FRED MARVAUX / EUROPEAN PARLIAMENT
BRUXELAS 16 set. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu nesta quarta-feira a necessidade de avançar rumo a um “futuro elétrico” na Europa e de dobrar a participação da eletricidade no consumo energético da UE até 2040, após alertar que o bloco gastou 90 bilhões de euros a mais em importações de combustíveis fósseis desde o início da guerra no Oriente Médio.
Nosso objetivo é dobrar a participação da eletricidade até 2040. Com isso, a Europa poderia reduzir sua conta de importação de combustíveis fósseis em 260 bilhões de euros por ano. Em suma, vamos tornar o futuro da Europa elétrico. “É imprescindível”, defendeu ela durante seu discurso sobre o Estado da União (SOTEU, na sigla em inglês) perante o plenário do Parlamento Europeu em Estrasburgo (França).
A chefe do Executivo comunitário situou essa aposta no objetivo de reduzir a dependência energética externa da União, após alertar que a Europa não pode continuar sendo uma “potência industrial” enquanto enfrentar preços de energia “estruturalmente altos demais”.
Nesse sentido, ela destacou que a guerra com o Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz voltaram a evidenciar a vulnerabilidade do bloco diante dos combustíveis fósseis importados, cujo aumento de preço representou 90 bilhões de euros adicionais para a UE desde o início do conflito.
“Gastamos 90 bilhões de euros a mais desde o início da guerra sem adicionar uma única molécula de energia”, lamentou Von der Leyen, que defendeu que a solução passa por produzir mais energia na Europa e reduzir a dependência das importações.
Para isso, a líder alemã defendeu o aumento da geração por meio de energias renováveis e energia nuclear, além do biometano e de outras tecnologias, seguindo uma abordagem “tecnologicamente neutra” que permita avançar rumo a uma maior independência energética.
Von der Leyen também destacou as redes elétricas, alertando que o aumento da capacidade de geração não está sendo acompanhado, no mesmo ritmo, pelas infraestruturas necessárias para incorporá-la ao sistema.
Assim, ela destacou que a Europa instalou no ano passado mais de 80 gigawatts de capacidade renovável, mas ainda há um volume seis vezes maior aguardando conexão; por isso, ela defendeu a aceleração dos investimentos em redes, a agilização das conexões e o desenvolvimento do armazenamento de energia.
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