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MADRID 29 jun. (EUROPA PRESS) -
A Associação de Jogadores de Futebol Espanhóis (AFE) entrará com uma ação judicial contra a LaLiga por sua “recusa em constituir” a mesa de negociação do Acordo Coletivo da Primeira e da Segunda Divisão, após não ter sido alcançado, nesta segunda-feira, um acordo na sessão de mediação realizada no Serviço Interconfederal de Mediação e Arbitragem (SIMA), e defendeu que a entidade patronal “despreza a democracia” e “o mandato dos jogadores”.
“A AFE entrará com uma ação por conflito coletivo, devido à recusa da LaLiga em constituir a comissão negociadora do Acordo Coletivo da Primeira e da Segunda Divisão”, informou o sindicato em um comunicado divulgado nesta segunda-feira.
A entidade presidida por David Aganzo toma essa decisão porque “a LaLiga não quer cumprir o disposto na 17ª disposição da Lei do Esporte”, que estabelece que, nos acordos coletivos destinados a atletas profissionais, “estarão legitimadas a negociar as organizações sindicais constituídas em cada modalidade ou especialidade esportiva que tenham sido designadas majoritariamente por seus representados por meio de votação pessoal, livre, direta e secreta”.
Na sexta-feira, 12 de junho, a LaLiga convocou os sindicatos AFE e Futbolistas ON “à luz das divergências” que surgiram entre ambos os sindicatos e para poder constituir, o mais rápido possível, a referida Mesa de Negociação do novo acordo. Na ausência de acordo, recorreu-se ao SIMA, onde também não se chegou a um consenso.
Essa controvérsia tem origem nas últimas eleições para determinar qual sindicato seria escolhido para representar os jogadores nesta negociação, um processo que a AFE venceu de forma esmagadora com 93,14% dos votos, contra 6,2% do Futbolistas ON.
A lei estabelece que essa representação deve caber aos sindicatos que obtiverem no mínimo 10% do total de votos válidos emitidos nas eleições para designar a comissão representativa dos trabalhadores. Assim, a AFE se considera “o único sindicato legitimado para negociar o Acordo Coletivo após a votação dos jogadores dos 42 vestiários da Primeira e da Segunda Divisão”.
Por isso, a AFE critica que a LaLiga “despreza a democracia e o mandato dos jogadores, com o único objetivo de incluir nas negociações um sindicato que não tem legitimidade para tal, por não ter sido apoiado pelos votos dos jogadores”.
“Javier Tebas, com essa atitude, se recusa a cumprir o disposto na lei e está prejudicando os jogadores, ao impedir que sejam negociadas, para o novo Acordo Coletivo, melhorias importantes para o exercício de sua profissão”, acrescentou o contundente comunicado do sindicato presidido por David Aganzo.
A Futbolistas ON, com o apoio da LaLiga, segundo considera a AFE, se valem de uma abordagem do processo realizado em 2019, no qual a Audiencia Nacional estabeleceu um protocolo segundo o qual todo sindicato que desejasse sentar-se à mesa de negociação deveria ter pelo menos 5 por cento.
Além disso, a AFE já havia afirmado há alguns dias que se baseava em uma carta enviada pela LaLiga no final do mês de janeiro passado, depois que o sindicato contestou o Acordo Coletivo em dezembro de 2025, na qual a entidade patronal destacava, em seu segundo ponto, que, para a “correta” formação da Mesa de Negociação, era necessário respeitar o disposto na Lei do Esporte.
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