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MADRID 5 ago. (EUROPA PRESS) -
As Ligas Europeias afirmaram nesta quarta-feira ter “sérias dúvidas sobre a governança da FIFA”, depois que seu presidente, Gianni Infantino, propôs a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE) para vender uma participação de 20% da entidade, responsável pela Copa do Mundo de futebol, a fundos privados, e defenderam que “não se deve permitir” que o órgão “continue tomando decisões unilaterais”, razão pela qual consideram necessária uma “reforma” na entidade.
“A decisão do presidente da FIFA de abandonar sua proposta mal concebida da FFE, que teria implicado a venda de participações nas atividades comerciais e relacionadas a eventos da FIFA, é o único desfecho lógico, a julgar pelas reações vindas de todo o mundo do futebol”, iniciou o comunicado da associação formada por 35 ligas europeias, entre as quais se destacam as cinco “grandes” — LaLiga, Premier League, Bundesliga, Série A e Ligue 1.
As ligas acreditam que “a rejeição esmagadora a essa ideia perigosa e ao processo opaco que a cercava” gera “sérias dúvidas sobre a governança, a cultura interna e a tomada de decisões da FIFA”. “Não se deve permitir que a FIFA continue tomando decisões unilaterais e disruptivas que vão contra os interesses das ligas, dos clubes, dos jogadores e dos torcedores, cujos esforços e investimentos contínuos impulsionam o valor das competições internacionais”, acrescentaram.
“Agora, mais do que nunca, a FIFA precisa de uma reforma em sua governança que garanta que todas as partes interessadas relevantes tenham um papel formal nas decisões que determinam o futuro do nosso esporte”, afirmaram.
Assim se referiram ao plano de Infantino, divulgado na semana passada, de vender participações de 20% da Copa do Mundo e de outras competições a investidores privados, e as ligas lembraram também que, na última quinta-feira, a FIFA também compartilhou um relatório de investigação com suas federações nacionais “na esperança de impulsionar os planos para ampliar a Copa do Mundo masculina de 2030 para 64 seleções”.
“Assim como no projeto abortado da FFE, essa nova proposta implica um prazo de avaliação irrealmente curto (apenas quatro semanas) e uma total ausência de consulta às ligas, aos clubes e aos jogadores, cujo planejamento e meios de subsistência seriam os mais afetados”, criticaram.
Por isso, as ligas do “Velho Continente” destacaram que esses acontecimentos recentes “colocam em evidência os problemas sistêmicos” do órgão regulador do futebol mundial, razão pela qual apresentaram, em outubro de 2024, uma denúncia formal à Comissão Europeia em relação ao conflito de interesses da FIFA, que atua tanto como reguladora quanto como operadora comercial.
“Nos últimos dois anos, mantivemos inúmeras reuniões produtivas com a Comissão e continuamos convencidos de que ela adotará as medidas necessárias para proteger a concorrência leal e garantir o cumprimento dos princípios estabelecidos pelo Tribunal de Justiça da UE. Até que ocorra uma reforma, que inclua um compromisso juridicamente vinculativo com todas as partes interessadas do futebol, as Ligas Europeias rejeitarão a ampliação ou a criação de competições da FIFA”, afirmaram.
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