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BRUXELAS 3 jul. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reiterou nesta sexta-feira que o desejo da União Europeia é “reduzir” as tensões comerciais com a China, “não romper” os laços; mas alertou Pequim de que, caso o diálogo recém-retomado não produza resultados, a União está “preparada para tudo”.
“O diálogo é essencial, mas deve produzir resultados. E, dependendo da resposta da China (...), essa determinará nossa possível ação. Basicamente, estamos preparados para tudo, temos todos os instrumentos à disposição e estamos considerando outras possibilidades, caso sejam necessárias”, resumiu Von der Leyen, em uma coletiva de imprensa em Cork (Irlanda), por ocasião do início do semestre da presidência irlandesa do Conselho da UE.
Dessa forma, a conservadora alemã se referiu ao anúncio feito nesta mesma semana pelo negociador comercial da UE e comissário europeu, Maros Sefcovic, de que Bruxelas e Pequim haviam concordado em reativar o diálogo para avançar em direção a “resultados tangíveis” até outubro próximo, quando Sefcovic tem previsto viajar para a China a convite do ministro do Comércio do país, Wang Wentao.
Sefcovic e Wang se reuniram na segunda-feira em Bruxelas para marcar o início do diálogo e confirmar, por meio de uma declaração conjunta — a primeira entre a UE e a China desde 2019— que se comprometiam a encarregar suas respectivas equipes de negociação de manter contatos em nível técnico nas próximas semanas para definir um “roteiro” claro e um cronograma, com o objetivo de alcançar “resultados tangíveis” em outubro.
Nesse contexto, Von der Leyen insistiu que a União está comprometida com o diálogo, desde que ele traga resultados, ao mesmo tempo em que destacou que os Vinte e Sete devem cumprir suas próprias “obrigações” para “diversificar” suas cadeias de abastecimento e romper a dependência de terceiros, como a China.
De qualquer forma, ela garantiu que Sefcovic não se esquivou de defender criticamente os interesses europeus em seus contatos com seu homólogo chinês, incluindo a superprodução que satura o mercado global ou as práticas “desleais” decorrentes dos subsídios de Pequim a empresas chinesas para lhes conferir uma vantagem ilegal que a UE não quer “ver novamente em seu mercado”.
Na mesma audiência, o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, defendeu o diálogo como prioridade nas relações com a China e um comércio entre as duas regiões “baseado em regras”, embora tenha admitido que “nem sempre é o caso” de isso ocorrer nessas condições e tenha feito alusão aos fortes desequilíbrios econômicos.
De qualquer forma, o líder irlandês mostrou-se confiante de que as conversas entre Bruxelas e Pequim permitam chegar a um “ponto de encontro” que possibilite o entendimento, pois existem muitas “interdependências” entre a UE e a China.
LÍDERES DA UE PEDIRAM QUE O DIÁLOGO COM A CHINA SE TORNE MAIS RÍGIDO
Essa situação ocorre apenas uma semana depois que os chefes de Estado e de Governo da UE instaram a Comissão Europeia a insistir no diálogo com Pequim, desde que fosse um diálogo que “trouxesse resultados” e, ao mesmo tempo, continuar a explorar como o bloco pode responder às práticas comerciais desleais de Pequim e corrigir o déficit comercial que ultrapassa 360 bilhões de euros por ano com o gigante asiático.
Assim, em sua cúpula de junho, os líderes abordaram, durante um jantar de trabalho, os “desequilíbrios macroeconômicos” — em uma referência velada ao impacto das políticas de Pequim no mercado europeu — e concluíram com o compromisso de manter a “unidade” entre os 27 em matéria de política comercial e o “diálogo” com o exterior.
No entanto, os líderes também defenderam, naquele jantar, que não se deve desconsiderar o fato de que “a concorrência leal em nível mundial exige igualdade de condições” e alertaram que todo diálogo com terceiros deve ter “resultados tangíveis”.
Nesse contexto, os líderes europeus já solicitaram, na cúpula, à Comissão Europeia — que detém as competências do bloco em matéria de comércio exterior — que explore duas linhas de trabalho: uma voltada para avaliar possíveis novas medidas de defesa comercial e outra que busque um “diálogo que traga resultados” com outros “parceiros” econômicos.
Especificamente, encarregaram Bruxelas de “desenvolver e, se for o caso, complementar o conjunto de ferramentas em matéria de defesa comercial e política industrial, para garantir que a União Europeia disponha de todos os instrumentos necessários para defender seus interesses e reduzir riscos”, conforme informaram na ocasião fontes europeias.
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