MADRID 30 jun. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Liga F, Beatriz Álvarez, confessou que a aposta de Pau Gasol, por meio da “Gasol16 Ventures”, de injetar 55 milhões de euros na competição não era “um sonho”, pois era algo que ela “nem sequer havia sonhado”, mas que marca “um marco histórico” para o futebol feminino e que as torna “ainda mais fortes”, principalmente porque lhes permite “alcançar a maioridade” e não depender de outros recursos.
“Nem sequer sinto que isso seja um sonho, porque eu nem sequer tinha sonhado com isso. Pensar em chegar a um acordo estratégico com uma das grandes referências do esporte mundial era algo que não teríamos acreditado; vamos nos lembrar desse momento que, sem dúvida, marca um marco histórico no futebol feminino, no esporte espanhol, e para todas as mulheres em todo o mundo; é muito importante e simboliza muitas coisas”, comemorou Beatriz Álvarez durante a apresentação, nesta terça-feira, do acordo com a ‘Gasol16 Ventures’.
A dirigente sabe que “a injeção financeira” de 55 milhões de euros “é importante” e que “vai impulsionar um crescimento mais rápido”, e valorizou o fato de ter chegado “alguém de fora” e ter dito que “acredita” no futebol feminino espanhol. “É uma mensagem que, sem dúvida, reforça o trabalho e o que vínhamos construindo, além do valor inestimável e intangível que vem das mãos dele (de Pau Gasol)”, afirmou.
A ex-jogadora não esconde que “a hora é agora”. “É evidente que nós, clubes, acreditamos nisso há muitos anos e que temos demonstrado que não era preciso que ninguém de fora viesse nos dizer que acreditamos nisso. Mas, evidentemente, isso ajuda e, acima de tudo, não apenas por causa da figura do Pau, o que também conta, mas por causa do mercado. Ver que há pessoas do setor que enxergam na Liga F um potencial de desenvolvimento, para nós, significa tudo”, destacou.
“Entramos em uma nova era, com a mesma ambição ou até mais. Estamos muito animadas com essa nova etapa e, com certeza, o futuro é imparável, o futebol feminino é imparável e isso nos torna ainda mais fortes. Com certeza isso vai encorajar outras pessoas que, talvez em outro momento ou em outra conjuntura, não tenham se ousado”, advertiu.
A asturiana não esqueceu que, até agora, conseguiram “proporcionar certa estabilidade aos clubes graças ao apoio institucional”, como o da RFEF desde a chegada de Rafael Louzán à presidência, e aos “auxílios públicos” concedidos pelo CSD. No entanto, elas já sabiam há algum tempo que “era hora de dar mais um passo”. “Era hora de nos tornarmos independentes, de amadurecermos e começarmos a criar nosso próprio departamento comercial, a vender nosso produto, a impulsionar essa iniciativa dentro dos clubes e a ajudá-los nessa profissionalização”, destacou.
O dinheiro que receberão será “direcionado a cinco áreas importantes”, como a melhoria das infraestruturas, o “dia do jogo” ou a “experiência do torcedor”, e lhes permitirá ter “capacidade e força” para que possam se tornar “uma liga de referência em nível mundial”. “Temos trabalho pela frente, sim, mas em quatro anos conseguimos muitas coisas e acredito que este seja o impulso definitivo para entrarmos em uma nova era e conseguirmos atingir todos os objetivos que nos propusermos”, afirmou.
Essas cinco áreas “são igualmente importantes” e “é necessário investir em todas elas”. “Também há muito espaço dentro dos clubes para realizar muitas melhorias. Nosso objetivo é criar um círculo virtuoso em torno disso; não se trata apenas de uma injeção financeira, mas de gerar mais receitas, inclusive audiovisuais — área em que temos muito espaço para melhorias — e, é claro, as próprias receitas dos clubes. Queremos que o programa seja bem ‘ad hoc’ para cada um, dentro dessas cinco grandes áreas e do impulso dentro delas”, aprofundou.
A presidente da Liga F destacou “o potencial, a ilusão e a vontade” de seus clubes, bem como sua “capacidade de pensar no coletivo”. “Isso é muito importante e é a base de tudo. Temos muitos desafios, muito trabalho a fazer; este é o ponto de partida, mas que também reflete todo o trabalho que está por trás disso e que também precisa ser valorizado”, afirmou.
Quatro clubes votaram contra esse projeto, mas, para a presidente, “ele foi aprovado com uma maioria reforçada por parte dos clubes, e esse é o espírito”. “Sempre defendemos o coletivo e acredito que a maioria dos clubes compreende ou tem a percepção de que o coletivo é o que pode nos fazer crescer a todos”, destacou.
“Evidentemente, agora se inicia um período de inscrições, primeiro na competição por parte dos clubes, que ocorrerá paralelamente à inscrição neste projeto de investimento de Pau Gasol, e serão os clubes que terão que decidir, cada um por si, o que considerarem melhor. “Vamos contar com os 16”, afirmou.
E é que Álvarez acredita “firmemente neste projeto porque é o impulso definitivo para que possamos, de fato, continuar crescendo”. “E sei que é isso que a maioria dos clubes quer, porque nosso trabalho como gestores da competição era apresentar um projeto e um plano estratégico de crescimento. Isso se adapta perfeitamente à ambição deles; a partir daí, cada um deve analisar seus próprios interesses e se precisa ou não do investimento — afinal, talvez algum clube tenha dinheiro para investir sem precisar dessa injeção”, concluiu.
“A gestão será feita pela Liga F em conjunto com os clubes, e faremos um acompanhamento. Este será um projeto extremamente exigente, que exigirá que trabalhemos juntos, lado a lado, e que nunca nos desviemos dos objetivos, pois precisamos cumpri-los para alcançar esse crescimento. A operação em si não garante o sucesso; ela nos garante que, de alguma forma, teremos muito mais capacidade, mas agora precisamos começar a trabalhar e fazê-lo bem em equipe, com o máximo de rigor possível, para alcançar tudo o que nos propomos”, concluiu a presidente da Liga F.
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