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BRUXELAS 23 mar. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o comissário para o Comércio, Maros Sefcovic, já se encontram na Austrália para tentar acertar, nas próximas horas, os “últimos detalhes” que permitam anunciar um acordo de livre comércio que Canberra e Bruxelas começaram a negociar em 2018, mas que fracassou em 2023 e foi reativado para neutralizar as tensões com os Estados Unidos ou a China.
“A presidente está na Austrália, onde se reunirá com o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, esta noite — na madrugada de terça-feira em Canberra — com o objetivo de acertar os últimos detalhes”, indicou em uma coletiva de imprensa em Bruxelas o porta-voz comunitário para o Comércio, Olof Gill.
O Executivo comunitário já havia anunciado na semana passada a viagem de três dias que Von der Leyen e Sefcovic realizariam esta semana, com o objetivo de concluir um acordo comercial que a Europa considera fundamental para avançar no fortalecimento das relações com parceiros confiáveis diante das tensões comerciais com grandes economias como os Estados Unidos e a China.
Apesar do otimismo com que Bruxelas encara a reta final das negociações, o porta-voz quis alertar que ainda há questões a serem resolvidas. “Como gosta de dizer o comissário Sefcovic, a reta final é a mais difícil.”
Se o acordo for aprovado, disse o porta-voz, a União Europeia espera economizar até 1 bilhão de euros por ano em tarifas e que as importações de bens europeus para a Austrália cresçam 33%.
Segundo dados da Comissão Europeia, o acordo permitiria aumentar em cerca de um terço o comércio de bens e serviços entre as duas partes, que, no caso dos bens, totalizou 49 bilhões de euros em 2024. Não é à toa que a UE é o terceiro parceiro comercial da Austrália, depois da China e do Japão, enquanto para os europeus o mercado australiano ocupa o vigésimo lugar como parceiro comercial.
RETALHA FINAL
Já há uma semana, em uma mensagem divulgada na última segunda-feira nas redes sociais, o comissário Sefcovic indicou ter conversado por telefone com o ministro do Comércio australiano, Don Farrell, para fazer um balanço dos “bons avanços” que estavam ocorrendo nas negociações.
“Estamos trabalhando duro para alcançar um acordo mutuamente benéfico. Estamos avançando na direção certa e estamos totalmente comprometidos com um resultado bem-sucedido”, afirmou Sefcovic na ocasião.
Também no início daquela semana, Von der Leyen afirmou em uma carta aos chefes de Estado e de Governo da UE, enviada para preparar a cúpula europeia de quinta-feira em Bruxelas, que as negociações para o acordo de livre comércio com a Austrália estavam na “ reta final” para a conclusão de um acordo.
“Isso marcará mais um marco na diversificação das alianças internacionais da Europa e no fortalecimento do nosso compromisso estratégico a nível mundial”, defendeu a chefe do Executivo comunitário na missiva.
Sobre o acordo em negociação, Von der Leyen indicou também que, além de eliminar barreiras comerciais, ele facilitará o acesso da UE a matérias-primas essenciais — como lítio, cobalto, terras raras e hidrogênio — e “reforçará a presença” do bloco em uma das regiões econômicas “mais dinâmicas do mundo”.
Em sua comunicação aos líderes, a presidente da Comissão também assegurou que o acordo faz parte de uma estratégia mais ampla na região Indo-Pacífico que “vincula comércio, investimento e compromisso geopolítico” e melhora a capacidade da União de “definir padrões globais” e garantir cadeias de abastecimento resilientes.
A União Europeia busca chegar a um acordo em breve para somar o pacto com a Austrália a outros firmados recentemente, como o assinado com o Mercosul ou o acordo preliminar alcançado com a Índia, como parte dos esforços para estreitar laços comerciais com parceiros confiáveis, diante da instabilidade e das tensões com grandes potências como os Estados Unidos e a China.
A União e a Austrália começaram a negociar o acordo em 2018, mas as conversas fracassaram em 2023 devido às exigências de Canberra de obter maior acesso ao mercado europeu para as exportações agroalimentares australianas, como carne bovina, ovina e açúcar.
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