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MADRID, 1 jul. (EUROPA PRESS) -
O técnico argentino Marcelo Bielsa negou ter tido problemas com o meio-campista do Real Madrid, Fede Valverde, e anunciou sua demissão do cargo, após expressar sua frustração pela eliminação precoce do Uruguai na fase de grupos da Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá.
“Este encerramento, esta despedida, é muito dolorosa. Pelas esperanças que eu criei e pelo modo ruim como tudo terminou. Nesse esforço, envolvi muitas pessoas. Os jogadores demonstraram uma capacidade enorme. Os jogadores não fizeram nada que me impedisse de comandá-los”, disse ele na coletiva de imprensa de despedida, que durou uma hora e 40 minutos.
O ex-técnico do Leeds, de 70 anos, comandou uma campanha decepcionante com o Uruguai, que terminou em terceiro lugar no Grupo H da Espanha, após empatar com a Arábia Saudita e Cabo Verde e perder (0 a 1) para os comandados de Luis de la Fuente em uma partida em que eles jogaram com muita garra.
“Sinto que decepcionamos os torcedores. É uma frustração muito grande; era totalmente imprevisto que ficássemos nessa posição. Difícil de imaginar. É uma derrota difícil de suportar. Não posso justificar a posição que alcançamos. A gestão dos recursos com os quais contava não foi suficiente. Fizemos o máximo. Tenho a convicção de que, se tivesse seguido caminhos diferentes, não teria revertido os resultados que obtivemos”, comentou.
Na coletiva, Bielsa se despediu com um “adeus muito doloroso” e sugeriu que “nada” do que tentou transmitir era “importante em nenhum nível”. “Sei quando alguém se importa com o que eu sei. Nada do que tentei transmitir foi importante, em nenhum nível. Isso nunca foi importante do meu ponto de vista. Não vejo nada de errado nisso: os outros não se interessam em saber o que eu sei. Caso encerrado”, afirmou.
Ele explicou que o goleiro Fernando Muslera estava com febre na véspera do confronto contra a Espanha. “No dia da partida, ele não estava com febre e estava pronto para jogar. Não tinha dores nem febre. Algo que demonstra sua grandeza é que nenhum jogador jamais me pediu para ser substituído, e ele me disse que estava tão abalado pelo erro que preferia deixar de jogar porque o time estava em condições de lutar e ele não estava no seu melhor momento”, revelou.
Por outro lado, ele negou que houvesse divisão entre os jogadores na seleção. “O assessor de imprensa da AUF, responsável por enviar as informações, encaminhou um comentário de um ex-jogador do Uruguai, que disse que ficou evidente que o jogador e o técnico estavam desunidos. Eu digo o contrário: estávamos unidos o suficiente para correr 20% a mais que a Arábia, 30% a mais que Cabo Verde e 25% a mais que a Espanha”, destacou.
Sobre a substituição de Fede Valverde na última partida da fase de grupos contra a Espanha, ele argumentou que não o criticou. “De forma alguma considero que o critiquei. Nunca tive nenhum problema com o Valverde. Nunca fiz mais concessões a um jogador, porque acredito que ele as merece. Eu disse a ele que talvez precisasse escalá-lo como zagueiro central, ponta ou volante, e recebi uma resposta perfeita. Se existe algum conflito, eu o ignoro, porque nunca tive nenhum problema com ele. Sonhava em comandar Araújo, Valverde, Bentancur...”, garantiu.
Por outro lado, Bielsa reconheceu dois incidentes que ocorreram durante a Copa do Mundo, entre eles a reação que teve antes de ser entrevistado após a derrota para a Espanha. “Eles lidam com os momentos de angústia como se fossem momentos de felicidade. Reagi à demora nas perguntas que me obrigavam a responder e reagi porque eles esperavam, esperavam, e eu estava oprimido pela dor. Por isso, talvez não tenha sido tão educado quanto deveria ter sido”, admitiu.
Sobre o fim de sua passagem pelo Uruguai, ele disse que no futebol há erros e equívocos. “Sem isso, não há futebol. Os erros nos encantam, e desta vez coube a nós sofrê-los”, lamentou o ‘Loco’, que descobriu jogadores como Mauricio Pochettino, atual técnico dos Estados Unidos.
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