Oscar J. Barroso / AFP7 / Europa Press
MADRID, 23 jun. (EUROPA PRESS) -
A atleta espanhola Blanca Hervás confessou que seria “incrível” conseguir chegar à final do revezamento 4x400 metros nos Jogos de Los Angeles 2028, algo que não foi possível em Paris 2024, além de reconhecer que o revezamento lhe deu “tudo” e a ensinou a “priorizar o bem da equipe”.
“Fomos olímpicas em Paris com esse revezamento, não passamos para a final e ficamos bem perto, mas era o começo dessa geração. O que fizemos nesses dois anos foi incrível, e encerrar o ciclo olímpico em Los Angeles com uma final seria incrível. Existem países gigantescos, mas a Espanha foi campeã mundial, vice-campeã mundial este ano; em pista coberta, fomos vice-campeãs e terceiras colocadas. Estamos normalizando essas medalhas. Não sei o que vai acontecer, mas espero poder disputar essas medalhas, o que significaria estar na final”, destacou nos “Desayunos Deportivos” da Europa Press, organizados em parceria com a Amix, a Comunidade de Madri, a Joma, a Loterías y Apuestas del Estado, a Mondo e a Universidade Camilo José Cela (UCJC).
“Se continuarmos melhorando o tempo como estamos fazendo, acho que poderíamos disputar isso”, afirmou, reconhecendo também que está “muito animada com a prova individual”. “É um grande sonho que tenho desde pequena. Já sou atleta olímpica, mas a prova individual me anima muito e é para isso que estou me preparando”, indicou.
A madrilenha, medalha de prata no revezamento 4x400 m misto e de bronze no 4x400 m feminino no Mundial de Atletismo em Pista Coberta de Torun em 2026, reconheceu a importância do revezamento em sua trajetória. “O revezamento me deu tudo. Me ensinaram a competir, me permitiram recuperar a confiança que havia perdido. E minhas companheiras também me ensinaram. Ter certos encontros de treinamento ao longo do ano, poder conviver com atletas que estão na mesma situação que você, mas em outro ambiente, com outro treinador, com outro grupo, em outra cidade, ver como elas treinam e compartilhar tudo com elas é um privilégio”, expressou.
“O que há de mais bonito no revezamento é a união. O revezamento é o único momento do atletismo em que ele deixa de ser um esporte individual e se torna um esporte coletivo, e o segredo está em saber se comunicar. Sempre nos dão o mesmo exemplo: Julio Arenas, em mais de uma ocasião, foi capaz, mesmo sendo titular, de levantar a mão durante o aquecimento e dizer ‘não estou 100%’, e deixar que outro companheiro corra. Isso é o revezamento: priorizar o bem da equipe e não o ‘eu quero correr’. “O segredo é a equipe”, continuou ela.
Além disso, Hervás afirmou que está se esforçando para, algum dia, bater a marca de 51 segundos. “Eu recomendaria a todos a experiência nos Estados Unidos; ela me fortaleceu, me fez crescer, me educou e me ensinou muito. E graças a isso, hoje sou uma corredora de 51 e espero que, algum dia, consiga ficar abaixo dos 51”, destacou a atleta, que conquistou uma medalha de ouro e uma de prata no revezamento 4x400 feminino nos Mundiais de Revezamento de 2025 e 2026.
Quanto ao Campeonato Europeu de Birmingham, que será realizado entre 10 e 16 de agosto, ela afirmou que deve “se concentrar na prova individual”. “Quando chegar a hora, não passará de um presente. As decisões já serão tomadas, como aconteceu em Torun. Vou lidar com isso passo a passo”, ressaltou.
Por outro lado, a velocista falou sobre a situação que se formou antes do Mundial de Tóquio de 2025, quando o critério mínimo da RFEA a deixou de fora da competição, apesar de ela ter cumprido o mínimo exigido pela World Athletics. “No ano passado, fui uma das afetadas. Eu estava no ranking mundial, estava classificada para Tóquio entre as 30 melhores de 48, mas fiquei a cinco centésimos do tempo mínimo da RFEA e não pude competir. Em nenhum momento considerei isso uma disputa com a federação, porque esse tempo mínimo já estava definido há um ano. Entendi que era o tempo mínimo que eu precisava atingir e não consegui; não espero que flexibilizem”, explicou.
“Acho correto que não haja flexibilização para ninguém, porque quando se flexibiliza para um, surgem problemas. Aceitei isso, entendi e não há problema algum. É verdade que, como atleta, ninguém gosta de ficar na arquibancada. Ver como ocupam a sua vaga quando você a conquistou é difícil, mas eu entendo. É emocionante competir, e ficar tão perto de algo é complicado, mas você aceita; regras são regras e, se foram estabelecidas há um ano, ou você cumpre ou não cumpre”, continuou.
Por outro lado, Hervás compartilhou sua visão sobre o atletismo. “Me tranquiliza muito pensar que o esporte não deixa de ser uma ilusão, a mesma ilusão que eu tinha quando era criança. Quando era criança, ligava a TV e, sem saber qual esporte estava assistindo, via a camisa vermelha e queria que o da Espanha ganhasse. Quando competo pela seleção, tento me lembrar disso: que haverá pessoas que não sabem quem eu sou, mas que querem ver a Espanha vencer. Gosto dessa ilusão de competir sem pensar muito nisso, simplesmente representando o seu país”, destacou.
Ela também relembrou uma situação “muito difícil”, quando um treinador lhe disse que ela não iria longe nesse esporte. “Na hora, foi muito difícil. É um esporte em que se disputa cada centésimo, e se você não estiver bem, se não estiver competindo com entusiasmo, com confiança e curtindo o esporte, não vai dar certo. Os 400 metros são uma prova muito exigente, em que os últimos 100 metros dependem de como você correu mentalmente os primeiros 300 e de quão confortável você consegue chegar àquela reta final”, alertou.
Entre suas referências estão a americana Allyson Felix e a holandesa Femke Bol, embora agora seja ela a referência para muitos jovens atletas. “Eu não acredito que seja uma referência, mas depois vejo as crianças nas competições e digo: ‘você é uma referência’. Você faz o seu trabalho; vou treinar como fazia quando era criança. Quando me aposentar e olhar para trás, vou valorizar mais isso, saberei que fiz parte daquela geração da velocidade. É muito marcante estarmos aqui sentadas, duas velocistas, quando o atletismo espanhol nunca se destacou pela velocidade. Só por inspirar uma menina a querer praticar atletismo e a querer ser como nós, já valeu a pena”, concluiu.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático