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MADRID 15 out. (EUROPA PRESS) -
A Associação de Futebolistas Espanhóis (AFE) lamentou nesta quarta-feira "a falta de transparência e colaboração institucional" da LaLiga para a realização da partida LaLiga EA Sports entre Villarreal CF e FC Barcelona em Miami (Estados Unidos), negou ter recebido qualquer "informação" dessa reunião e advertiu que sua celebração vai contra o atual Acordo Coletivo de Trabalho.
"Dada a falta de transparência e colaboração institucional da LaLiga, e após as recentes declarações de seu presidente à mídia, o sindicato quer garantir que não recebeu nenhuma informação relacionada ao jogo, como solicitamos há dois meses, quando tivemos a confirmação oficial do projeto na diretoria da RFEF", disse a AFE em um comunicado.
A associação disse que na tarde desta terça-feira convocou uma reunião com uma representação dos capitães da LaLiga EA Sports, o presidente da LaLiga, Javier Tebas, e os clubes que se candidataram ao projeto, FC Barcelona e Villarreal CF, para que, conforme determina a Lei do Esporte em seu artigo 61 sobre transparência, "os jogadores de futebol pudessem conhecer todas as informações sobre a possibilidade de jogar uma partida" do campeonato nos Estados Unidos.
"Embora a AFE tenha oferecido todas as possibilidades de participação, tanto presencialmente quanto on-line, insistido no caráter prioritário da reunião por respeito aos colegas que representamos e enviado a convocação com uma semana de antecedência, a LaLiga e os clubes se recusaram a participar, simultaneamente, devido a problemas de agendamento", disse o sindicato.
O sindicato destacou que a "alternativa" oferecida foi "uma reunião após o início da pré-venda e da venda de ingressos para a partida - conforme anunciado, marcada para 21 e 22 de outubro, respectivamente - e em dias da semana em que, devido à configuração do calendário, os jogadores de futebol não teriam chance de participar".
A AFE esclareceu que "tampouco fechou qualquer acordo" com os empregadores em 2018, quando surgiu a ideia de levar uma partida da La Liga para os Estados Unidos, e lembrou que "mostrou publicamente sua discordância" em realizá-la. "Não sabemos quais são os interesses da associação patronal para oficializar um jogo - como fez em 8 de outubro - quando apenas um dia antes assegurou à AFE que a aprovação da UEFA não significava a autorização definitiva para realizar um jogo que não tem a aprovação dos futebolistas", criticou.
"Apesar de o sindicato, com o apoio dos 20 capitães, ter solicitado insistentemente todos os detalhes do projeto para analisá-los, comunicar as necessidades do coletivo e formar, se necessário, uma mesa de negociação, levando em conta que o atual Acordo Coletivo, negociado entre a AFE e a LaLiga, estabelece as condições de trabalho dos futebolistas no âmbito nacional", alertou o sindicato presidido por David Aganzo.
Por isso, transferir um jogo da LaLiga EA Sports para os Estados Unidos "impossibilitaria o cumprimento" do artigo 8, que estabelece que "o jogador de futebol é obrigado a realizar as sessões de treinamento estabelecidas pelo Clube/SAD, desde que não excedam as 36 horas imediatamente anteriores ao início do jogo, quando este for disputado em seu próprio campo". "Se o jogo for disputado no campo de outra equipe, o campo de treinamento não deve exceder 72 horas (incluindo o tempo de viagem), sendo que o início da partida também deve ser considerado como horário de referência", observou.
Além disso, a AFE enfatizou que "está em contato permanente com vários deputados do Parlamento Europeu que, em 9 de setembro, enviaram uma carta a Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, para expressar sua profunda preocupação com as recentes iniciativas de algumas ligas nacionais, como as ligas espanhola e italiana, que pretendem realizar jogos oficiais fora do território europeu".
"Por fim, em 7 de outubro, o Parlamento Europeu adotou por maioria o Relatório sobre o papel da política da União Europeia na formação do Modelo Europeu do Esporte (ESM), um documento que busca proteger nosso esporte e apela, literalmente em seu artigo 44, aos órgãos dirigentes esportivos para que 'impeçam que partidas de competições nacionais sejam disputadas no exterior'", acrescentou.
O sindicato continua "em conversações contínuas" com deputados e grupos parlamentares na Espanha, "que estão trabalhando para pedir ao governo que aplique o MEDE", que foi endossado por Javier Tebas "no último dia 13 de maio no Congresso dos Deputados", dia em que, segundo a associação, o presidente da LaLiga garantiu que "quando alguém quer fazer mudanças importantes que podem colocar o futebol profissional em risco, é importante que seja o mais transparente e claro possível".
"Com base em suas próprias palavras, pedimos à LaLiga coerência em seu discurso, respeito aos jogadores e que aplique os mesmos argumentos de transparência a todos os projetos que visam transformar o planejamento atual do futebol", disse a AFE.
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