Dennis Agyeman / AFP7 / Europa Press - Arquivo
BOADILLA DEL MONTE (MADRID), 14 (EUROPA PRESS)
A presidente da Federação Espanhola de Basquete (FEB), Elisa Aguilar, acredita que ter três jogadoras na primeira rodada do “draft” da WNBA “diz muito e de forma muito positiva” sobre como se trabalha na Espanha no basquete, e não esconde que “é bom” que elas possam estar lá, apesar da “consequência colateral” que isso possa ter para a LF Endesa e para a seleção.
Na madrugada de hoje, a pivô do Valencia Basket, Awa Fam, fez história ao ser escolhida pelo Seattle Storm na terceira posição, a mais alta já alcançada por uma jogadora espanhola, igualando Pau Gasol, enquanto a armadora do Perfumerías Avenida, Iyana Martín, foi selecionada em sétimo lugar pelo Portland Fire, e Marta Suárez, que joga nos Estados Unidos pelo TCU Horned Frogs, pelo Golden State Valkyries, para onde foi enviada pelo Storms.
“Acho que, no basquete espanhol, é a primeira vez na história que temos uma número 3, uma 7 e uma 16, todas no mesmo ano. Isso diz muito e de forma muito positiva sobre o basquete espanhol e sobre o trabalho que as jogadoras e os treinadores realizam, e acredito que isso deve ser valorizado”, destacou Aguilar à imprensa após o acordo da FEB com a HM Hospitales.
A dirigente acompanhou tudo ao vivo e foi “muito emocionante”. “Nas horas que antecederam, com mensagens, com as pessoas que entendiam ver para onde iam os números das nossas jogadoras”, admitiu, confirmando que não conseguiu falar com nenhuma delas além de enviar “mensagens”. “Há diferença de fuso horário e também mandei uma mensagem para a Iyana, mas muito cedo. Imagino que ao longo do dia elas vão me responder. O que transmiti a elas foi o orgulho, os parabéns e toda a sorte do mundo nesta nova aventura”, destacou.
Aguilar referiu-se à possibilidade de em breve voltar a haver uma forte presença espanhola tanto na NBA quanto na WNBA. “É verdade que houve uma época muito, muito boa há muitos anos e que depois tivemos menos presença nas ligas americanas, mas acho que agora se aproxima um momento emocionante; elas chegam com muito talento e muito trabalho”, ressaltou.
“Evidentemente, eles e elas são os grandes protagonistas, mas eu sempre quero valorizar todo o trabalho que fazem os treinadores e os clubes, que são aqueles que, no dia a dia, estão por trás deles, e, claro, também a FEB”, acrescentou a esse respeito. “Agora, que aproveitem essa noite e que depois sejam elas mesmas e façam o que sempre fizeram a vida toda, que é trabalhar, trabalhar e trabalhar, e que aproveitem, pois isso é importante”, acrescentou a título de recomendação.
Além disso, ele considera essa conquista “extremamente importante” para as futuras gerações, na hora de terem referências nas quais “se espelhar”. “É importante para que todos os dias elas acordem querendo ser, neste caso, porque estamos falando delas, Awa, Iyana ou Marta, mas também estarão lá María Conde, Raquel Carrera, Maite Cazorla. É verdade que antes não tínhamos tantas referências, Amaya (Valdemoro) era uma delas, e é importante ter um número significativo de jogadoras na WNBA neste verão; é motivo de muito orgulho pelo que temos”, destacou.
“A verdade é que estamos em um momento...”, comemorou a presidente da FEB após o título universitário de Aday Mara e este terceiro lugar de Awa Fam, embora também tenha pedido “um pouco de cautela”. “É bom que todos fiquemos animados, porque isso também tem muito a ver com o nosso caráter, mas acho que é preciso ter um pouco de paciência e dar um tempo para deixá-las se desenvolver”, indicou.
Aguilar destacou que “são pessoas muito jovens” e que todos aqueles que têm “muita experiência nisso” sabem que “elas precisam de um espaço onde vão ter que ser acompanhadas”. “Evidentemente, no plano pessoal, mas depois nas franquias em que estiverem e também nos seus treinadores e nas colegas com mais experiência, que estou convencida de que vão acolhê-las e ajudá-las nessa transição”, expressou.
Sobre a perda de talentos na LF Endesa, a ex-jogadora não tem dúvidas de que “é bom” que as jogadoras espanholas “estejam na melhor liga do mundo”. “Isso tem uma consequência colateral que nos afeta, primeiro à seleção, porque vamos ver quando elas poderão se juntar ao grupo para preparar o Mundial deste verão, e depois vamos ver como se desenvolve o impacto que isso terá na nossa liga”, admitiu.
De qualquer forma, ela tem certeza de que, atualmente, o campeonato feminino está “em ótima forma”. “E se há algo de que somos capazes no basquete espanhol é nos adaptarmos e tirarmos proveito de cada situação, e estou convencida de que será assim”, afirmou.
Por fim, Elisa Aguilar não esquece que 2029 é um ano “marcado em vermelho no calendário” devido ao Eurobasket que será realizado em Madri e onde espera que, com essas novas caras, possam “lutar para estar no topo” em um evento que será “um marco histórico”, com a primeira partida no Santiago Bernabéu. “Todos os dias estamos entusiasmados e motivados, isso é um sinal muito bom”, comemorou.
“Estamos em uma situação animadora. Vimos de uma época de muitos sucessos ao longo de muitos anos e é difícil manter esse nível ao longo do tempo. Há um novo projeto com Chus Mateo que começamos bem e é preciso respeitar as jogadoras que estão aqui. Há um grupo importante de jogadores experientes que ainda têm anos para dar o melhor de si e jovens que estão chegando com tudo e quebrando barreiras antes impensáveis, como vencer a NCAA. Isso é animador, mas é preciso ser cauteloso, pois são jovens e é preciso dar-lhes espaço, e tudo leva seu tempo”, afirmou Aguilar.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático