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MADRID 20 abr. (EUROPA PRESS) -
O tenista espanhol Carlos Alcaraz não quis dar, nesta segunda-feira, nenhuma “estimativa” sobre suas chances de estar em Roland Garros daqui a algumas semanas devido à lesão no pulso direito e deixou claro que tem “uma carreira muito longa” e que forçar a participação em Paris pode “prejudicá-lo muito” no futuro, ao mesmo tempo em que reconheceu que é uma pessoa “totalmente diferente” daquela de quatro anos atrás e que “ainda” tem dificuldade em “lidar com a pressão”.
“Temos uma carreira muito longa, com muitos anos pela frente, e forçar a participação neste Roland Garros pode me prejudicar muito nos torneios futuros, então vamos ver como será a prova, que é o que estamos aguardando”, comentou Alcaraz em entrevista coletiva após receber o Prêmio Laureus de ‘Melhor Atleta’ de 2025.
O murciano tem certeza de que prefere “voltar um ‘pouquinho’ mais tarde, mas bem, do que voltar logo e apressado e mal”. “Então, como eu disse, é preciso cuidar-se, pois a carreira pode ser muito longa”, afirmou o atual número dois do mundo.
Ele insistiu que agora está “bem”. “No esporte profissional, esses são pequenos obstáculos que surgem no caminho, dos quais é preciso se levantar melhor e mais forte. Vamos tentar nos cuidar da melhor maneira possível para estarmos de volta às quadras em breve”, ressaltou, esclarecendo que o exame ao qual se submeterá “não é diferente, mas apenas mais um para avaliar como está (o pulso) após uma semana de repouso”. “A partir daí decidiremos, não sei te dar nenhuma porcentagem (em relação a Roland Garros)”, advertiu.
O tenista de El Palmar lamenta ter desistido do Barcelona Open Banc Sabadell-Trofeo Conde de Godó e do Mutua Madrid Open porque são torneios que ele vem “esperando o ano todo” para jogar diante da torcida espanhola. “Ter que perdê-los dói muito, mas, no fim das contas, são coisas que acontecem no mundo profissional e temos que aceitá-las como vêm, como uma forma de aprendizado para o futuro”, destacou.
“Se Deus quiser, tenho uma carreira muito longa pela frente, por isso não tenho medo agora de pular o que for preciso para me recuperar bem disso. Espero que não seja nada e que logo possamos voltar às quadras, mas temos clareza de que isso precisa ser bem recuperado, se não quero que me prejudique no futuro”, destacou o vencedor de sete Grand Slams.
Por outro lado, Alcaraz observou que não se preocupa em perder o primeiro lugar em favor do italiano Jannik Sinner. "Já disse em Monte Carlo, quando estava bem e sem lesão, que iria perdê-lo de qualquer maneira. A disputa pelo número 1 está sendo muito bonita entre Jannik e eu, algumas semanas ele, outras semanas eu", lembrou.
"Acho que agora ele vai ficar um pouco mais de tempo, mas a carreira é muito longa, temos muitos anos pela frente. Vamos tentar dar o nosso melhor nos torneios e o primeiro lugar virá depois de fazermos as coisas bem. O principal agora é tentar me recuperar e, depois, continuar fazendo as coisas como temos feito, treinar bem, e veremos se recuperamos o primeiro lugar logo ou não”, acrescentou a respeito.
“AINDA HÁ MUITAS VEZES EM QUE É DIFÍCIL LIDAR COM A PRESSÃO”
A tenista espanhola admitiu que é “uma pessoa totalmente diferente” desde que conquistou seu primeiro Grand Slam, o US Open, em 2022. "Houve muitas situações com as quais aprendemos, tanto boas quanto ruins, e posso garantir que aprendi muito mais com as ruins, com os momentos difíceis que passei", relatou.
"Aprendemos a lidar com a pressão, a focar nossa carreira, a aproveitar tanto dentro quanto fora da quadra e a tentar seguir o caminho certo. Ainda há muitas vezes em que é difícil lidar com a pressão, com as expectativas que você mesmo cria e as das pessoas, mas temos clareza de que o principal é aproveitar. Quando nos desviamos disso, temos que tentar, ou parar, ou fazer algo para voltar a focar no caminho certo”, expressou.
O número dois do mundo está “ciente” de que se tornou uma referência “para os jovens”. “Tento sempre mostrar bons valores sempre que jogo, que é onde eles me veem. Tento ser simplesmente como sou, mostrar a eles os valores que meus pais me incutiram desde pequeno e que o mais importante é aproveitar, que se animem a praticar qualquer esporte e que não o façam por obrigação”, comentou.
“No fim das contas, sempre que volto para casa, não esqueço que sou tenista, mas, no fim das contas, com meus amigos, com minha família, é como se eu voltasse às minhas raízes e me sentisse novamente o ‘Carlitos’ que era quando era pequeno, e para mim isso é superimportante para depois voltar à competição, já que você se expõe muito diante de todo mundo, tanto dentro quanto fora da quadra. Minha casa é como meu refúgio, na imprensa, e minha casa é como meu refúgio, e é isso que ela me transmite”, destacou.
A IMPORTÂNCIA DE SABER ESCUTAR
E em sua carreira, ele teve “a sorte”, quando tinha 15-16 anos, de poder se cercar de um bom ambiente e “de, em alguma ocasião, ter treinado com algum profissional espanhol”. “Acho que isso me ajudou muito. Lembro-me também de quando estava entrando aos poucos no circuito, eu não falava, mantinha a boca fechada e os ouvidos bem abertos para ouvir tudo o que pudesse, porque cada minuto que você passa com profissionais do seu mesmo esporte é uma 'masterclass' que você pode levar para sua vida pessoal e para sua carreira profissional”, confessou.
“Minha inspiração, acima de tudo, veio do Rafa (Nadal); ele sempre foi meu ídolo, assim como o Roger (Federer), a quem admiro muito. E, à medida que fui avançando, fui aprendendo com muitos jogadores e atletas que me ajudaram muito, mas principalmente no início”, afirmou.
Por fim, ele comemorou seu Prêmio Laureus, “o mais prestigiado do mundo do esporte atualmente”. “Ícones e lendas do mais alto nível já o ganharam e ver meu nome ao lado deles significa muito. Estou muito feliz por poder recebê-lo, é como se fosse um sonho”, destacou o murciano.
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