Publicado 16/02/2026 07:15

Alfonso Cabello: "Continuo pensando em como posso melhorar dentro e fora do ciclismo, essa é a minha motivação."

O ciclista paralímpico Alfonso Cabello posa na academia.
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MADRID 16 fev. (EUROPA PRESS) - O ciclista espanhol Alfonso Cabello, sete vezes medalhista nos Jogos Paralímpicos, admite que, apesar de ter iniciado em 2025 “uma carreira profissional” com sua empresa de eletrônica aplicada à automotiva, percebeu que queria “continuar no esporte” porque isso o deixava “mais feliz” e que sua “motivação” está em continuar “pensando em como” pode “melhorar dentro e fora do ciclismo” porque é “inconformista por natureza”. “A motivação me encontrou. Às vezes, você não faz as coisas por motivação, mas por disciplina. No esporte é muito assim, todos falamos de motivação, mas nem sempre estamos motivados. É impossível. Como tudo na vida, há altos e baixos, há coisas boas e ruins. Não pode haver algo bom sem o ruim, nem motivação sem desmotivação. Então, o que deve prevalecer é a disciplina, saber qual é o seu trabalho e o que você tem que fazer”, indicou Cabello em entrevista à Europa Press após receber um dos Prêmios Admiral ao Esporte Espanhol 2025.

Nesse sentido, o cordovês reflete que “quando você passa muito tempo fazendo as coisas por disciplina”, pode acabar perdendo a motivação, um cenário que ele viveu em 2024. “Depois dos Jogos de Paris, pensei no que fazer. E em 2025, decidi seguir um caminho profissional paralelo ao esporte”, explicou. Por isso, nasceu a “Cabello Competición”, uma empresa de eletrônica aplicada à automotiva. “Presto serviços a profissionais do setor e estou indo muito bem”, detalhou. Esse sucesso profissional lhe deu a opção de escolher se queria “continuar no esporte”, mas seu sentimento pela bicicleta prevaleceu. “Sem essa pressão de ter que continuar obrigatoriamente praticando esporte, percebi que o que realmente queria era continuar lá, porque não queria descer de um carro que sabia que, quando descesse, não voltaria a subir. Então compreendi que o que fazia era o que me fazia feliz”, reconhece.

“Tenho dado muito menos importância ao resultado e vou tentar continuar fazendo as coisas assim, dando o meu melhor em cada situação. Quero ser feliz, treinar, dar o meu melhor e chegar até onde for preciso sem me complicar muito mais”, confessou o atual campeão mundial do quilômetro contra o relógio na pista da classe C5 para ciclistas com deficiência física.

Assim, ele consolidou um 2025 “de descoberta pessoal” após um ano “muito complicado a nível pessoal e profissional”. “Depois dos Jogos Olímpicos de 2024, não esperava que 2025 fosse tão bom para mim, por isso, isso me enche de energia novamente, porque quando parecia que depois de 2024 tudo tinha acabado para mim, isso me enche de entusiasmo para lutar, para chegar da melhor forma possível a 2028”, indicou, já que o compromisso em Los Angeles (Estados Unidos) em 2028 “é o objetivo principal”.

Cabello se define como um “inconformista por natureza” que sempre tenta dar o “máximo” em cada competição. “Sou super exigente, principalmente comigo mesmo, o que às vezes não é bom, mas sou assim. Não paro desde de manhã, quando acordo muito cedo. Organizo minha empresa e vou treinar; depois volto, continuo treinando e pensando em como posso melhorar, tanto fora quanto dentro do ciclismo. Essa é a motivação, é a faísca que me ajuda a continuar e a estar onde estou", destacou o andaluz. PREOCUPADO COM A TROCA DE GERAÇÕES

Para o ciclista de La Rambla, o ciclismo paralímpico está em “uma boa situação”, embora ele também ache que é “complicada”. “Está sendo feito um ótimo trabalho desde a base, mas hoje tenho 32 anos e sou o atleta mais jovem da seleção. Sou titular desde os 17 anos. Então, não há aquele Alfonso Cabello que, aos 17 anos, foi aos Jogos de Londres e ganhou o ouro, isso me preocupa um pouco", alerta. "Acho que nós, atletas, somos muito bons, mas também é importante que, quando deixarmos de estar, haja uma renovação, e hoje em dia isso não existe. Acho que nós, atletas, estamos muito consolidados, temos sérias chances de estar no topo nos Jogos de 2028, mas também é preocupante porque não existe essa renovação geracional. O esporte se profissionalizou mais, na Espanha estamos melhorando e profissionalizando, mas talvez não no ritmo que fazem nos outros países”, destacou.

Alfonso Cabello agradece o apoio que recebe da Real Federação Espanhola de Ciclismo (RFEC), que “está sempre atenta” às suas necessidades. “Com o que temos, exploramos 110% do potencial. Também não posso pedir mais a eles, porque sempre que preciso de algo, tenho, eles estão sempre à disposição. Gostaria que tivéssemos mais recursos e mais dinheiro, pois, infelizmente, quase tudo se resume a isso”, observou. Além disso, o heptacampeão paralímpico considera que o projeto da Cidade do Ciclismo apresentado pela RFEC em meados de dezembro lhe parece “bastante interessante”. “É preciso dar uma reviravolta no esporte, é preciso renovar-se. Acho que esta iniciativa pode dar certo, vamos ver o que acontece”, opinou o cordovês.

Por fim, ele vê esta temporada como “um ano de transição”, embora esteja ciente de que precisa “continuar treinando com continuidade, tranquilidade e sem pressão”. “Os Jogos Paralímpicos ainda estão longe, mas é preciso fazer bem, treinando de forma escalonada, mas com os pés bem no chão. Tenho muito claro que quero fazer bem no Mundial que temos no final do ano em Apeldoorn (Países Baixos), mas não vou me machucar nem comprometer meu estado físico para 2028 por fazer besteira em 2026”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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