MADRID 28 maio (EUROPA PRESS) -
O presidente da Federação Espanhola de Esportes de Montanha e Escalada (FEDME), Bernat Clarella, tem certeza de que as medalhas de ouro conquistadas nos Jogos Olímpicos de Verão — Alberto Ginés em Tóquio — e de Inverno — Oriol Cardona em Milão e Cortina d'Ampezzo — são “um orgulho incrível” porque fizeram “história”, mas que isso também os coloca em “uma posição de grande responsabilidade”, ao mesmo tempo em que lembra que estão recebendo a recompensa por um “trabalho silencioso” e que enxergam “um futuro promissor” na escalada esportiva.
“É um orgulho incrível. Somos uma Federação que está fazendo história, a única que participa dos Jogos de Verão e de Inverno, e nas duas vezes em que participamos tivemos a capacidade e o talento para conquistar medalhas. Em Milão-Cortina, conquistamos a primeira medalha de ouro para a Espanha 54 anos depois. As medalhas nos colocam em uma posição de grande responsabilidade”, afirmou Clarella em entrevista à Europa Press por ocasião da apresentação da prova da Copa do Mundo de Escalada em Alcobendas (Madri), que teve início nesta quinta-feira.
Agora, terão que mudar as estruturas para “adaptá-las” com o objetivo de “continuar melhorando e não perder o nível” que alcançaram. “É um desafio e, como nós, atletas, gostamos de desafios, que seja bem-vindo. Temos uma geração vindo por trás que está pressionando forte e tenho certeza absoluta de que continuará nos trazendo sucessos”, destacou.
O dirigente ressaltou que existe “uma estrutura de centenas de centros de treinamento” que trabalham de forma “muito profissional e intensa”, dos quais a Federação Espanhola se beneficia. "Trabalhamos muitos anos em silêncio, antes dos Jogos, e estamos vendo o resultado que estamos obtendo. Isso nos permitirá continuar formando bons atletas em nível nacional e internacional", confiou.
Um crescimento no qual eventos como o deste fim de semana em Alcobendas, a Copa do Mundo de escalada, têm grande importância. “No mundo da competição, há vários níveis de importância: uns são os Jogos Olímpicos, outros são as competições internacionais. Ter uma competição internacional, sendo que poucas cidades no mundo podem sediar essas competições, é extremamente importante, porque coloca você nesse cenário global do esporte da escalada”, analisou.
“Essa competição coloca seu nome, seu país, sua cidade no calendário internacional. É aí que se reflete quem está apostando nessas atividades e, portanto, é um patamar no qual temos que nos situar e estar se quisermos estar no topo do ranking mundial”, acrescentou o catalão.
Ele também destacou o fato de competir “em casa”. “Aqui, todo mundo te apoia. Virão não só as pessoas de Madri, mas de toda a Espanha. Pessoas que sentem o orgulho e a emoção de ver nossos atletas alcançarem seus objetivos. Isso nos dá mais força e nos faz colocar mais vontade e mais ímpeto para que tudo saia melhor”, expressou.
Clarella ressaltou que ser campeão é “muito difícil porque só um consegue”, destacando assim a figura de Alberto Ginés, campeão olímpico e maior figura da escalada espanhola, embora por trás “haja uma série de escaladoras e escaladores que podem chegar ao seu nível”.
“Isso nos garante um futuro com esperança. Vemos cada vez mais talento nos jovens, e isso nos dá a esperança de que não teremos essa lacuna geracional que às vezes pode ocorrer em um esporte. Teremos uma continuidade de sucessos para a escalada espanhola”, destacou.
Resultados notáveis no nível profissional que se refletem no número de pessoas que praticam a escalada. “Isso se nota sobretudo nas competições nacionais, onde as categorias de base estão a ter cada vez mais participantes. Isso um dia nos levará a um problema, digamos, de equilíbrio. Achamos que é um esporte de pessoas muito jovens e está a crescer de forma exponencial”, disse.
Por fim, sobre a mudança no formato da competição de escalada em Los Angeles 2028, Clarella acredita que isso gera “mais expectativas de poder ter mais gente” na competição. “Cada vez é mais difícil conseguir uma vaga em cada modalidade, o que nos fará nos esforçar mais, mas com mais possibilidades, pois haverá mais subdivisões”, concluiu.
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