Publicado 17/07/2026 13:10

VÍDEO: Bruxelas dá mais margem à indústria para reduzir as emissões com a reforma do mercado de carbono

Archivo - Arquivo - Bandeiras da UE em Bruxelas
Michael Kappeler/dpa - Arquivo

BRUXELAS 17 jul. (EUROPA PRESS TELEVISÃO) -

A Comissão Europeia propôs nesta sexta-feira conceder mais tempo à indústria para reduzir suas emissões por meio de uma reforma do mercado europeu de carbono (ETS, na sigla em inglês) que diminui o ritmo da redução anual das licenças de emissão a partir de 2031, sem abrir mão da meta de alcançar a neutralidade climática em 2050.

Em vigor desde 2005, o ETS estabelece um limite máximo de emissão de CO2 para cerca de 10.000 instalações de setores como o siderúrgico, o cimento ou os fertilizantes por meio de um sistema de compra e venda de licenças, cuja disponibilidade Bruxelas propõe reduzir mais lentamente para facilitar uma transição “mais gradual” das atividades com maior consumo de energia.

Especificamente, a redução anual passará dos 4,4% previstos para o final desta década para 3,7% entre 2031 e 2035 e para 1,7% entre 2036 e 2040, o que, segundo a Comissão Europeia, impedirá que o sistema esgote o volume disponível no final da década de 2030, conforme previsto pelas normas atuais, e permitirá prolongar seu funcionamento, previsivelmente, até meados da década de 2040.

A revisão, no entanto, torna mais rigorosas, ao mesmo tempo, as condições para que as empresas possam continuar recebendo alocações gratuitas após 2030. Especificamente, 80% serão concedidos assim que as empresas apresentarem um plano de investimentos para reduzir sua pegada de carbono, enquanto os 20% restantes só serão entregues quando comprovarem sua execução.

Além disso, as empresas que transferirem sua produção para fora da União Europeia perderão o direito de continuar recebendo essas alocações gratuitas. Por outro lado, aquelas que já lideram a redução de emissões ou recebem financiamento do Fundo de Inovação ou do futuro Banco de Descarbonização Industrial ficarão isentas desses novos requisitos.

“Se deixarmos a indústria se transferir para fora, todos perderemos”, alertou o comissário europeu para a Ação Climática, Wopke Hoekstra, que defendeu que a Comissão tentou “traçar um caminho entre as diferentes posições”, que mantenha uma “ambição climática notável”, ao mesmo tempo em que leve em consideração as empresas que já investiram na descarbonização e aquelas que o farão no futuro.

O Executivo comunitário propõe, ainda, que os Estados-membros destinem obrigatoriamente pelo menos 50% das receitas obtidas nos leilões de direitos de emissão a investimentos para descarbonizar os setores incluídos no ETS.

Bruxelas afirma que, atualmente, apenas cerca de 5% desses recursos são destinados diretamente a esse fim, por isso pretende reforçar o vínculo entre a arrecadação do sistema e o financiamento da transição industrial.

CRÉDITOS INTERNACIONAIS E ABSORÇÃO DE CARBONO

A proposta também abre caminho para a incorporação, a partir de 2036, de créditos internacionais de carbono equivalentes a até 2% do volume do ETS, desde que cumpram os critérios de qualidade que a Comissão revisará em 2033 antes de autorizar sua utilização.

Além disso, prevê a integração de 150 milhões de toneladas de absorções permanentes de carbono geradas dentro da UE, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento desse mercado e favorecer a implantação de tecnologias de captura e armazenamento de CO2.

Outra das principais mudanças diz respeito à Reserva de Estabilidade do Mercado, o mecanismo que regula a quantidade de licenças de emissão em circulação para evitar desequilíbrios entre oferta e demanda.

Nesse caso, Bruxelas propõe reduzir de 24% para 12% a taxa anual com a qual a reserva absorve licenças de emissão, uma modificação que permitirá manter mais licenças em circulação por mais tempo. Além disso, o funcionamento do mecanismo será adaptado ao tamanho reduzido que o mercado terá a partir da próxima década, com o objetivo de limitar a volatilidade dos preços do carbono.

NOVO BANCO PARA A DESCARBONIZAÇÃO INDUSTRIAL

O pacote inclui ainda um Banco de Descarbonização Industrial dotado de direitos de emissão avaliados em cerca de 100 bilhões de euros, que será implementado em duas fases.

A primeira consistirá em um mecanismo temporário para acelerar os investimentos nos setores com maior consumo de energia, enquanto, a partir de 2031, evoluirá para um sistema de contratos por diferenças de carbono adjudicados por meio de leilões.

A Comissão propõe igualmente ampliar o Fundo de Modernização para que ele possa financiar projetos industriais, como a captura e o armazenamento de carbono, e reservar parte desses recursos para os Estados-Membros com menor renda.

RESÍDUOS, AVIAÇÃO E TRANSPORTE MARÍTIMO

A revisão do ETS também incorpora gradualmente a incineração de resíduos municipais ao mercado europeu de carbono a partir de 2031, embora preveja exceções temporárias para determinados Estados-Membros e medidas de apoio destinadas às autoridades locais.

No setor da aviação, Bruxelas propõe ampliar, a partir de 2029, o âmbito de aplicação do ETS para voos de até 5.000 quilômetros com origem ou destino na UE, a fim de reduzir as distorções competitivas em relação a aeroportos localizados fora do bloco e incentivar o uso de combustíveis sustentáveis.

No setor marítimo, a reforma destina uma parcela maior das receitas do sistema ao desenvolvimento de combustíveis limpos e novas tecnologias de propulsão. Além disso, introduz medidas para limitar o risco de que os navios desviem suas escalas para portos fora da União Europeia com o objetivo de evitar o pagamento das taxas de emissão.

PLANO DE ELETRIFICAÇÃO A Comissão apresentou ainda um Plano de Ação para a Eletrificação, com o qual pretende acelerar a substituição dos combustíveis fósseis pela eletricidade na indústria, nos transportes e nos edifícios, considerando que essa é a via mais eficaz para reduzir a dependência energética e melhorar a competitividade da economia europeia.

“Desde o fechamento do Estreito de Ormuz, a Europa pagou mais de 50 bilhões de euros a mais por energia. Isso demonstra até que ponto somos vulneráveis e o quão insustentável é depender do abastecimento externo. Precisamos produzir nossa própria energia e continuar liderando a luta contra as mudanças climáticas”, destacou o comissário europeu de Energia e Habitação, Dan Jorgensen.

Entre outras medidas, Bruxelas propõe reduzir a carga tributária sobre a eletricidade para torná-la mais competitiva em relação ao gás, eliminar progressivamente os subsídios aos combustíveis fósseis e promover um uso mais eficiente das redes elétricas por meio de sinais de preço que incentivem o consumo nos horários de menor demanda.

O plano também estabelece a meta de que pelo menos metade dos consumidores europeus disponha de medidores inteligentes até 2030 e que essa proporção chegue a 75% em 2033, com o objetivo de facilitar uma gestão mais flexível do consumo e reduzir os custos do sistema elétrico.

Além disso, a Comissão Europeia pretende acelerar a eletrificação da indústria por meio de planos setoriais e de um maior acesso à eletricidade de baixo carbono, ao mesmo tempo em que destinará recursos financeiros à implantação de redes, sistemas de armazenamento e outros investimentos relacionados a essa transição.

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