no joelho, a última delas quando já estava perto da final dos Jogos de Paris no verão de 2024, a apenas 11 pontos de garantir uma nova medalha olímpica. "Eu adoraria me despedir e me aposentar em uma quadra de badminton com uma raquete, não vou negar, mas é verdade que me sinto muito tranquila com a decisão que tomei, porque é a melhor que já tomei na minha vida", relatou.
“Foi uma decisão difícil, um momento complicado e delicado. Fico triste por chegar ao fim; todos temos uma data de validade, mais cedo ou mais tarde chegará a nossa aposentadoria. Mas é triste, porque, no meu caso, foram 24 anos”, relembrou.
Mas ela deixou claro que não decidiu se aposentar seguindo apenas a razão e não o coração. “Foi um pouco das duas coisas, porque com a razão coloquei na balança o que é realmente importante: continuar forçando meu corpo e talvez me lesionar novamente e acabar com próteses nos joelhos e ter muito mais limitações, ou priorizar a saúde. Tenho 32 anos, é claro que quis priorizar isso”, explicou.
É assim que ela vê a situação enquanto aproveita o Europeu, que vai até este domingo em sua cidade natal, Huelva, no pavilhão que leva seu nome. “Eu teria adorado me aposentar aqui no Europeu, em Huelva, mas, por outro lado, também é bonito porque estou podendo me aposentar na minha cidade e vou poder me aposentar no Palácio dos Esportes que leva meu nome”, reconheceu.
“DESCOBRI MINHA RESILIÊNCIA AO LONGO DOS ANOS”
Em uma carreira marcada também por essas adversidades das lesões, a resiliência é uma capacidade inerente à atleta de Huelva, embora ela tenha sabido aperfeiçoá-la. “A verdade é que fui descobrindo a resiliência ao longo desses anos, com a primeira lesão, a perda do meu pai, a segunda lesão, a terceira... Foi aí que mais consegui dar significado a essa palavra, que é a que mais me marcou na vida”, contou.
Marín já assistiu muitas vezes à semifinal de Paris em que se lesionou. “Não é que eu tenha querido, mas quase me impuseram isso porque fui a muitos lugares, a muitos eventos, a muitas premiações, onde essa imagem foi muito repetida, mas já a assimilei”, disse ela.
“Não dá para ver de outra forma, porque as coisas aconteceram como aconteceram e é preciso aceitar. Afinal, não dá para ir contra algo que a vida colocou na sua frente”, acrescentou.
Embora o pior de sua carreira tenha sido se separar dos pais e de toda a família aos 14 anos, quando viajou para Madri para morar no CAR de Madri. “Isso foi muito complicado, mas também foi muito bonito, não vou dizer o contrário, e depois, obviamente, todas as lesões”, confessou.
E é que “sempre resta algo e sempre deveria restar” daquela menina que começou a jogar badminton. “Se há algo dessa menina, acima de tudo, é que aquela menina de 14 anos ia com uma mochila cheia de ilusões, e a ilusão é algo que nunca se deve perder”, alertou.
“Fico com cada um dos títulos e medalhas que conquistei, porque não posso ficar com apenas um. A mais importante, admito, é a medalha de ouro olímpica. Mas, para cada medalha, tivemos que percorrer um caminho que pouquíssimas pessoas conhecem e sempre houve algum contratempo no último momento e na última hora”, destacou.
Mas “o que mais a deixa orgulhosa” é ser pioneira e referência em seu esporte. “Ganhar tudo o que ganhei é incrível, mas ter conseguido fazer com que todos os espanhóis falassem sobre o que é o badminton, sair pela porta de casa e encontrar, em muitos dias, crianças com seus pais jogando badminton é maravilhoso”, comemorou.
E ela não quer falar da ‘nova Carolina Marín’, porque não gosta de comparações. “Só existe uma Carolina Marín, assim como só existe um Rafa Nadal e um Pau Gasol. Cada menino e cada menina tem que criar e trilhar seu próprio caminho. As comparações são negativas para essa criança", defendeu.
Além disso, ela não vê uma base sólida para fomentar o talento jovem. "Tenho que ser muito sincera: com a medalha de ouro de 2016, acho que a Federação Espanhola de Badminton deveria ter promovido muito mais esse esporte e conseguido muito mais licenças esportivas", criticou.
“Fiz tudo o que estava ao meu alcance, dei o máximo e fiz o possível, mas acho que, por parte da Federação Espanhola, o órgão maior e mais importante, eles não fizeram as coisas direito e, hoje em dia, infelizmente, não sei se têm feito o que é adequado”, acrescentou.
E “é muito cedo” para saber o que ela fará nesta nova etapa. “Não tenho formação como treinadora. Portanto, não posso formar treinadores, não sei se serei uma boa treinadora. É verdade que não gostaria de me afastar do badminton. Ficaria muito triste se Carolina Marín pendurasse a raquete e, a partir de agora, esquecesse o badminton. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que isso não aconteça”, afirmou.
Por fim, Marín não quis avaliar se deve estar no debate sobre a melhor esportista espanhola da história ao lado de Rafa Nadal ou Pau Gasol. “Não sou eu quem deve dizer isso, porque comparar-me com nomes e figuras tão importantes do esporte espanhol é algo muito sério. Acho que não sou eu quem pode decidir isso, isso cabe ao público”, concluiu.
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