MADRID 22 abr. (EUROPA PRESS) -
O piloto espanhol de MotoGP Álex Márquez (Ducati) lembra que o ano de 2025 “foi tão bom” que o deixou “vazio”, por isso teve dificuldade para “dar a partida” na nova temporada do Mundial de Motociclismo, na qual “tudo está ficando mais difícil” após uma pré-temporada “um pouco enganadora”, embora já tenha avisado que 2027 será “a bala real que terá de ser bem carregada” no que ele previu como “um ano muito bonito”.
“A pré-temporada na Malásia foi um pouco enganadora. Eu me dou muito bem lá, é um circuito com condições muito especiais; já vimos por muitos anos gente voando lá e depois não se sair bem durante o ano todo; é um circuito onde é preciso levar as coisas com cautela”, analisou o catalão, que foi o mais rápido no teste de fevereiro em Sepang, em entrevista à Europa Press após um evento organizado por seu patrocinador Momoven em Madri.
O piloto de Cervera percebeu no teste de pré-temporada na Tailândia que não estava “como no ano passado”. “Na primeira corrida vimos que estávamos sofrendo, no Brasil também. Além de sofrer, é preciso aceitar a nova situação, mas isso não foi difícil. No ano passado vi que 1 ou 2 pontos podem garantir um título mundial, um terceiro lugar, qualquer coisa, então era importante”, comentou, depois de abandonar a corrida na Tailândia e não subir ao pódio nem no Brasil nem nos Estados Unidos.
“Mas, analisando, acho que na Ducati não deram um ‘passinho’ à frente tão claro como em outros anos. A Aprilia sim deu e terminou o ano muito bem, e ainda por cima deram um 'passinho', e é nisso que estamos tentando trabalhar. Mas eu também fiz uma autocrítica e sei que, com o que tenho agora, posso fazer melhor. Então, é toda essa combinação que a pausa também veio para que pudéssemos analisar tudo com frieza", acrescentou.
A categoria rainha do motociclismo volta neste fim de semana com o Grande Prêmio da Espanha Estrella Galicia 0,0 no Circuito de Jerez, após um mês sem corridas devido ao adiamento do GP do Catar por causa do conflito no Oriente Médio. Uma “pausa” obrigatória para refletir e recuperar as sensações que lhe permitiram, no ano passado, ser vice-campeão mundial.
CLIQUE PARA ENTRAR "EM OUTRO CICLO"
"Quando tudo está indo muito bem, é muito mais fácil; no ano passado você nem percebia, era pódio, pódio, pódio e você nem parava para pensar no que estava fazendo. Este ano, por enquanto, tudo está ficando mais complicado, não estamos tão perto quanto gostaríamos, mas nem tão longe quanto parece”, afirmou Álex Márquez.
O piloto de Cervera, de 29 anos, precisa “encontrar o caminho certo com um resultado, um pódio”, para entrar “em outro ciclo, em outra dinâmica”. “Já passamos por três corridas, faltam 19, ainda há muitos pontos a serem distribuídos. Entramos agora na Europa, o que pode ser um pouco diferente, embora eu ache que não vai mudar muito. Depois de 5, 6, 7 corridas, vamos ver quem está na briga e quem não está, e a partir daí definir objetivos realistas”, disse ele.
Essas três primeiras corridas sem pódio — algo que não acontecia em sua carreira desde o final de 2024 — podem servir de alerta, “ou, pelo menos, se você vai bater na parede, ver isso chegando, não ir de olhos fechados contra a parede”.
“Para mim, o mais fácil seria sentar aqui e dizer: ‘O Mundial começa em Jerez, o que fizemos até agora não vale nada’. Mas não, estamos 50 pontos atrás, sofremos, aprendemos, passamos por momentos melhores, momentos piores e agora, em Jerez, temos que continuar remando de alguma forma, construindo”, defendeu, embora tenha reiterado que ainda faltam “muitas corridas” e “tudo pode mudar”, porque “há muitos fatores que podem influenciar”.
E toda essa situação surge após um 2025 muito positivo, pelo vice-campeonato e seus 12 pódios aos domingos, conquistando a oportunidade de pilotar uma Ducati oficial em 2026, embora não tenha sido fácil começar a temporada em termos de motivação. “O ano de 2025 me deixou muito vazio. Superar com folga as expectativas que eu mesmo estabeleci no início do ano deixa vazio. 'E agora?', pensava eu. Recomeçar, honestamente, foi difícil para mim”, revelou.
“Depois, você entra na dinâmica e tudo mais; antes de cada corrida, as expectativas são as mesmas: eu treino em casa, faço tudo igual, cem por cento, tento melhorar ‘pequenas coisas’. E quando fecho a porta de casa, vou ganhar; depois, quando você chega lá, vê os problemas que tem e cria expectativas realistas, mas quando fecho a porta, sei que fiz o dever de casa e vou ganhar”, relatou.
Por fim, Álex Márquez afirmou que “a bala perfeita para todos” é 2027, porque não sabem “o que vai acontecer”. “Todo mundo tem isso na cabeça: ‘se eu me adaptar melhor, se eu fizer as coisas melhor, se eu correr com essa moto e, por qualquer motivo, ela for a melhor, pode ser o ano’. Essa é a bala de verdade. É aí que vai ser muito interessante e acho que haverá muitos fatores que podem influenciar ou que podem tornar o ano muito bom. É essa bala que temos de carregar bem”, concluiu.
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